FOLHAPRESS
O dólar aumentou 0,11% nesta sexta-feira (16), fechando a semana cotado a R$ 5,373. Isso ocorreu enquanto investidores analisavam os números do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) de novembro.
A moeda brasileira acompanhou a tendência global em um dia com pouca movimentação nos mercados. No ponto mais alto do dia, o dólar chegou a R$ 5,394, e no mais baixo, R$ 5,364.
Por outro lado, a Bolsa teve uma queda de 0,46%, fechando em 164.799 pontos. Isso aconteceu devido ao vencimento de opções, que traz maior volatilidade e ajustes técnicos, além da alta dos juros futuros, conforme explica a especialista em mercado de capitais e sócia da The Hill Capital, Nicole Malka.
Os juros foram reajustados após a divulgação do IBC-Br, que é uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto). O índice subiu 0,7% em novembro, superando a expectativa de economistas, que era 0,3%.
Comparado ao mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br cresceu 1,2%, e nos últimos 12 meses teve um aumento de 2,4%, segundo dados não ajustados.
Segundo o economista sênior do Inter, André Valério, os resultados indicam que é pouco provável que a Selic seja reduzida em janeiro, pois mostram que a atividade econômica está sólida.
Esse cenário também considera os dados recentes da inflação, medidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgados na semana anterior.
A inflação acumulada do ano de 4,26% ficou abaixo do limite máximo definido pelo Banco Central. Apesar disso, economistas ainda detectam pressão sobre os preços ao consumidor, o que afasta a possibilidade de redução da taxa básica de juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
André Valério acrescenta que as condições para começar a flexibilização da política monetária estão presentes e que isso deve ocorrer a partir da reunião de março. A taxa Selic está em 15% ao ano desde junho, o maior nível em quase 20 anos.
A manutenção da Selic alta reduz o interesse por investimentos em ações, pois torna a renda fixa mais atrativa sendo rentável e segura. No mercado cambial, a diferença de juros favorece o real, já que investidores aproveitam as taxas mais baixas de outros países, como os EUA, para pegar empréstimos e aplicar no Brasil, o que valoriza a moeda nacional.
Além disso, investidores acompanharam a reunião entre o presidente Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A União Europeia busca um acordo com o Brasil para explorar minerais essenciais para a transição energética, como lítio e níquel.
Ursula von der Leyen afirmou que a Europa e o Brasil estão próximos de um importante acordo político para cooperação em investimentos nesses minerais, fundamentais para as transições energéticas e digitais.
Este encontro aconteceu pouco antes da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, os líderes discutirão temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo.
No cenário internacional, o mercado manteve atenção nos conflitos entre o ex-presidente Donald Trump e o presidente do Fed (Federal Reserve), Jerome Powell.
Donald Trump declarou nesta quarta-feira que não planeja demitir Powell, mesmo com uma investigação criminal em andamento que apura se ele mentiu ao Congresso sobre uma reforma nos prédios do Federal Reserve em Washington, estimada em US$ 2,5 bilhões. Powell nega irregularidades e afirma que as ações são tentativas de pressioná-lo.
Powell tem resistido às pressões por redução das taxas de juros, e as decisões do Fed são baseadas em análises dos dados econômicos.
O mandato de Powell termina em maio. Trump comentou que está inclinando-se a indicar o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, ou o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett. Ambos são considerados bons candidatos, e um anúncio deve ser feito em breve.
Nos mercados de apostas, Kevin Warsh é apontado como favorito para a nomeação, com cerca de 60% de chances, enquanto as chances de Kevin Hassett diminuíram para cerca de 15%.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comenta que a percepção de um Fed independente das pressões políticas sustentou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e fortaleceu o dólar globalmente. No Brasil, o dólar subiu moderadamente devido ao diferencial de juros ainda elevado entre Brasil e EUA.
