FOLHAPRESS
O dólar fechou em alta de 1,11%, cotado a R$ 5,066 nesta quarta-feira (3), influenciado pela tensão crescente com a guerra no Irã e novas tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil, o que levou investidores a buscarem ativos seguros, pressionando o real.
A moeda americana manteve a alta durante todo o pregão e alcançou a máxima de R$ 5,089 no dia. No mercado internacional, o índice DXY, que avalia a força do dólar frente a seis moedas fortes, subiu 0,31%.
O cenário de cautela também afetou a Bolsa de Valores brasileira, que caiu 2,21%, fechando em 170.330 pontos, o menor nível desde 20 de janeiro, quando o índice fechou em 166.276 pontos. O dólar, por sua vez, atingiu o maior valor desde 15 de maio.
Na noite anterior, os Estados Unidos lançaram um míssil contra um navio-tanque a caminho do Irã, enquanto forças iranianas dispararam mísseis contra Kuwait e Bahrein, deixando uma pessoa morta e várias feridas no ataque ao Kuwait. Esses acontecimentos aumentaram o pessimismo dos investidores globais.
Em Wall Street, os principais índices Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones recuaram 0,70%, 0,60% e 1,02%, respectivamente. Na Europa, os índices Euro Stoxx 50 e DAX também caíram 0,89% e 1,31%. O preço do petróleo Brent subiu 2,09%, chegando a US$ 98 por barril.
O agravamento do conflito aumenta os temores de um impasse nas negociações, apesar das declarações do presidente americano Donald Trump, que afirmou que o Irã concordou em não desenvolver armas nucleares e planeja se reunir com o líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei. A questão nuclear é um dos maiores pontos de discórdia entre os países.
O conflito afeta as cadeias globais de suprimento e o tráfego no estreito de Hormuz, rota marítima vital para 20% da produção mundial de petróleo e gás natural.
Para o analista Leonel Oliveira Mattos, da StoneX, esse cenário mostra que as negociações diplomáticas entre EUA e Irã esfriaram e que não há perspectivas de solução rápida.
Os preços mais altos das commodities, incluindo energia, elevam o risco de inflação global, o que pode manter as taxas de juros dos maiores países em níveis altos, principalmente nos EUA. O Federal Reserve (Fed) destacou em relatório que o aumento nos preços da energia devido ao conflito teve impacto generalizado, afetando transporte, embalagens, alimentos e fertilizantes.
Taxas de juros elevadas nos EUA fazem com que investidores prefiram a renda fixa americana, considerada de baixo risco, o que desvaloriza ativos mais arriscados em mercados emergentes como o Brasil.
No Brasil, os investidores também reagiram negativamente às novas tarifas propostas pelos EUA. Na madrugada da quarta-feira, o governo americano sugeriu uma tarifa comercial de 12,5% contra o Brasil devido ao uso de trabalho forçado, incluindo investigação de 59 países e a União Europeia.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apontou que, apesar do Brasil afirmar proibir importações produzidas com trabalho forçado, essas restrições não impedem legalmente a comercialização de produtos fabricados com trabalho forçado de outros países.
Essa nova tarifa pode ser somada à tarifa de 25% já sugerida na terça-feira, totalizando um aumento de 37,5% sobre produtos brasileiros, decisão que cabe ao presidente Donald Trump.
O economista Ian Lopes, da Valor Investimentos, explicou que a reação do mercado nesta quarta-feira foi diferente da terça, com maior preocupação sobre os impactos das tarifas nas empresas exportadoras.
Leonel Oliveira Mattos avalia que essas medidas são uma tentativa dos EUA de retomar barreiras comerciais proibidas anteriormente, aumentando os riscos globais e pressionando a moeda brasileira para cima.
