SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A empresa de tecnologia C&M Software, que fornece serviços para instituições financeiras sem infraestrutura de conectividade, anunciou nesta quinta-feira (3) que seus serviços foram restabelecidos com permissão do Banco Central após ter sido alvo de um ataque cibernético que resultou no desvio de pelo menos R$ 1 bilhão, de acordo com o Grupo FS, principal empresa brasileira de segurança digital.
Em comunicado assinado pelo diretor comercial Kamal Zogheib, a C&M Software informou que recebeu autorização para retomar as operações do Pix, em um regime de controle rigoroso.
“Adotamos imediatamente todas as medidas previstas em nossos protocolos de segurança, reforçando controles internos, realizando auditorias independentes e mantendo comunicação direta com os clientes afetados”, declarou o diretor.
A invasão ocorreu na madrugada de segunda-feira (30), mas o Banco Central foi informado somente na terça (1º). A Polícia Federal abriu investigação na quarta (2) para apurar o incidente. Até o momento, o órgão não se manifestou publicamente.
O ataque desviou aproximadamente R$ 1 bilhão de recursos guardados no Banco Central, configurando o maior ataque hacker já registrado no Brasil, segundo o Grupo FS. Os fundos estavam em contas de clientes da C&M Software.
Fontes próximas ao caso revelaram que, do total desviado envolvendo oito instituições, cerca de R$ 500 milhões pertenciam a uma única cliente da empresa. A notícia sobre o desvio foi antecipada pelo Brazil Journal.
A C&M Software é responsável pela gestão da troca de informações entre instituições brasileiras ligadas ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), incluindo o ambiente do Pix. Entre seus clientes estão grandes instituições financeiras como Bradesco e XP, que afirmaram não terem sido afetadas pelo incidente.
O Banco Central informou que a prestadora comunicou o ataque à sua infraestrutura tecnológica, o que levou a autoridade monetária a ordenar a interrupção do acesso das instituições às infraestruturas gerenciadas pela C&M.
O sistema do Pix não foi comprometido e continua funcionando normalmente. Atualmente, a equipe técnica do Banco Central avalia os valores que puderam ser recuperados, estimando preliminarmente cerca de 2% do montante desviado. Ainda não há informações oficiais sobre a extensão total do desvio e quais clientes foram impactados.
