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quinta-feira, 12/03/2026




Dólar sobe muito e Bolsa cai 2% com alta do petróleo durante conflito no Irã

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Em Brasília

O dólar subiu bastante hoje, refletindo a preocupação com a guerra no Oriente Médio.

Os recentes ataques do Irã a instalações de petróleo e transporte na região aumentaram o medo de um conflito duradouro e da interrupção no fornecimento de petróleo pelo Estreito de Hormuz. Isso fez o preço do barril de petróleo Brent ultrapassar US$ 100 durante a madrugada.

No Brasil, os dados de inflação de fevereiro vieram acima do esperado, fazendo com que as expectativas para a taxa Selic fossem ajustadas.

Às 14h31, o dólar subia 1,03%, chegando a R$ 5,212, enquanto a Bolsa caía 2,26%, ficando em 179.803 pontos, refletindo o medo global em relação a investimentos mais arriscados.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a guerra no Irã está causando a maior interrupção no fornecimento de petróleo já vista na história.

Em relatório, a agência disse que a oferta mundial deve diminuir em 8 milhões de barris por dia em março devido ao bloqueio no Estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás mundial.

Países do Golfo, como Iraque, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, reduziram a produção em pelo menos 10 milhões de barris por dia, o que representa 10% da demanda global.

Sem uma retomada rápida do transporte, essas perdas podem aumentar. A AIE afirmou que levará semanas ou meses para que a produção volte ao normal, dependendo da complexidade dos campos e do tempo para que trabalhadores e equipamentos retornem.

Na quarta-feira, a AIE autorizou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas, a maior liberação de reservas da história da organização, que inclui 32 países, entre eles os Estados Unidos.

Chris Wright, secretário de Energia dos EUA, afirmou que 172 milhões de barris estarão disponíveis a partir da próxima semana.

Essa medida, contudo, deve levar quase um mês para ter efeito completo, segundo o presidente francês Emmanuel Macron, e é vista como um paliativo por especialistas. “É como usar uma mangueira de jardim para apagar um incêndio em uma refinaria”, disse Stephen Innes, da SPI Asset Management.

Devido ao medo de interrupções no fornecimento, o preço do barril Brent subiu mais de 8% nesta tarde, chegando a US$ 99, com pico de US$ 101,53 na noite anterior.

Ebrahim Zolfaqari, porta-voz militar iraniano, alertou: “Preparem-se para o petróleo a US$ 200 o barril, pois o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram.”

Investidores estão evitando investimentos de maior risco em função do conflito. O índice Euro STOXX 600 caiu 0,6% e os principais índices de Wall Street (S&P 500, Nasdaq e Dow Jones) caíram mais de 1% cada.

O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou que a alta no preço do petróleo trará grandes lucros para o país, mas que sua prioridade é impedir que o Irã tenha armas nucleares.

O principal receio nos mercados é que o aumento dos preços do petróleo possa aumentar a inflação global, especialmente em países que já estão em fases de redução das taxas de juros, como os EUA.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que zera o PIS e Cofins sobre o diesel, estabelece subsídios para produtores e importadores e impõe imposto sobre a exportação de petróleo.

Com essas medidas, o governo espera reduzir o preço do diesel em R$ 0,64 por litro. Os postos de combustível deverão informar essa redução.

As ações da Petrobras tiveram alta, assim como da Braskem, enquanto a Prio teve queda.

O índice IPCA de fevereiro, que mede a inflação, também trouxe preocupações sobre a taxa Selic no Brasil. O índice subiu 0,7% em fevereiro, acima da expectativa, influenciando o mercado a prever um corte menor na taxa Selic na próxima reunião do Banco Central, que está em 15% ao ano desde junho de 2025.

André Valério, economista sênior do Inter, comentou que o dado indica que a recente piora na inflação pode ser temporária, devido a efeitos sazonais. No entanto, o impacto da guerra no Irã ainda é motivo de preocupação, pois pode afetar os preços de petróleo e fertilizantes.

Ele ressaltou que, devido à incerteza, pode haver uma postura mais cautelosa pelo Copom na próxima reunião, embora um corte inicial de 0,5 ponto percentual ainda seja esperado, considerando as pressões monetárias e o comportamento do câmbio.




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