Neste domingo (30/11), os eleitores de Honduras vão às urnas para escolher representantes nas eleições presidenciais, legislativas e municipais. Mais de seis milhões de habitantes deste pequeno país da América Central, marcado pelo narcotráfico e corrupção, irão eleger um novo presidente, 128 deputados e cerca de 300 prefeitos.
A esquerda hondurenha, que chegou ao poder há quatro anos com Xiomara Castro, busca um segundo mandato com a candidata Rixi Moncada, do partido Liberdade e Refundação (Libre). Seus adversários são os dois principais partidos conservadores do país: o Partido Liberal (PL), representado por Salvador Nasralla, e o Partido Nacional (PN), pelo candidato Nasry Asfura. As pesquisas indicam um empate técnico entre os três.
Contexto de tensão
Desde 2022, Honduras está sob estado de emergência permanente para conter o avanço das gangues e do tráfico de drogas. Muitas regiões continuam sob forte influência dessas organizações criminosas, chamadas “maras”, que frequentemente têm mais poder que o Estado. O governo de Xiomara Castro prometeu combater esse cenário, mas sua imagem foi abalada após a divulgação de um vídeo mostrando Carlos Zelaya, irmão do ex-presidente Manuel Zelaya e marido de Xiomara, em companhia de narcotraficantes oferecendo recursos para a campanha de 2013.
Desconfiança e fragilidade institucional
As suspeitas de fraude e a fragilidade das instituições eleitorais hondurenhas aumentam a desconfiança da população. As eleições primárias anteriores sofreram atrasos na entrega das urnas, abertura tardia dos locais de votação e acusações de irregularidades. O Conselho Nacional Eleitoral é controlado pelos principais partidos, tornando-se um espaço de disputa política, o que compromete sua imparcialidade.
A Human Rights Watch expressou preocupação com a situação, destacando tensões na instituição eleitoral, ações agressivas do Ministério Público e forças armadas, e alegações de sabotagem que ameaçam o direito dos hondurenhos de participar de eleições livres e justas.
Histórico político e desafios econômicos
Honduras ainda enfrenta as consequências do golpe de Estado de 2009, que derrubou o presidente Manuel Zelaya. O país vive uma crise política constante, com instituições frágeis e uma população cansada das elites políticas e econômicas. Atualmente, dois terços dos hondurenhos vivem abaixo da linha da pobreza. A prioridade dos cidadãos é a criação de empregos, seguida por melhorias na educação, saúde e na economia. No entanto, essas demandas não são foco principal das campanhas presidenciais, que se concentram em acusações de fraude.
Migração e influência internacional
Muitos hondurenhos continuam migrando para os Estados Unidos em busca de melhores condições. As remessas dos migrantes correspondem a quase um quarto do PIB do país. A relação entre Honduras e os Estados Unidos é crucial nas eleições, especialmente após ações recentes como a deportação de hondurenhos e ameaças de fechamento de bases militares norte-americanas pelo governo hondurenho.
Possíveis cenários pós-eleitorais
A aceitação dos resultados eleitorais é uma das grandes preocupações. Em 2017, uma eleição controversa gerou protestos violentos. Desta vez, uma vitória clara pode evitar disputas, mas uma eleição apertada poderá reacender acusações de fraude. A reação das forças armadas e dos grupos empresariais será decisiva para determinar se ocorrerá uma crise após a votação.
