Dario Durigan, ministro da Fazenda, preferiu não comentar diretamente a atuação de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), mesmo após críticas feitas por membros do governo e do PT. Ele ressaltou que o BC tem sua independência para tomar decisões, mas destacou que a Fazenda está apresentando propostas focadas em ajustes fiscais, como reforma tributária, revisão do Perse e corte de 10% nos benefícios fiscais. Essas colocações foram feitas em entrevista à Folha de S. Paulo.
O Planalto e o PT têm pressionado Galípolo após seu depoimento na CPI do Crime Organizado, em que negou envolvimento de seu predecessor, Roberto Campos Neto, no caso Master. Isso vai contra a tentativa do governo de vincular o escândalo à gestão do ex-presidente Bolsonaro. O presidente Lula chegou a chamar o caso Master de “ovo da serpente” relacionado à administração passada.
Durigan manteve-se técnico, afirmando que a situação fiscal não é motivo para que o BC restrinja suas ações e prometeu cautela para evitar repetir os problemas enfrentados em 2022. Ele garantiu que o governo não deixará pendências financeiras que comprometam futuras gestões e que temas delicados como precatórios e Fundeb não serão deixados para o próximo governo.
Sobre indicações pendentes na diretoria do BC, o ministro disse que não teve oportunidade de discutir o assunto com Lula.
Quanto ao BRB, Durigan afirmou que não haverá auxílio financeiro do governo federal, destacando que a responsabilidade pelo banco é do governo do Distrito Federal, principal acionista. Embora bancos públicos e privados possam considerar compra de ativos, o governo federal não intervirá diretamente.
O BRB enfrenta uma crise de liquidez e está negociando a venda de ativos que pertenciam ao Banco Master por R$ 15 bilhões, além de buscar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e outras instituições para cobrir deficiências financeiras deixadas pela gestão anterior.

