Dois dos principais líderes de um esquema milionário de lavagem de dinheiro envolvendo medicamentos para tratamento do câncer foram identificados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como Alécio Soares Silva e Danilo Gonçalves de Souza. Ambos estão foragidos após investigações da Operação Alto Custo, que investiga organização criminosa.
As investigações indicam que cerca de R$ 22 milhões foram movimentados em um ano, principalmente em Goiânia (GO), além de cidades próximas ao Distrito Federal, como Valparaíso de Goiás e Novo Gama. O esquema consiste em um sistema estruturado onde empresas de fachada emitem notas fiscais frias para legalizar medicamentos roubados de alto valor, especialmente usados no tratamento do câncer.
Detalhes da operação
- Entre os principais medicamentos desviados estavam remédios oncológicos que podem custar até R$ 80 mil por caixa, como Imbruvica, Venclexta e Tagrisso.
- Esses medicamentos eram frequentemente desviados e reinseridos ilegalmente no mercado, devido ao alto valor e à alta demanda.
- Durante a Operação Alto Custo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, além de cinco prisões preventivas.
- A ação contou com o apoio da Divisão de Operações Especiais da PCDF, Polícia Civil de Goiás e Anvisa.
Esquema interno e riscos
As investigações revelaram que 13 funcionários de uma empresa farmacêutica participaram do desvio dos medicamentos diretamente do estoque, utilizando métodos para evitar suspeitas. Todos os envolvidos foram indiciados, inclusive os líderes do grupo presos durante a operação.
Além disso, muitos medicamentos foram armazenados de forma inadequada, sem a refrigeração necessária para manter sua eficácia. Isso fez com que perdessem seu efeito terapêutico, tornando-os ineficazes ou até perigosos para a saúde dos pacientes.
Segundo a polícia, o prejuízo causado vai além do financeiro. O desvio desses medicamentos compromete o tratamento de pacientes que deles dependem para sobreviver, agravando a gravidade desse tipo de crime.
Informações sobre o paradeiro da dupla podem ser passadas anonimamente pelo Disque-Denúncia da Polícia Civil, pelo número 197.
