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Drauzio Varella: “A corrida é um antidepressivo poderoso”

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Certo dia, o médico paulistano Drauzio Varella cruzou com um conhecido de colégio que não via havia muito tempo. Daquela conversa arrastada, um comentário do amigo o marcou: “Ano que vem, 50 – idade em que tem início a decadência do homem”. Drauzio, que completaria meio século de vida no ano seguinte, ficou intrigado. Afinal, sentia-se bem, corria ocasionalmente e estava sem fumar fazia 13 anos. E, principalmente, ainda tinha muitos projetos e desejos a realizar. Resolveu, então, propor um desafio a si mesmo: correria a Maratona de Nova York dali a um ano. E começou a treinar. Hoje, aos 72, o médico é um maratonista com currículo invejável e já viajou o mundo atrás de provas de 42 quilômetros: esteve nas de Buenos Aires (Argentina), Boston e Chicago (Estados Unidos), Berlim (Alemanha) e Tóquio (Japão), entre outras. Autor de livros como Estação Carandiru, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Não Ficção, acaba de lançar Correr (Companhia das Letras, 29,90 reais), em que oferece informações médicas sobre a corrida e relata sua experiência com a atividade. Com franqueza, no livro admite que não é nada fácil deixar a preguiça de lado para praticar esportes e reafirma a necessidade de uma mudança de hábitos para que possamos desfrutar bem a vida e envelhecer com saúde. “Envelhecimento não tem que ser igual a doença. Um dia todos vamos ficar doentes e morrer, mas isso não precisa acontecer aos 40 anos, nem aos 50”, diz. Equilibrando na agenda as obrigações como médico, escritor, voluntário em presídio, pesquisador, celebridade na TV e, claro, maratonista, Drauzio arrumou um tempo para conceder esta entrevista exclusiva a CLAUDIA, que aconteceu em um sábado, às 8h30 da manhã.

O senhor já correu hoje?

Não. Machuquei o pé na maratona de Boston, em abril. Não posso correr ainda por mais algumas semanas, mas enquanto isso subo os 14 andares da escadaria do meu prédio até o meu apartamento.

Isso não faz mal aos joelhos?

Subo pela escada e desço pelo elevador justamente para não forçá-los. Depois, subo de novo. É um exercício maravilhoso.

Os joelhos são um alvo fácil quando ouvimos críticas à prática de corrida. Correr realmente os destrói?

Isso é um mito. Se você está obeso, não faz exercício há anos e se põe a correr, é lógico que vai fazer mal. Geralmente são essas pessoas que têm os maiores problemas com a prática – inclusive nos joelhos. Pesquisas mostram que as cirurgias nessa parte do corpo e nos quadris são muito mais comuns em quem anda do que em corredores. E isso acontece por várias razões. Uma delas é que, embora na corrida cada passada aumente o peso do corpo em duas a três vezes, você fica com o pé muito menos tempo no chão, então o impacto dura pouco. Além disso, esse movimento de estica e volta acaba por fortalecer as articulações. É parecido com o que acontece com o músculo que, conforme contrai e descontrai, cresce e fica mais forte.

Uma pessoa que está acima do peso precisa emagrecer antes de começar a correr?

Depende muito de quanto acima do peso ela está. Com poucos quilos a mais, ela pode começar devagar, tomando cuidado. O problema é quando ela está completamente despreparada e sai correndo de uma vez. Eu sempre recomendo o bom senso para os pacientes. Todo mundo pode correr, depende de como faz isso. Uma estratégia inteligente é começar andando e ir testando: correr 100 metros e continuar na caminhada; quando se sentir melhor, corre mais 200, e assim vai.

Pesquisas mostram que no treinamento para as maratonas os corredores têm melhoras na saúde, mas que os riscos de morte aumentam durante a prova, quando o atleta força demais o corpo. Concorda que participar desse tipo de competição pode fazer o atleta perder a noção do limite?

É muito pequeno o número de mortes em maratonas. Mas é verdade que você perde um pouco a noção. O Vanderlei Cordeiro de Lima, aquele atleta brasileiro que foi agarrado na Maratona de Atenas, diz que nós, maratonistas, temos maior resistência à dor que as outras pessoas. É verdade. Normalmente, quando sente uma dor você para, toma cuidado. Já no calor da maratona é muito difícil parar porque você fica naquele ânimo. E foi até lá pra correr, não para andar.

Participar de maratonas é saudável?

Do ponto de vista da saúde, não há nenhuma necessidade de correr 42 quilômetros. É uma onda em que alguns entram. No meu caso, não faço isso porque acho que é ótimo. Nem sei se é tão bom assim para o corpo. Eu faço porque me impõe a disciplina de treinar. Trabalho muito e, se não tenho a obrigação de acordar e correr essa distância toda, fica difícil levantar às 5 horas da manhã, vestir um calção e sair correndo. Isso não é natural do homem.

O CORPO HUMANO NÃO FOI FEITO PARA FICAR PARADO. A EVOLUÇÃO NOS PREPAROU PARA O MOVIMENTO.

Assim como não é natural desperdiçar energia.

Sim. Por isso que é muito duro conseguir praticar uma atividade física regular. Você imagina um homem das cavernas levantando de manhã para sair correndo à toa? Só se fosse para ir atrás de caça, fugir de um predador. Caso contrário, ele ficava parado, quieto, economizando energia. Não havia alimentos suficientes disponíveis para manter um corpo com esse gasto energético inútil.

O senhor escreve que corre na rua, no centro de São Paulo. Perde quem treina em academia?

Quem corre em esteira está fazendo um exercício excelente da mesma forma. Eu gosto de andar na rua. Nasci no Brás (região central de São Paulo), fui criado correndo pelo bairro. Esse é o momento do dia em que eu tenho silêncio. Não uso fone de ouvido durante a prática. Na academia, a música fica tocando alto. Para mim, não é legal, não me descansa. Mas tem gente que está acostumado. Exercício você tem que fazer do jeito que dá, que consegue e que gosta – porque, se já é difícil manter a disciplina e fazer com regularidade gostando, imagine sem gostar.

E o corpo não vai lhe pedir para levantar da cama, não é mesmo?

Pelo contrário. Temos mil razões para ter uma vida sedentária, e é por isso que a maioria da população não pratica esportes. Mas não dá para aceitar isso. A vida sedentária faz muito mal, não fomos feitos para ficar parados. O corpo humano é como uma máquina que foi desenhada para o movimento. Do contrário, você vai lamentar.

Muitos adultos têm problemas de saúde que poderiam ser evitados com a prática de esportes?

Sim. As pessoas são sedentárias, engordam, têm pressão alta. Metade dos brasileiros acima dos 50 anos é hipertensa, precisa de remédio para controlar a pressão. O número de diabéticos aumenta sem parar, é assustador. A vida vai ficando complicada. O ser humano até 25, 30 anos vai bem. Mas, se quer ter uma vida plena, precisa de mais cuidado. A natureza não planejou o homem para viver o tanto que nós vivemos hoje em dia. As pessoas morriam com 20 ou 30 anos, isso era o normal. Queremos durar o máximo possível sem investir nada, achando que o corpo é um presente de Deus e que podemos usar e abusar dele do jeito que acharmos melhor. Não é verdade.

O que mudou na sua vida depois que começou a correr?

Em primeiro lugar, ganhei mais disciplina. Quando comecei a treinar para maratonas, tive que estabelecer uma rotina. Do contrário, não conseguiria acordar cedo para me exercitar. Depois, o fato de propor e alcançar uma meta difícil, seja ela qual for, traz uma sensação de autoconfiança muito grande.

A CORRIDA É UM ANTIDEPRESSIVO PODEROSO. TRAZ A SENSAÇÃO DE QUE VOCÊ É CAPAZ DE RESOLVER QUALQUER COISA.

O senhor virou maratonista aos 50 anos, quando muita gente já está desacelerando. Faz diferença?

Comecei atrasado (risos). Mas isso me deu um entendimento mais claro do processo de envelhecimento. Ensinou-me a não levar em conta a idade cronológica. E isso vale não só para a corrida mas para outros desafios na vida também. Quando me proponho um trabalho ou uma tarefa, avalio se tenho condição física de realizá-los, se tenho disposição e se aquilo me interessa. Jamais penso se estou velho demais. Nossa tendência é considerar que por causa da passagem dos anos perdemos a condição de fazer certas coisas. E isso independe da idade: há quem tenha essa sensação aos 80, outros aos 40 anos. Assim, parece que a fase mais produtiva da vida, justamente quando você podia aceitar mais desafios, já passou.

O senhor pensa em parar de correr?

Não. Mas sei que uma hora vai ser impossível continuar. Acho que, enquanto eu tiver força, condições, disciplina e saúde, vou correr porque virou uma coisa muito importante para mim. Não só por saber que cheguei a essa idade sem tomar um remédio, com a saúde ótima, mas também do ponto de vista psicológico. Sou muito agitado e ansioso, quero fazer tudo logo e, quando fico uns dias sem treinar, pioro. A corrida é um antidepressivo poderoso. O corpo libera substâncias químicas que agem no sistema nervoso central e, além do prazer, provocam aquele relaxamento típico do exercício. Você toma um banho e sai com a sensação de que é capaz de resolver qualquer problema. Dá uma autoconfiança muito grande. No dia em que eu não puder fazer isso, vou sentir muita falta.

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Saúde

Saúde aplica testes de covid-19 em moradores de Ceilândia sorteados

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Ação se iniciou nesta quarta-feira (2/12) como forma de prevenção à segunda onda da pandemia no DF e será realizada em 230 pessoas sorteadas de 34 Regiões Administrativas

Secretário de Saúde Osnei Okumoto faz visita em casa de moradores – (crédito: Alan Rios).

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal deu início, nesta quarta-feira (2/12), ao inquérito epidemiológico da covid-19, que aplica testes em moradores da capital sorteados pela pasta. A ação começou em Ceilândia e passará por todas as regiões até 20 de dezembro.

“O sorteio foi realizado de acordo com endereços que têm IPTU. Foi uma orientação da Secretaria de Economia, que falou que era mais fidedigno a gente pegar os IPTUs das residências e fazer o sorteio, tudo em um sistema bem estabelecido metodologicamente. Será testada uma pessoa por residência, de mais de 18 anos de idade. Caso a pessoa da família não aceite fazer, vamos procurar outra pessoa da família ou a casa vizinha”, esclareceu o secretário de Saúde, Osnei Okumoto.

Ao todo, serão sorteadas 230 pessoas de cada uma das 34 Regiões Administrativas do DF para participar dos testes. O objetivo do inquérito é rastrear quem carrega o novo coronavírus, para promover isolamento imediato, e quem já tem anticorpos para a doença.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio-DF) realizou a doação de 10 mil testes sorológicos para a investigação epidemiológica. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) covid-19, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o DF é a unidade da Federação com o maior percentual de testes realizados, com 23,9% da população testada.

Porém, os moradores da capital de baixa de renda não tiveram o mesmo acesso aos exames de detecção. Enquanto 38,6% da população que recebe quatro ou mais salários mínimos foi testada, apenas 14,2% dos que recebem menos de meio salário mínimo realizou algum tipo de teste covid-19.

Taxa de transmissão

O anúncio do inquérito epidemiológico surgiu após a Secretaria de Saúde perceber um aumento preocupante da taxa de transmissão da covid-19. A taxa mostra, em média, para quantas pessoas um contaminado geralmente transmite a doença.

Especialistas apontam que uma taxa maior que 1 significa uma crescente do vírus. Atualmente, o DF tem transmissão de 1,3. Ou seja, cada 100 infectados passam o vírus para mais 130 pessoas. O Correio levantou que a última vez que a capital teve uma taxa de 1,3 foi em 8 de junho, durante o pico da pandemia.

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Saúde

Dia Mundial de Luta contra a Aids: Rodoviária de Brasília recebe exposição ‘Indetectável’

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Mostra fica no hall da estação Central do Metrô, até sexta-feira (4). São fotos, relatos e histórias de 13 pessoas que estão com vírus HIV indetectável no organismo.

Dia Mundial de Luta contra a Aids; símbolo da campanha de conscientização — Foto: Divulgação

A Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília recebe, nesta terça-feira (1º), a partir das 8h, a exposição “Indetectável – o efeito de estar indetectável em cada uma dessas vidas é detectável: basta olhar nos olhos delas para ver”. A ação ocorre no Dia Mundial de Luta contra Aids, celebrado com o objetivo de conscientizar sobre as medidas preventivas e o tratamento da doença.

A mostra ficará no hall da estação Central do Metrô, até a próxima sexta-feira (4). A ação abre a campanha Dezembro Vermelho no DF. Quem passar pelo local verá fotos, relatos e histórias de 13 pessoas que estão com vírus HIV indetectável no organismo.

De acordo com o Governo do DF, são registros sensíveis, partilhados voluntariamente, que contam sobre o tratamento da doença e a luta contra o estigma, medos e angústias, as conquistas e motivações.

O Núcleo de Testagem e Aconselhamento (NTA) também vai distribuir autotestes de HIV, preservativos e dar orientações sobre prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Para evitar aglomeração, os testes distribuídos, não vão ser realizados no local.

A ação é uma parceria da Secretaria de Saúde com a Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) e o Ministério da Saúde.

O que é estar indetectável?

Segundo a Secretaria de Saúde, estar indetectável significa estar com a doença controlada, sem sinal de adoecimento e sem transmissão do vírus através do sexo. Isso é possível, graças ao uso regular de medicamentos antirretrovirais, o que permite a recuperação do sistema imunológico.

Outras ações

Núcleo de Testagem e Aconselhamento da Rodoviária do Plano Piloto realiza testes de sangue para detectar HIV, sífilis, hepatites B e C e outras infecções sexualmente transmissíveis — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

Núcleo de Testagem e Aconselhamento da Rodoviária do Plano Piloto realiza testes de sangue para detectar HIV, sífilis, hepatites B e C e outras infecções sexualmente transmissíveis — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde.

Durante o Dia Mundial da Luta Contra a Aids, trabalhadores e frequentadores da Feira Permanente do Riacho Fundo I vão receber orientações sobre prevenção, assistência e proteção contra o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. Uma equipe de Saúde da Família da UBS 1 será responsável pelos trabalhos, das 10h às 14h.

“Os casos positivos detectados durante as ações receberão direcionamento para tratamento específico em um Serviço de Atendimento Especializado em HIV/Aids”, disse a Secretaria de Saúde.

Conforme o governo, nos Serviços de Atendimento Especializados (SAEs) são feitos outros exames complementares para averiguar a situação de saúde e o estágio da infecção. A partir disso, a rede pública estabelece o tratamento adequado com os antirretrovirais e outros medicamentos indicados, quando necessário (veja endereços dos SAEs abaixo).

Aids e HIV

 

Com 130 nanômetros, o HIV é cerca de 60 vezes menor que um glóbulo vermelho. Os avanços na microscopia crioeletrônica (à esquerda) e na modelagem molecular (à direita) tornaram possível ver o vírus em detalhes sem precedentes. Usando essas técnicas, a equipe visualizou cada um dos 240 minúsculos 'blocos' de proteína que se encaixam para formar a casca externa em forma de cone. — Foto: Owen Pornillos, Barbie Ganser-Pornillos

Com 130 nanômetros, o HIV é cerca de 60 vezes menor que um glóbulo vermelho. Os avanços na microscopia crioeletrônica (à esquerda) e na modelagem molecular (à direita) tornaram possível ver o vírus em detalhes sem precedentes. Usando essas técnicas, a equipe visualizou cada um dos 240 minúsculos ‘blocos’ de proteína que se encaixam para formar a casca externa em forma de cone. — Foto: Owen Pornillos, Barbie Ganser-Pornillos

A Aids é a manifestação sintomática do Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) e, portanto, só aparece quando ele não é controlado. O que ocorre é uma queda no sistema imunológico, que fica vulnerável a doenças oportunistas, como pneumonia e tuberculose.

Até os anos 1990, casos de infecção pelo vírus eram descobertos somente quando as pessoas já haviam atingido o estágio da Aids. Naquela época, o Brasil ainda estava em fase de descoberta do vírus e desenvolvia as primeiras formas de tratamento. Ataulmente, com a detecção precoce do HIV, o número de casos de Aids tende a ser cada vez menor.

Outro ponto importante é que a principal forma de transmissão do HIV é o sexo sem preservativo. Qualquer relação sexual desprotegida, seja homossexual ou heterossexual, está suscetível à contaminação pelo vírus.

Outra forma de infecção é o contato com o sangue infectado. A gestante com HIV também pode transmitir a doença para o filho durante a gravidez, no parto ou na amamentação com o leite materno infectado (transmissão vertical).

Como prevenir

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Saúde

Moderna anuncia eficácia em vacina e pedirá uso emergencial nos EUA e Europa

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O estudo da farmacêutica envolveu 30 mil participantes, dos quais 196 indivíduos desenvolveram o coronavírus com sintomas, de acordo com a companhia

(crédito: Andrew Caballero/AFP)

A farmacêutica americana Moderna anunciou que pedirá, nesta segunda-feira (30/11), autorização para uso emergencial de sua vacina para a covid-19 nos Estados Unidos e na Europa. De acordo com a empresa, o imunizante se mostrou 94,1% eficaz nos resultados finais da fase 3 dos testes clínicos.
Em 16 de novembro, a Moderna já havia anunciado os resultados preliminares dos estudos, com eficácia de 94,5%.
O estudo da farmacêutica envolveu 30 mil participantes, dos quais 196 indivíduos desenvolveram o coronavírus com sintomas, de acordo com a companhia.
Destes, 185 haviam tomado placebo, enquanto 11 haviam recebido a vacina.
Segundo a Moderna, o imunizante também aparentou ser seguro, ainda que alguns participantes tenham experimentado dores de cabeça e outras reação leves a moderadas.
“Acreditamos que nossa vacina fornecerá uma ferramenta nova e poderosa que pode mudar o curso desta pandemia e ajudar a prevenir doenças graves, hospitalizações e mortes”, disse o CEO da Moderna, Stéphane Bancel.
“Vamos solicitar hoje uma autorização de uso de emergência da FDA e continuar avançando com as revisões contínuas que já foram iniciadas com várias agências regulatórias em todo o mundo”, acrescentou Bancel, fazendo referência à Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.
A farmacêutica também apresentará nesta segunda-feira um pedido de uso emergencial da vacina à Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês).
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Saúde

Dosagem 90% eficaz de vacina de Oxford foi erro; AstraZeneca admite

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Administração de meia dose inicial foi erro, segundo farmacêutica; forma de administração da vacina gerou dúvidas entre analistas e na comunidade científica

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Instituto Estáter: estratégia de isolamento é ineficaz contra covid

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Com equipe dedicada à coleta e organização de dados globais, Pércio de Souza diz ser urgente apostar em campanhas de conscientização

Coronavírus: como aposta de médio e longo prazo, isolamento não resolve e tem efeito perverso, para instituto (Getty Images/Getty Images)

O estranho ano de 2020 está perto de terminar e tudo indica que a covid-19 será a 3ª doença mais letal no Brasil. Deve representar 13% das mortes. Nesse momento, são 170 mil mortos pelo vírus. Nessa triste estatística, as doenças cardiovasculares são as mais mortais, com 388 mil óbitos, seguidas do câncer, que já provocou o falecimento de 245 mil pessoas até agora. Sempre que os dados sobre a covid-19 mostram piora no contágio, aumenta a perspectiva da quarentena, do lockdown. Ficou consolidado na cabeça das pessoas — não só aqui, mundo afora — que essa é a forma de combate ao vírus.

Só que quem olha os dados de perto tem tranquilidade em afirmar que o isolamento e a redução forçada da mobilidade da população não são e não deveriam ser encaradas como uma saída definitiva contra a pandemia. Muito menos, a única. Ao contrário, os dados mostram que pode provocar o efeito pêndulo que tem levado países poupados inicialmente pela infecção, fruto de um lockdown precoce, a serem assolados no momento da flexibilização.

“A politização e interferência de debates ideológicos têm impedido uma avaliação pragmática da melhor forma de enfrentar a infecção. Esta radicalização tem levado a análises simplistas onde se isola a variável ‘lockdown contra SARS-CoV-2’ e se despreza as outras variáveis da equação”, comenta Pércio de Souza, empresário, sócio-fundador da boutique de fusões e aquisições Estáter e presidente do Instituto Estáter, que tem uma equipe dedicada ao assunto desde março deste ano.

O pior de tudo, para ele, é que esse contexto impede uma análise crítica em busca da resposta para a pergunta: isso está mesmo funcionando? “Isso para não destacar que estão quase que impedidas as considerações sobre o impacto nas outras áreas da saúde, nas crianças vulneráveis que perderam escola, efeitos psicológicos e as consequências na economia real.”

Sem conseguir perceber se a estratégia é ou não eficaz, governos e sociedade civil, de forma geral, não trabalham naquilo que, para Pércio, deveria ser a grande questão: campanhas de informação e conscientização. Não se trata, pura e simplesmente, de evitar o lockdown, mas de abordar suas falhas e atacar os problemas.

A análise dos dados da evolução pandêmica, tanto no Brasil como no exterior, demonstra que países e regiões que foram bem-sucedidos pelo lockdown precoce no início do ano estão agora entre os que mais têm sofrido neste segundo semestre. “A falsa sensação de dever cumprido pelo isolamento é seguida de um relaxamento crescente que leva a descuidos e a intensificação da infecção. Estudos recentes mostram que a conscientização e informação são mais importantes para a prevenção do que o isolamento. E isto está faltando”.

O lockdown foi adotado inicialmente como ferramenta para controle da velocidade de disseminação da doença, com objetivo de evitar sobrecarga do sistema de saúde, lembra Pércio. Mas, com o transcorrer do tempo, passou a ser encarado como “única alternativa”, quando na verdade não tem provado ser.

Sem conseguir perceber se a estratégia é ou não eficaz, governos e sociedade civil, de forma geral, não trabalham naquilo que, para Pércio, deveria ser a grande questão: campanhas de informação e conscientização. Não se trata, pura e simplesmente, de evitar o lockdown, mas de abordar suas falhas e atacar os problemas.

A análise dos dados da evolução pandêmica, tanto no Brasil como no exterior, demonstra que países e regiões que foram bem-sucedidos pelo lockdown precoce no início do ano estão agora entre os que mais têm sofrido neste segundo semestre. “A falsa sensação de dever cumprido pelo isolamento é seguida de um relaxamento crescente que leva a descuidos e a intensificação da infecção. Estudos recentes mostram que a conscientização e informação são mais importantes para a prevenção do que o isolamento. E isto está faltando”.

O lockdown foi adotado inicialmente como ferramenta para controle da velocidade de disseminação da doença, com objetivo de evitar sobrecarga do sistema de saúde, lembra Pércio. Mas, com o transcorrer do tempo, passou a ser encarado como “única alternativa”, quando na verdade não tem provado ser.

Neste trabalho, comparou-se as regiões mais e menos afetadas em diversos países no 1º semestre com a situação atual. Com isso, a dinâmica do atraso na curva do contágio fica evidente na comparação entre países e também dentro deles, com dados detalhados. Na Itália, por exemplo, onde a situação foi dramática na região Norte em abril (como Lombardia e Emilia Romana), os óbitos por semana nesse momento estão em patamar equivalente a 45% do pico. Já no Sul, nas localidades menos afetadas no primeiro semestre, os falecimentos semanais estão em 230% do seu pico no 1º semestre. Na Espanha, onde a curva já está arrefecendo, essa fotografia se repete. Nas províncias de Madri e Catalunha que lideraram as infecções no início do ano, o pico dos óbitos semanais ficaram por volta de 30% do pico anterior.

“O que se vê em todos os países é que as regiões que foram menos afetadas no início do ano, protegidas pela estratégia do lockdown, agora estão passando por disseminação mais intensa do vírus pela abertura e liberação das atividades”.

É possível ver isso na Europa, mas há exemplos vizinhos também. Na Argentina, que fez um lockdown severo no início do ano, em 6 de julho o número de óbitos acumulados por milhão de habitantes estava em 35, enquanto o Brasil estava em 313. Agora, o país de origem do craque Messi passou o Brasil nesse indicador: está até dia 23 de novembro com 840 mortos por milhão de habitantes, enquanto o Brasil aparece com 810.

Na Europa, a República Tcheca também foi objeto de lockdown rígido e o retrato traz a mesma informação. Em julho, enquanto o consolidado europeu era de 440 falecimentos a cada milhão de habitantes, o do país sustentou um acumulado de 30 a cada milhão de pessoas. O que houve a partir do 2º semestre? O número disparou e agora está acima da média europeia que subiu para 660 até 23 de novembro. Padrão semelhante aconteceu nos estados americanos como Texas, Florida, Califórnia, entre outros, que viram os números crescerem substancialmente após o relaxamento no final de junho.

Estes exemplos são o que Pércio chama de efeito pêndulo. Ele defende uma campanha constante de conscientização como arma para controle da pandemia. Além de mais barata, na opinião dele, teria mais chances de evitar os picos e ser a estratégia mais adequada para o achatamento da curva — e ainda tende a ter efeitos colaterais muito menores do que o lockdown. “Esta campanha é urgente, porque seguindo o padrão do que está ocorrendo lá foram deveremos ver uma intensificação da contaminação também no Brasil”, diz ele.

Quando questionado se o que defende é a imunidade de rebanho, Pércio é enfático. “Não se trata disso.” Para ele, a grande questão é que o controle da curva gerado pelo lockdown acabou perdido — restaram apenas os efeitos colaterais. Quando a situação finalmente é colocada sob controle, pela falta de campanhas de conscientização que levam a uma conduta despreocupada da população, a consequência do isolamento é perversa.

Raiz do problema

O Instituto Estáter tem liderado campanhas, principalmente de informação e acompanhamento de grupos de risco na população vulnerável, desde o início da pandemia. Pércio aponta que embora os protocolos hospitalares e tratamento tenham evoluído substancialmente, ainda há um problema que se mantém: mortes pela hipóxia silenciosa que levam pacientes a óbitos sem sequer passarem pelas UTIs. Na Espanha e Itália onde consegue-se acompanhar nível de hospitalizações e óbitos semanalmente, pouco se evoluiu neste quesito — seguem acima de 80%.

O problema é também complexo no Brasil pelo grande peso das populações vulneráveis que têm mais dificuldade de atendimento nos hospitais. O Instituto, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Infectologistas (SBI), promoveu a campanha Alert(ar) que apoia a atenção básica de municípios brasileiros em um programa para conscientizar esses grupos de riscos da população vulnerável e organizar a oximetria proativa para evitar mortes sem assistência decorrentes da hipóxia. O trabalho tem mostrado resultados  nas regiões nas quais tem sido aplicado. A SBI está realizando os primeiros estudos sobre esse desempenho.

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Covid-19 pode causar problema pulmonar grave, diz estudo brasileiro

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A fibrose pulmonar é uma doença respiratória crônica que torna os tecidos pulmonares espessos e rígidos, como se eles fossem cobertos por cicatrizes

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

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