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sexta-feira, 13/02/2026

Dólar sobe para R$ 5,20 com cautela nos mercados em NY

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São Paulo, 12 – Depois de atingir o menor valor desde maio de 2024 pela manhã, o dólar passou a subir na segunda parte do pregão devido à maior cautela nos mercados globais. O movimento foi puxado pela queda nas bolsas de Wall Street e do Ibovespa, valorização do dólar frente a outras moedas importantes e pelo aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). O preço do petróleo também caiu quase 3%, mostrando fraqueza nas commodities.

No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,2004, em uma correção considerada normal pelos operadores. A moeda ainda acumula queda de 0,38% na semana, 0,90% no mês e 5,26% no ano em relação ao real. No mercado futuro para março, o dólar subia 0,62%, a R$ 5,230, acompanhando o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, que avançava 0,07%.

Com a expectativa para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos na sexta-feira, que pode influenciar as decisões sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed), os índices americanos aprofundaram suas quedas por volta das 13 horas. Esse cenário negativo também afetou o petróleo e outras commodities metálicas.

Marcos Weigt, chefe da Tesouraria do Travelex Bank, comenta que este é um comportamento típico de aversão ao risco, com bolsas caindo, dólar subindo e Treasuries valorizando. Ele destaca que o principal fator preocupante no mercado é o receio em relação às chamadas ‘Mag 7’, que são sete grandes empresas de tecnologia que investem muito em Inteligência Artificial, tornando-se intensivas em capital e levantando dúvidas sobre a continuidade de seus altos retornos.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, ressalta que, apesar do cenário estrutural continuar favorável ao real devido ao carry trade e fluxo de investimentos, o tom defensivo no mercado externo limitou as quedas adicionais do dólar no final do dia.

A Capital Economics, em relatório, avalia que as moedas da América Latina estão avaliadas acima do esperado. A instituição prevê que os ativos de mercados emergentes terão um desempenho menos positivo do que em 2025 e que o Fed provavelmente reduzirá menos as taxas de juros do que o mercado espera, o que pode fortalecer o dólar. Além disso, a queda esperada nos preços das commodities deve pressionar as moedas dos países exportadores de matérias-primas.

Bolsa

Após alcançar um nível histórico próximo de 190 mil pontos na quarta-feira, o Ibovespa recuou em meio a uma sessão de correção, encerrando a quinta-feira em queda de 1,02%, aos 187.766 pontos, com volume financeiro de R$ 39,4 bilhões. No mês, o índice acumula alta de 3,53%, e no ano, avanço de 16,53%.

Em Nova York, o Nasdaq recuou até 2,03% na sessão, acumulando perda de cerca de 3,7% no mês, devido à cautela dos investidores sobre os investimentos em Inteligência Artificial das grandes empresas de tecnologia. Com a rotação global de ativos, os rendimentos dos Treasuries caíram, e o petróleo também sofreu uma baixa de quase 3%.

Na B3, a maioria das ações das grandes empresas caiu, com exceção do Banco do Brasil ON, que subiu 4,50% após divulgar resultados trimestrais positivos. Já ações do setor financeiro, como Santander Unit e Bradesco PN, tiveram perdas significativas, e Itaú PN caiu 2,29%.

Outras ações importantes do Ibovespa tiveram desempenho variado, com Vale ON caindo 0,95% e empresas como Raízen, Braskem, CSN e Magazine Luiza registrando quedas expressivas. No lado positivo, Assai e Ambev fecharam em alta.

Luise Coutinho, head na HCI Advisors, destaca que a queda acentuada nas ações da Braskem ocorreu após a Petrobras informar que não exercerá direitos de compra ou venda conjunta nas ações da petroquímica, frustrando expectativas dos investidores.

Com a queda do petróleo, as ações da Petrobras também tiveram desvalorização. Luise explica que a Agência Internacional de Energia revisou para baixo o consumo mundial de petróleo para 2026, o que impacta diretamente empresas brasileiras do setor.

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, observa que os mercados ainda ajustam suas posições após dados de emprego nos EUA mais fortes que o esperado e aguardam o CPI do país.

Juros

Os juros futuros na B3 ficaram estáveis, sem seguir a queda das bolsas e a alta do dólar na segunda metade do dia.

Os juros mais curtos recuaram ligeiramente durante a tarde, mas sem grandes mudanças. A divulgação da retração na atividade dos serviços em dezembro reforçou a expectativa de que o Banco Central deve cortar a Selic em 0,5 ponto percentual em março.

Os juros médios e longos também caíram um pouco, influenciados pela alta dos Treasuries e pela cautela no mercado global. O Tesouro Nacional aumentou as emissões de títulos prefixados, com maior concentração nos prazos mais curtos, sem pressionar negativamente a curva nominal.

As taxas dos contratos futuros de DI para janeiro de 2027 a 2031 apresentaram pequenas variações, permanecendo estáveis no geral.

A Pesquisa Mensal de Serviços mostrou que o setor teve uma queda de 0,4% em dezembro comparado a novembro, indicador ligeiramente pior do que as projeções do mercado.

Esse resultado não mudou as expectativas para a Selic, mas indica que o Produto Interno Bruto (PIB) deve apresentar crescimento muito baixo no último trimestre do ano, o que dá margem ao Banco Central para ajustar os juros cuidadosamente em março.

Sara Paixão, analista da InvestSmart XP, comenta que os dados não devem impactar significativamente a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que já espera um corte inicial da Selic de 0,5 ponto percentual.

Marcos Praça, diretor da Zero Markets Brasil, destaca que o indicador reforça a necessidade de cortes nos juros pelo Banco Central, mas que o mercado não espera um afrouxamento forte, devido ao tom cauteloso nas comunicações recentes do BC.

Os juros intermediários e longos abriram o dia estáveis, mas caíram um pouco à tarde, refletindo a queda dos rendimentos dos Treasuries, sem se afastar muito dos valores ajustados.

Praça acrescenta que os contratos futuros de DI para prazos longos têm apresentado pouca movimentação, pois o mercado está cauteloso devido à instabilidade política e à crise institucional recente no banco Master.

Estadão Conteúdo

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