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Brasil

Eleição no Brasil é vista como teste para onda conservadora na América Latina

NELSON ALMEIDA / AFP

As eleições presidenciais no Brasil, que acontecem neste domingo, 25, têm ganhado atenção da imprensa internacional. Veículos jornalísticos de vários países acompanham a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) como um indicativo de possível mudança política, podendo indicar uma influência crescente do conservadorismo na América Latina e um novo posicionamento brasileiro no cenário mundial.

O jornal argentino La Nación aponta que, caso Flávio Bolsonaro, que liderou o primeiro turno e permanece à frente nas pesquisas, vença, isso confirmaria o que alguns líderes chamam de uma onda conservadora na região. A publicação questiona se Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe, continuará essa tendência duradoura ou se trata apenas de uma oscilação temporária na política latino-americana.

O desgaste do presidente Lula após três mandatos é citado como fator decisivo para que Flávio Bolsonaro tenha sido o mais votado no primeiro turno. O jornal destaca que a base fiel dos Bolsonaro não seria suficiente para vencer se não fossem vistos como alternativa ao atual governo, que argumenta que apenas ele pode garantir a democracia e a soberania brasileira.

Outro jornal, o Clarín, observa que a disputa não é simplesmente entre esquerda e direita, mas sobre as capacidades dos candidatos. Enquanto Lula tem uma trajetória com três mandatos e experiência administrativa, Flávio Bolsonaro busca destaque no campo social.

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O Clarín enfatiza que as questões sociais têm peso importante nesta fase final da eleição, citando políticas como o reajuste do Bolsa Família e a alteração na escala de trabalho como fatores que ajudaram a recuperar apoio ao governo.

O francês Le Monde considera esta eleição a mais importante do ano, comparável às eleições de meio mandato nos Estados Unidos. Segundo o jornal, os eleitores escolhem entre visões opostas, cujos efeitos ultrapassarão as fronteiras brasileiras.

Le Monde avalia que Lula representa progresso social, proteção ambiental e defesa das instituições democráticas, enquanto Flávio Bolsonaro apoia uma política de segurança rígida, liberalismo econômico e alinhamento com o governo de Donald Trump. Uma vitória de Flávio poderia colocar a maior parte da América do Sul sob influência dos Estados Unidos, à exceção do Uruguai.

O americano The New York Times destaca o histórico controverso dos Estados Unidos em interferir em eleições estrangeiras. O jornal observa que embora o governo americano tenha evitado intervir em campanhas recentes, o ex-presidente Donald Trump pode estar revertendo essa postura, inclusive nas eleições brasileiras, apoiando informalmente Flávio Bolsonaro.

The New York Times considera essa intromissão prejudicial à democracia tanto brasileira quanto aos interesses americanos, ressaltando que tal interferência demonstra uma falta de respeito com os brasileiros, que devem decidir seu futuro político sem influências externas.

A rede Al Jazeera, do Catar, nota que países da América Latina têm estreitado relações com Israel. Uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia aproximar ainda mais o Brasil desse movimento, já que o senador demonstra apoio a Israel e mantém relação próxima com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Especialistas afirmam que existe uma convergência entre líderes conservadores da região, que buscam o apoio dos Estados Unidos e bases evangélicas, além de maior atuação diplomática israelense na América Latina.

Essa eleição demonstra a importância do Brasil no contexto político regional e global, com decisões que podem influenciar o futuro da América Latina.

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