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domingo, 15/02/2026

Empresa do Rio Grande do Norte enviou remédios vencidos para posto de saúde

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Yuri Eiras
FolhaPress

Uma investigação conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU) e Polícia Federal (PF) revelou irregularidades na distribuição de medicamentos em municípios do Rio Grande do Norte. A suspeita é que houve manipulação intencional na entrega dos remédios, com falta de medicamentos em alguns postos e excesso em outros.

Há indícios de fraudes em contratos públicos, incluindo suspeitas de licitação fraudulenta e desvio de verba. Baseada em decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a CGU e a PF realizaram uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão, encontrando R$ 251.205 em dinheiro, parte guardada em isopores.

Em Serra do Mel, cidade com cerca de 13.091 habitantes, auditoria apontou que muitos produtos não eram entregues, enquanto outros eram enviados em quantidades maiores que o consumo normal. Além disso, medicamentos próximos do vencimento eram distribuídos.

Em 2024, foram encaminhadas mil unidades de succinato de metoprolol 100 mg, usado para tratar pressão alta e problemas cardíacos, com validade de apenas um dia, resultando na perda completa do remédio.

Outro exemplo foi a entrega de 600 comprimidos de prednisona 5 mg para um posto que usa em média 25 unidades por mês. Como já havia 586 em estoque, o total de remédios equivalia a dois anos de uso e expirou em um mês, sendo descartados 1.154 comprimidos.

A PF relaciona a possível fraude com o ex-vice-prefeito de Serra do Mel, José Moabe Soares (PSD), apontado como sócio de fato da empresa Dismed. Questionado, Moabe não respondeu, e a reportagem não conseguiu contato com a Dismed nem com a Drogaria Mais Saúde, outra empresa implicada.

Conversa de WhatsApp interceptada mostra o advogado de José Moabe informando sobre a auditoria da CGU, revelando falhas no controle de estoque.

A prefeitura de Serra do Mel afirmou que coopera com as autoridades e que as buscas não ocorreram em órgãos municipais.

Cinco prefeituras do estado, incluindo Mossoró – o segundo maior município com 264.577 habitantes – também estão sob investigação. Em Mossoró, a prefeitura pagou mais de R$ 13,5 milhões para Dismed entre 2021 e 2025. O sócio principal da empresa, Oseas Monthalggan, é próximo do prefeito Allyson Bezerra (União), que concorrerá ao governo do estado contra o grupo da atual governadora Fátima Bezerra (PT).

Em vídeo recente, Allyson Bezerra afirmou que a investigação tem motivações eleitorais e declarou colaboração com a PF após busca em sua residência.

Diálogo interceptado também sugere um esquema de propina envolvendo a prefeitura de Mossoró. Segundo o relato, parte dos pagamentos seria destinada a políticos, incluindo Allyson Bezerra e Fátima Bezerra.

O principal sócio da Dismed é suspeito de usar a conta bancária de seu filho menor para receber depósitos em parcelas, indício de tentativa de ocultar a origem dos recursos.

Além de Serra do Mel e Mossoró, as cidades de Paraú, São Miguel e José da Penha também são investigadas por suspeitas de desvio de recursos públicos.

As empresas investigadas dependem quase exclusivamente de contratos com o setor público e apresentam sinais de aumento suspeito de patrimônio, além de movimentações financeiras atípicas e relações com pessoas politicamente expostas.

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