A guerra no Oriente Médio elevou a preocupação do governo federal com a inflação para este ano. Além disso, um fenômeno climático, o El Niño, pode agravar ainda mais esse cenário.
A Agência Climática dos Estados Unidos (Noaa/CPC) sinaliza um aumento na probabilidade do El Niño ocorrer em 2026, o que pode causar impactos especialmente nos preços da energia e dos alimentos.
De acordo com a Noaa, espera-se uma transição de La Niña para um padrão neutro em breve, com 55% de chance de que esse padrão dure até o meio do ano. Entre junho e agosto, há 62% de probabilidade de surgimento do El Niño, que deve permanecer até o final do ano.
Esse fenômeno pode afetar a geração de energia hidrelétrica, pois diminui as chuvas e reduz o volume dos reservatórios. Para suprir a demanda, o sistema pode recorrer a fontes mais caras, elevando o custo da conta de luz.
Paulo Picchetti, diretor de Política Econômica do Banco Central, afirmou que o Relatório de Política Monetária já considera os impactos potenciais do El Niño na inflação.
Segundo o relatório, a tarifação das bandeiras para energia elétrica deve variar ao longo do ano, incluindo períodos com bandeira vermelha, que indicam custos maiores na geração de energia.
Tarifas de energia
- Bandeira verde: condições favoráveis, sem acréscimo na tarifa.
- Bandeira amarela: custos moderados, com acréscimo na tarifa de R$ 0,01885 por kWh consumido.
- Bandeira vermelha – Patamar 1: custos elevados, acréscimo de R$ 0,04463 por kWh.
- Bandeira vermelha – Patamar 2: custos ainda maiores, acréscimo de R$ 0,07877 por kWh.
Inflação dos alimentos
Robson Gonçalves, professor da FGV, destaca que os preços dos alimentos estão recuando, mas existe a preocupação de que problemas climáticos, somados à falta de fertilizantes devido à guerra, possam causar alta nos preços ainda no segundo semestre.
Indicadores recentes mostram que várias instituições revisaram as projeções de inflação para cima, devido à combinação da guerra e dos efeitos climáticos.
Por exemplo, o Banco Daycoval ajustou sua projeção de 3,8% para 4,2% em 2026, considerando esses fatores adversos.
Recentemente, o Banco Central elevou a previsão da inflação para 2026 de 3,5% para 3,9%, e o mercado já trabalha com estimativas em torno de 4,36% para o próximo ano.
Em 2024, o grupo de alimentação e bebidas teve um dos maiores aumentos, de 7,69%. No ano anterior, a alta foi de 2,95%. As taxas gerais de inflação foram 4,83% em 2024 e 4,26% em 2023.

