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domingo, 31/08/2025

Eleitores de Lula e Bolsonaro mudam opinião sobre democracia, mostra estudo

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JÚLIA BARBON
FOLHAPRESS

Um estudo recente da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostra que os eleitores que escolheram Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) nas últimas eleições presidenciais têm opiniões flexíveis sobre a democracia, dependendo de quem está no governo.

Os pesquisadores do grupo de estudos de legitimidade democrática da universidade (INCT ReDem) explicam que democracia pode ser interpretada de várias formas e decidiram analisar esse tema considerando a polarização política.

O estudo usou seis perguntas de uma ampla pesquisa feita em parceria com o instituto Ipsos-Ipec em fevereiro, que entrevistou 1.504 brasileiros, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

Mais de 60% dos eleitores de Lula e Bolsonaro no primeiro turno concordam que o presidente deve ignorar o Congresso Nacional quando ele atrapalhar o governo e também decisões judiciais consideradas tendenciosas politicamente.

Os pesquisadores Adriano Codato e Felipe Calabrez afirmam que os resultados mostram que o apoio à democracia é mais situacional que ideológico, indicando um “autoritarismo situacional”.

Eles ficaram surpresos ao ver que as diferenças entre os dois grupos de eleitores foram menores do que o esperado e que os apoiadores de Lula tendem a aceitar mais a concentração de poder presidencial do que os de Bolsonaro.

Codato afirma que não há uma divisão clara de valores opostos, mas uma preferência pelo presidente em si, em vez de pelos valores democráticos. Quando o presidente escolhido fica em dificuldade, seus eleitores preferem que ele concentre mais poder.

A concordância de que o Congresso pode ser ignorado quando atrapalha o governo é de 46% entre os apoiadores de Bolsonaro e 56% entre os de Lula. Já sobre descumprir decisões judiciais consideradas tendenciosas, 49% dos eleitores de Lula e 42% dos de Bolsonaro concordam.

Por outro lado, 7 em cada 10 entrevistados defendem o controle judicial sobre o Executivo, afirmando que tribunais devem impedir que o governo ultrapasse seus limites legais.

O estudo destaca a contradição da opinião pública: a maioria defende a democracia em geral, mas pode flexibilizar seus princípios em situações específicas.

Isso também aparece na tensão entre proteger minorias e dar poder à maioria. Enquanto 83% acham importante proteger minorias, 47% consideram importante que a maioria prevaleça mesmo restringindo direitos dessas minorias.

Os pesquisadores alertam que essa flexibilidade pode ser perigosa. Se os governantes perceberem que seus eleitores aceitam flexibilizar normas democráticas para garantir a eficácia ou a “vontade popular”, podem pressionar os limites constitucionais.

Esse comportamento, aliado ao “autoritarismo situacional”, pode causar uma erosão da democracia, como explicado no livro “Como as Democracias Morrem” (2018), por dois professores de Harvard.

Os autores ressaltam que os dados refletem o momento após as eleições de 2022 e recomendam acompanhar como essas opiniões evoluem com o cenário político e realizar entrevistas para aprofundar os resultados.

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