O dólar iniciou o dia com uma leve alta, impulsionado pelas preocupações dos investidores sobre possíveis novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a países europeus, até que a negociação pela compra da Groenlândia avance.
Essa instabilidade causada pelas ameaças de tarifação fez com que muitos buscassem segurança no mercado, valorizando o dólar em relação a várias moedas de países emergentes, incluindo o real.
Por volta das 9h11, o dólar aumentou 0,23%, cotado a R$ 5,3769. No dia anterior, a moeda havia fechado em queda de 0,16%, sendo negociada a R$ 5,363. O pregão de segunda foi influenciado por um cenário global mais cauteloso e pela ausência do mercado americano, que esteve fechado devido a um feriado.
No mercado de ações, houve pouca variação, com a bolsa fechando praticamente estável, em alta de 0,02% aos 164.849 pontos. Analistas acompanharam as ameaças do presidente Donald Trump contra a Europa, além de reações à entrevista concedida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Donald Trump anunciou que pretende aplicar tarifas adicionais de 10% sobre importações de oito países europeus – Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido – como forma de pressão até que os Estados Unidos consigam comprar a Groenlândia, um território dinamarquês no Ártico.
Essas tarifas devem começar a valer em 1º de fevereiro e aumentar para 25% a partir de 1º de junho, permanecendo até que um acordo seja fechado sobre a ilha, segundo Trump.
Em resposta, a União Europeia estuda impor tarifas retaliatórias de até 93 bilhões de euros aos EUA ou restringir a atuação de empresas americanas no bloco.
Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, o aumento da aversão ao risco está ligado a essas tensões geopolíticas, que criam incertezas no mercado global. Já Ramon Coser, da Valor Investimentos, destaca que as tensões entre Trump e a Europa, além das especulações sobre mudanças no comando do Fed, estão movimentando os mercados.
Trump negou planos de demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, apesar de uma investigação sobre possíveis declarações falsas do chefe do banco central ao Congresso. Powell tem mantido uma postura independente em relação às decisões de política monetária, baseando-se nos dados econômicos.
O mandato de Powell termina em maio, e Trump mencionou possíveis sucessores, como o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, ambos considerados bons candidatos.
No cenário doméstico, a entrevista de Fernando Haddad trouxe destaque para a discussão sobre a fiscalização dos fundos de investimento pelo Banco Central, atualmente sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O ministro também defendeu a atuação do Banco Central no caso do Banco Master.
Além disso, os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) indicam uma economia aquecida, o que reduz as chances de corte na taxa Selic no curto prazo.
Com a taxa Selic elevada por mais tempo, a renda fixa torna-se mais atraente em comparação à renda variável, o que influencia positivamente o real no mercado de câmbio, já que investidores aproveitam para converter dólares em reais buscando melhores retornos.
