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quinta-feira, 26/03/2026

Economia do Brasil deve crescer pouco no final de 2025 e subir mais de 2% no ano

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Em Brasília

LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil vai crescer muito pouco no último trimestre de 2025 e deve ter um aumento maior que 2% no total do ano anterior.

Essa é a previsão dos economistas para os números que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vai divulgar nesta terça-feira (3), às 9h.

A previsão média feita pela agência Bloomberg indica um crescimento de 0,1% no quarto trimestre em comparação com o terceiro. Se essa expectativa se confirmar e os dados anteriores não forem alterados, o PIB manterá o mesmo crescimento registrado entre julho e setembro (0,1%).

No acumulado do ano, a previsão média aponta um aumento de 2,3%. Assim, o PIB completará cinco anos seguidos de crescimento no país, mas em um ritmo mais lento do que nos quatro anos anteriores, quando a economia cresceu 3% ou mais a cada ano. Em 2024, o crescimento foi de 3,4%, segundo o IBGE.

Essa desaceleração é considerada leve pelos especialistas e está ligada às ações do Banco Central para controlar a inflação.

Em setembro de 2024, o Banco Central começou a aumentar a taxa básica de juros, a Selic, que chegou a 15% ao ano em junho de 2025 e permaneceu nesse nível desde então.

A taxa Selic alta encarece empréstimos e tende a reduzir a demanda por bens e serviços com o tempo, ajudando a diminuir a pressão sobre os preços.

Os especialistas dizem que a maior parte do crescimento do PIB em 2025 ocorreu no começo do ano, impulsionada pela safra recorde de grãos.

O desempenho da indústria extrativa e a recuperação do mercado de trabalho também contribuíram para o crescimento, enquanto os juros altos dificultaram o consumo e os investimentos produtivos.

Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, destaca que as commodities não sustentam o crescimento sozinhas. “O país estava crescendo 3% ao ano e desacelerou porque o resto da economia desacelerou”, explicou.

Ele projeta uma queda de 0,2% para o PIB no último trimestre em relação ao anterior e um crescimento de 2,2% no ano. Para 2026, a expectativa é de crescimento de 1,8%, indicando nova desaceleração.

Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, prevê que o PIB crescerá 0,4% no quarto trimestre de 2025 em comparação ao terceiro e 2,3% no ano. Para 2026, espera alta de 1,7%.

Sartori ressalta que a agropecuária foi o principal motor do crescimento em 2025 e que o Brasil deve ter mais uma boa safra em 2026, embora menor que a anterior. Ele também destaca o impacto dos juros altos, que continuarão a limitar o crescimento.

Possíveis efeitos da guerra no Irã

A divulgação dos dados do PIB acontece em um momento de incerteza na economia mundial devido à guerra no Irã. O conflito tem elevado o preço do petróleo, o que pode aumentar a inflação no Brasil caso dure por mais tempo, segundo Sartori.

Ele explicou que o aumento no preço do petróleo eleva o custo do transporte, que acaba sendo repassado para os preços dos produtos.

Sergio Vale complementa que o Brasil pode aumentar suas exportações de petróleo, mas a guerra pode pressionar a inflação se continuar por muito tempo.

Além disso, o conflito pode influenciar o ritmo de queda da taxa Selic esperado para 2025. O Banco Central deve se reunir em março para decidir a taxa de juros, e o mercado espera uma redução, embora ainda haja dúvidas sobre a intensidade.

Nova fase de turbulência no IBGE

A divulgação do PIB ocorre em meio a uma crise interna no IBGE, presidido pelo economista Marcio Pochmann.

O problema começou com a saída da pesquisadora Rebeca Palis do cargo de coordenadora do departamento responsável pelo cálculo do PIB.

A decisão, comunicada em 19 de janeiro, surpreendeu a equipe técnica, levando ao pedido de demissão de outros três gerentes da mesma área, em apoio a Rebeca.

Ricardo Montes de Moraes foi escolhido para substituir Rebeca. A gestão do IBGE informou que a transição será feita de forma dialogada, mas não detalhou quem apresentará os dados divulgados nesta terça.

A reportagem da Folha de S. Paulo entrou em contato com o IBGE para esclarecer o assunto, mas não obteve resposta até a publicação.

Normalmente, os técnicos do IBGE explicam os resultados das pesquisas em entrevistas à imprensa, função que era coordenada por Rebeca.

A troca gerou repercussão porque a equipe liderada por Rebeca estava conduzindo uma revisão importante nas contas nacionais, para atualizar os dados e refletir mudanças na economia, como transformações digitais e questões ambientais.

O sindicato dos servidores do IBGE chegou a classificar o episódio como uma “caça às bruxas”, ressaltando que Rebeca tinha assinado críticas à gestão do instituto anteriormente.

Marcio Pochmann defendeu sua gestão nas redes sociais, afirmando que o IBGE está em bom caminho e acusando algumas fontes de divulgar mentiras.

A crise começou no segundo semestre de 2024, quando o sindicato e os técnicos se opuseram a alguns projetos da direção, inclusive o lançamento da fundação IBGE+, que permitiria pesquisas para o setor privado.

A fundação foi suspensa em janeiro de 2025 e está sendo extinta após decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).

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