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Economia

Dólar sobe pouco no dia e acumula alta na semana com fim de juros baixos nos EUA

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

São Paulo, 18 – O dólar teve uma leve alta em relação ao real nesta sexta-feira, acompanhando a desaceleração da moeda americana no mercado internacional, influenciada pela melhora do iene japonês. Parte da insegurança causada pela pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira à noite, que não mostrou avanço nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato preferido pelo mercado financeiro, também diminuiu à tarde, ajudando o real a se recuperar.

O dólar à vista iniciou o dia cotado a R$ 5,1662, fechando a R$ 5,1442, uma alta de 0,10%. Na semana, a moeda americana acumulou um ganho de 0,37%, em meio ao fortalecimento global do dólar após o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, subir os juros e demonstrar um discurso firme contra a inflação. No mês de setembro, o dólar caiu 0,69% frente ao real, após ter subido 2,16% em agosto.

Alexandre Viotto, chefe de câmbio da EQI Investimentos, destaca a resistência do real apesar do cenário geopolítico tenso e da expectativa de mais aumentos nos juros nos EUA. Ele comenta que a situação mudou desde agosto, quando se previa a reeleição tranquila do presidente Lula, para uma expectativa de transição de governo e alterações na política fiscal.

O índice Dollar Index (DXY), que mede o valor do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,05%, encerrando em 100,196 pontos, depois de alcançar o maior nível em sete semanas pela manhã. Na semana, o índice sobe pouco mais de 1%, e no ano acumula alta de quase 2%.

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O iene japonês teve perdas importantes pela manhã, apesar do Banco do Japão (BoJ) ter aumentado os juros em 25 pontos-base, para 1,25%, o maior nível desde 1995. A decisão do BoJ foi vista como cautelosa pelos investidores, e rumores de intervenção no mercado reduziram as quedas do iene, que recuou pouco mais de 0,40% frente ao dólar.

Segundo o economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, Adauto Lima, embora o dólar tenha subido em setembro, a alta é limitada e ajuda a manter a taxa de câmbio estável. Ele destaca que a valorização do petróleo beneficia o real, ao passo que a instabilidade eleitoral pesa negativamente. O dólar tem oscilado entre R$ 5,00 e R$ 5,20, demonstrando um movimento controlado.

Lima também ressalta que, mesmo com políticas monetárias diferentes no Brasil e nos EUA, o diferencial de juros elevado favorece o real, e que o mercado não espera altas de juros exageradas pelo Fed.

Na manhã desta sexta, o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista através de um leilão com compromisso de recompra, ação que ajuda a melhorar a liquidez diante da forte demanda por transferências de recursos ao exterior. Este mês, o BC já fez outras duas vendas similares, totalizando US$ 2 bilhões.

Adauto Lima explica que no fim do trimestre há uma redução da oferta de crédito pelos bancos estrangeiros devido a regulações, e o Banco Central realiza leilões para garantir liquidez e evitar desequilíbrios, sem intenção de alterar a tendência do câmbio.

Alexandre Viotto, da EQI Investimentos, acrescenta que a pressão por remessas ao exterior tem aumentado no período pré-eleitoral, motivando uma atuação mais ativa do Banco Central, que pode realizar novas operações desse tipo caso a liquidez não melhore.

Bolsa

O Ibovespa fechou a sexta-feira em queda de 0,41%, aos 185.229,17 pontos, acumulando déficit semanal de 1,06%, refletindo o ajuste de estratégias dos investidores que preferem posições defensivas antes do fim de semana. Apesar disso, o índice registra alta de 4,4% no mês e sobe 15% no ano, impulsionado pela expectativa de mudança no governo e maior rigor fiscal.

Parte da pressão sobre o índice veio da queda do preço do petróleo, que afetou as ações da Petrobras. O barril do petróleo Brent fechou cotado a US$ 103,87, uma queda de 0,91%. As ações preferenciais da Petrobras caíram 0,23%, e as ordinárias, 1,09%.

O reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado na quinta-feira, também é avaliado pelos investidores pelo seu impacto fiscal para os próximos anos.

Roberta Nossig, estrategista de ações da Nomad, comenta que o mercado está cauteloso, calculando o custo da medida para o governo, diante do aumento da atenção sobre as eleições, principalmente sob o aspecto fiscal.

O desempenho da bolsa brasileira também segue a tendência dos mercados internacionais, que apresentam movimentos contidos e ausência de direção clara, com as bolsas americanas fechando o dia com variações moderadas.

Gabriel Macarini, advisor da Blue3 Investimentos, afirma que o cenário de alta nos juros americanos e corte da Selic no Brasil leva os investidores a se afastarem de ativos de maior risco para ajuste de portfólio.

Para o economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano, a alta incerteza eleitoral, o aumento do Bolsa Família e os juros mais altos no exterior formam o pano de fundo do ajuste recente, impactando fortemente as ações de grandes empresas como Vale e bancos.

Bruno Corano classifica a queda como um sinal de recalibração dos investidores frente à maior incerteza política, preocupações fiscais, alta do dólar e pressão sobre setores importantes.

Juros

Os juros futuros no Brasil recuaram nesta sexta, apesar da expectativa de mais aperto monetário global. O movimento não teve um gatilho específico, mas está relacionado à possibilidade da oposição vencer as eleições e ao ingresso de fluxos de investimento na curva de juros, com maior força nos prazos longos.

Contribuiu para o recuo o pedido do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União para suspender o reajuste do Bolsa Família, medida que reforça a cautela no mercado durante o período eleitoral.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 manteve-se estável em 13,555%. O DI para janeiro de 2029 cedeu levemente para 13,840%, e o para janeiro de 2031 caiu de 14,061% para 14,020%. Na semana, a curva de juros perdeu entre 1 e 3 pontos-base nos principais prazos.

A pesquisa Datafolha divulgada na quinta à noite mostrou empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o petista à frente numericamente. Pela manhã de sexta, o mercado não reagiu ao resultado, que foi interpretado como continuidade da situação, sem novidades que impactassem os preços.

O quadro político foi decisivo para o alívio nas taxas de juros à tarde, já que os investidores passaram a precificar a possibilidade da eleição de Flávio Bolsonaro.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, avalia que o movimento da curva de juros deveria ter sido para cima devido às expectativas de novos aumentos nos juros nos EUA, mas fatores como o cenário eleitoral, decisões do Supremo Tribunal Federal e o aumento do Bolsa Família complicaram o cenário.

O pedido do Ministério Público para suspender o reajuste do Bolsa Família, apontando possível violação da Lei de Responsabilidade Fiscal, também influenciou a curva de juros.

Segundo um estrategista de grande instituição, a queda nas taxas durante a tarde foi impulsionada por um fluxo de apostas na redução das taxas ao longo de toda a curva, especialmente no vencimento de janeiro de 2031.

Iván Riveros, estrategista para mercados da América Latina no Citi, afirma que os juros futuros podem continuar se diferenciando da postura mais rígida do Fed, com os ativos locais sendo guiados principalmente por acontecimentos políticos que moldarão as expectativas para 2027.

Nos Estados Unidos, os títulos públicos ajustaram suas taxas após o aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Fed na quarta-feira, esperando novo aumento até o final do ano. O Banco do Japão também aumentou a taxa básica para 1,25%, pressionando as curvas globais. Às 18h04, a taxa do título de dois anos americano subia de 4,683% para 4,743%, e a do título de dez anos, de 4,937% para 4,993%.

Estadão Conteúdo

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