Nos últimos meses, várias situações envolvendo docentes da rede pública do Distrito Federal foram alvo de investigações pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), além de afastamentos promovidos pela Secretaria de Estado de Educação do DF (SEEDF). Atualmente, a corregedoria da secretaria conduz 3.997 procedimentos para apurar possíveis irregularidades cometidas por esses servidores.
Um dos episódios recentes envolve Thallyta Silva Almeida, de 29 anos, professora temporária da Escola Classe 308 Sul, que foi detida em 25 de junho sob suspeita de furtar cartões de crédito de colegas para realizar compras pela internet. Ela, que já teve prisão por estelionato em 2024, agora enfrenta acusação de furto mediante fraude, tendo sido liberada após pagamento de fiança de R$ 3 mil.
Além dela, outros educadores estão sob investigação. Em 28 de abril, uma professora temporária foi afastada depois da mãe de uma menina de 4 anos denunciar agressões na escola pública do Riacho Fundo 2, onde a criança apareceu em casa com hematomas e afirmou que a docente teria puxado seu pescoço. O caso está sendo investigado pela 29ª Delegacia de Polícia (Riacho Fundo).
No Gama, em 15 de abril, um pai denunciou à 14ª DP (Gama) um professor de inglês por assédio sexual, apontado como crime de aliciamento de menor com fins libidinosos.
Outro incidente de grande gravidade ocorreu em 24 de março no CED 4 do Guará, onde um professor de geografia do 6º ano foi retirado das funções após ser acusado de incitação ao crime e discriminação racial, em denúncia feita pela família de uma aluna negra de 14 anos.
Em janeiro, pais de gêmeos autistas relataram maus-tratos na Escola Classe Morro da Cruz, em São Sebastião. Eles colocaram um gravador nas mochilas dos filhos e encontraram registros de gritos e palavras ofensivas ditas pela professora. A Polícia Civil também está investigando essa situação.
A SEEDF revelou que todos os casos mencionados estão sob acompanhamento rigoroso, com afastamento dos profissionais envolvidos para garantir o andamento das investigações sem afetar a comunidade escolar.
Entre janeiro e junho de 2025, a SEEDF enviou cinco processos administrativos com proposta de demissão à Controladoria-Geral do DF (CGDF), responsável por avaliar e julgar essas penalidades. Até agora, nenhuma demissão foi formalizada neste ano.
No mesmo período em 2024, houve a demissão de um servidor e o encaminhamento de 12 processos administrativos com recomendação de demissão à CGDF.
A secretaria destaca que todas as investigações seguem critérios de legalidade, impessoalidade e eficiência, fundamentados na Lei Complementar nº 840/2011, que regulamenta os servidores públicos civis do Distrito Federal. Somente após o término das apurações é possível avaliar se há base para abertura de processo disciplinar com indicação de demissão, assegurando o direito de defesa dos servidores envolvidos.
