24.5 C
Brasília
sábado, 30/08/2025

Dólar varia e Bolsa sobe com novidades dos EUA e tensão sobre tarifas

Brasília
céu limpo
24.5 ° C
24.5 °
18.9 °
38 %
3.1kmh
0 %
dom
29 °
seg
29 °
ter
28 °
qua
28 °
qui
22 °

Em Brasília

FOLHAPRESS

O dólar apresentou variações nesta quinta-feira (4), enquanto investidores analisam novos dados de inflação nos Estados Unidos e ajustam expectativas sobre as decisões do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano.

O mercado permanece atento ao confronto tarifário entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Por volta das 12h, o dólar registrava pequena queda de 0,02%, cotado a R$ 5,399, e a Bolsa subia 0,38%, alcançando 137.211 pontos.

Os preços ao produtor nos EUA subiram 0,9% em julho, acima da previsão de 0,2% dos analistas. No acumulado de 12 meses, a inflação ao produtor cresceu para 3,3%, ante 2,4% anteriormente.

O segmento de serviços teve alta de 1,1%, maior desde março de 2022, impulsionada por aumentos em máquinas, equipamentos, hotéis e transporte de cargas. Já os preços de bens subiram 0,7%, com destaque para vegetais, carnes e ovos.

Este índice é um indicador importante da economia americana, pois a inflação ao produtor geralmente é repassada ao consumidor ao longo do tempo.

Esse avanço indica que os preços podem acelerar nos próximos meses, afetando as expectativas sobre a política do Fed na próxima reunião.

Dados recentes de emprego e inflação ao consumidor em julho levaram o mercado a precificar plenamente um corte de juros na próxima reunião, majoritariamente de 0,25 ponto percentual.

Contudo, com os dados mais recentes, operadores têm considerado menos provável um corte maior. A ferramenta FedWatch indica 92,5% de chance de corte de 0,25 ponto e 7,5% de chance de manutenção dos juros entre 4,25% e 4,5%.

Ben Ayers, economista sênior da Nationwide, comenta que espera um impacto maior das tarifas nos preços ao consumidor nos próximos meses, com inflação crescendo moderadamente no segundo semestre de 2025.

Essa perspectiva ajuda a valorizar o dólar no mercado internacional, pois juros mais altos tornam os investimentos norte-americanos mais atraentes. O índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas fortes, subia 0,33%, a 98,10 pontos.

Por outro lado, a expectativa de cortes de juros pelo Fed tem favorecido o real recentemente, dado o diferencial elevado da taxa Selic no Brasil.

Quanto ao conflito tarifário, o governo brasileiro apresentou recentemente um plano de contingência para ajudar empresas afetadas pela tarifa de 50% imposta pelos EUA.

A Medida Provisória institui uma linha de crédito de R$ 30 bilhões, com foco em setores e empresas mais afetadas. Batizado de “Brasil Soberano”, o pacote também prevê adiamento de impostos, ressarcimento de créditos tributários e facilidades para exportação.

A MP tem vigência imediata, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias.

Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, afirmou que o governo solicitará ao Congresso excluir o pacote da meta fiscal de 2025, com expectativa de até R$ 9,5 bilhões em medidas que serão regulamentadas por lei complementar.

Essa decisão difere do posicionamento inicial do ministro Fernando Haddad, que indicou que os valores ficariam fora do limite de despesas, mas dentro da meta primária.

Haddad indicou que o pacote é a primeira medida e que outras podem seguir.

O objetivo é apoiar inicialmente os setores mais prejudicados, enquanto o governo monitora a situação de outras áreas.

Desde que Trump ameaçou as tarifas em julho, o mercado espera o plano brasileiro.

Embora reconheçam a necessidade do pacote, investidores temem o impacto fiscal e possíveis sinais de flexibilização das metas fiscais.

João Ferreira, sócio da One Investimentos, aponta preocupação com o aumento dos gastos do governo e o desafio para cumprir as metas fiscais, considerando que os R$ 30 bilhões podem ser apenas o começo da ajuda.

Veja Também