NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A dívida total do Brasil chegou a 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, com um aumento de 2,4 pontos percentuais durante o ano, totalizando R$ 10 trilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (30).
Houve uma pequena queda em dezembro, de 0,3 ponto percentual, mas ainda assim esse foi o terceiro ano consecutivo de aumento da dívida, que cresceu cerca de 7 pontos percentuais desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A dívida total inclui o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os governos estaduais e municipais, e é um indicador importante para os investidores avaliarem a saúde financeira do país.
O cálculo é feito em relação ao PIB para mostrar se a dívida é sustentável. Atualmente, a trajetória da dívida está entre as principais preocupações do mercado financeiro.
De acordo com o Tesouro Nacional, se os gastos fora do controle fiscal aumentarem e não houver medidas para aumentar a arrecadação, a dívida pode atingir 95% do PIB nos próximos anos.
Mesmo com novas receitas, a dívida pode alcançar um pico de 88,5% do PIB.
Estudos anteriores do Tesouro indicam que uma dívida acima de 80% do PIB pode ser insustentável para o Brasil.
O crescimento da dívida está sendo puxado principalmente pelos gastos com juros. Cada ponto percentual de aumento na taxa Selic, mantida por um ano, aumenta a dívida em cerca de R$ 55,9 bilhões (0,44 ponto percentual do PIB). Atualmente, a Selic está em 15% ao ano.
A dívida líquida, que desconta os ativos do governo, também cresceu, atingindo 65,3% do PIB no final de 2025, equivalendo a R$ 8,3 trilhões, um aumento de 4 pontos percentuais no ano, o maior da série histórica do Banco Central desde 2001.
O setor público consolidado terminou 2025 com um déficit primário de R$ 55 bilhões (0,43% do PIB), um resultado um pouco melhor que o déficit de R$ 47,6 bilhões (0,4% do PIB) registrado em 2024.
Esse déficit inclui os resultados do governo central, dos governos estaduais e municipais, e das empresas públicas, exceto Petrobras e bancos públicos.
O governo central teve um déficit de R$ 58,7 bilhões, enquanto estados e municípios tiveram superávit de R$ 9,5 bilhões. As empresas públicas registraram déficit de R$ 5,87 bilhões, dos quais R$ 5,1 bilhões são de companhias federais.
O resultado do governo central indica que a meta fiscal estabelecida pelo ministro Fernando Haddad foi cumprida, graças a valores retirados da conta. A meta era alcançar saldo zero, com uma margem que permitia um déficit de até R$ 31 bilhões.
Estão fora da meta fiscal despesas como alguns gastos com sentenças judiciais, ações em saúde, educação e defesa nacional, e devoluções de descontos indevidos do INSS.
Em 2025, os gastos com juros ultrapassaram R$ 1 trilhão, correspondendo a 7,91% do PIB.
