O dólar subiu ao longo da segunda-feira, 10, chegando a R$ 5,11, impulsionado pelo aumento do medo no mercado internacional e ajustes de lucros após dois dias de queda frente ao real. A moeda norte-americana valorizou-se em relação a várias moedas fortes e emergentes, acompanhando também a alta do preço do petróleo, que subiu devido às tensões no Estreito de Ormuz.
O petróleo WTI para setembro subiu 5,05%, chegando a US$ 82,13, enquanto o Brent para outubro teve alta de 4,99%, a US$ 87,72. O real teve um desempenho pior em comparação às outras moedas, influenciado por incertezas políticas internas e dúvidas sobre as decisões futuras da taxa de juros Selic.
Fabrizio Velloni, economista, comenta que a volatilidade do preço do petróleo reduz a clareza econômica em um momento de possível aperto monetário nos EUA, aumentando a procura pelo dólar. Ele destaca também que a instabilidade no Brasil é agravada pela situação eleitoral e pela indefinição sobre o ajuste fiscal para o próximo ano.
O índice DXY, que mostra a força do dólar comparado a uma cesta de seis moedas fortes, atingiu 99,829 pontos após declarações de Beth Hammack, presidente do Federal Reserve de Cleveland, que defende um aumento imediato nas taxas de juros nos Estados Unidos para conter a inflação.
Recentes dados mostram uma queda maior que o esperado na criação de empregos nos EUA, o que atrasou a expectativa de altas de juros para outubro. Ainda assim, a inflação americana, que será divulgada no próximo dia 12, é vista como um indicador crucial para os próximos passos do Federal Reserve.
Juliana Benvenuto, especialista da Avenue, explica que se a inflação surpreender para cima, o mercado poderá rever a possibilidade de aumento dos juros já em setembro. Já Francesco Pesole, do banco ING, prevê uma inflação abaixo do consenso para julho e reforça a expectativa de uma política monetária mais cautelosa, o que pode enfraquecer o dólar.
Mercado de ações
O Ibovespa foi impactado pelas preocupações com os conflitos no Oriente Médio e o efeito disso na inflação global. As ações da Petrobras ajudaram a conter as perdas, mas o índice fechou em queda, refletindo o clima de cautela entre investidores estrangeiros, abalados pela declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a possibilidade de o Irã pagar compensações pela guerra na região.
O fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota importante para a exportação de petróleo, eleva os preços da commodity, o que pode beneficiar empresas como a Petrobras no curto prazo, mas prejudicar a economia global se causar aumento da inflação e levar bancos centrais a subir os juros.
Fabio Louzada, economista, alerta que uma alta do petróleo provocada pela região pode ser negativa para o mercado como um todo. Dados de inflação do Brasil e indicadores econômicos recentes são aguardados para definir o ritmo dos cortes da Selic e atrair novamente os investidores para a bolsa.
Taxas de juros
A falta de avanços entre EUA e Irã levou os preços do petróleo a subir cerca de 5%, aumentando os temores de inflação e juros mais altos globalmente. Isso se refletiu na alta dos juros futuros no Brasil durante o pregão.
Uma pesquisa recente indicou liderança nas intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerado menos preocupado com o controle fiscal pelo mercado, o que adicionou mais risco à curva de juros. A inclinação da curva reflete preocupações com questões fiscais internas e também com os rendimentos dos títulos americanos de longo prazo.
Rafael Passos, analista da Ajax Asset, destaca que a alta nos juros futuros é influenciada principalmente por fatores externos e pelo noticiário geopolítico tenso.
O presidente dos EUA negou a possibilidade de compensar o Irã pelos danos da guerra, exigência iraniana para permitir a reabertura do Estreito de Ormuz e avançar nas negociações de paz. Por sua vez, o Irã exige a suspensão do bloqueio americano, retirada das sanções e liberação de ativos congelados.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, acredita que a visão negativa sobre um acordo contribui para pressão inflacionária futura, o que pode levar os bancos centrais a manterem juros elevados por mais tempo.
Felipe Passero, da Jaguaretê Investimentos, ressalta a saída de investidores estrangeiros do mercado brasileiro, impulsionada também pela vantagem nas pesquisas eleitorais para Lula, que propõe uma política fiscal mais responsável em comparação ao passado.
Esta semana apresentam-se dados importantes como a ata do Copom e o IPCA de julho, que devem dar mais clareza sobre a política monetária brasileira. Estimativas indicam desaceleração da inflação, o que pode abrir espaço para novos cortes na taxa Selic.
