Na tarde desta terça-feira, o dólar teve uma alta moderada frente ao real, mas deixou de subir mais depois de alcançar o valor de R$ 5,34. Fechou em R$ 5,2652, uma alta de 1,92%, seu maior fechamento desde janeiro.
Este movimento está ligado à incerteza causada pela escalada da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, que impacta os mercados financeiros.
O dólar subiu 2,56% nos primeiros dias de março e o real perdeu parte das suas conquistas do início do ano, embora tenha se saído melhor que outras moedas de países emergentes.
Marcelo Fonseca, economista do Grupo CVPAR, explicou que a procura por ativos seguros aumentou, já que a expectativa de rápida resolução do conflito diminuiu com os últimos ataques do Irã.
O petróleo, que refletem os temores da continuidade do conflito, também subiu, chegando a uma alta temporária de mais de 9%, embora tenha fechado com alta menor.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a Marinha americana pode escoltar navios pelo Estreito de Ormuz, importante via de transporte de petróleo ameaçada por ações iranianas, para garantir a segurança.
Marcelo Fonseca acrescenta que, no curto prazo, o dólar deve continuar forte como refúgio seguro, devido ao aumento do risco inflacionário causado pela alta do petróleo.
Para o Brasil, a situação é complexa. O país pode ganhar com a valorização do petróleo, mas sofre com pressão cambial e aumento do risco financeiro, segundo o economista.
Bancos como o Citi e Bradesco revisaram suas posições sobre o real, agora mais vulnerável devido às tensões globais, mas destacam que a balança comercial pode se beneficiar do cenário.
O Banco Central anunciado dois leilões para tentar controlar a taxa de câmbio, mas logo cancelou, afirmando que foi um erro na publicação dos leilões, que estavam em ambiente de testes. O mercado não apresentou impacto significativo com isso.
Impacto na bolsa
O Ibovespa teve sua maior queda desde dezembro, com forte volatilidade até fechar em baixa de 3,28%. Apenas duas ações do índice fecharam em alta, Raízen e Braskem, enquanto outras sofreram quedas marcantes.
A alta dos preços do petróleo influenciou o mercado, que espera medidas governamentais para conter os custos de energia. A volatilidade gerou queda nos papeis financeiros e de commodities.
Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, comentou que é cedo para falar em choque duradouro no mercado de petróleo, mas a situação ainda é incerta.
Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, destacou que o comportamento atual do mercado é típico de conflitos bélicos, com o dólar e o petróleo disparando no começo, seguido de acomodação dos preços com o tempo.
Jucelia Lisboa, economista da Siegen Consultoria, observa que o aumento da tensão leva investidores a buscar ativos seguros, como o dólar, e a reduzir exposição em ativos mais arriscados.
Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, destaca que a incerteza sobre a duração do conflito e o impacto no Estreito de Ormuz pressiona os mercados de juros e câmbio.
Eduardo Amorim, da Manchester Investimentos, prevê que o real deve parar de valorizar e que o conflito eleva o prêmio de risco para moedas emergentes, criando nova resistência para o câmbio.
Taxas de juros
Os juros futuros subiram de forma consistente, refletindo o receio de inflação causada pela alta do petróleo devido à tensão geopolítica.
O mercado ainda espera que o Banco Central inicie cortes na taxa Selic, mas o cenário ficou mais dividido entre reduções menores ou maiores no próximo Copom.
Destaques econômicos recentes, como o crescimento do PIB e geração de empregos, ficaram em segundo plano devido à tensão global.
O FMI alertou que o aumento das tensões no Golfo pode afetar a economia global, especialmente por meio da inflação e do crescimento.
Gean Lima, gestor da Connex Capital, destacou que o conflito deve durar mais tempo do que esperado, impactando o mercado global, especialmente pela importância do Estreito de Ormuz para o transporte de petróleo.
Apesar da expectativa de corte na Selic, ele acredita que o Banco Central pode ser mais cauteloso devido ao risco global.
