O dólar iniciou o dia com uma pequena alta, enquanto os investidores consideram as novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump prometeu aplicar uma taxa global de 15% sobre todos os produtos importados pelo país, em resposta a uma decisão da Suprema Corte dos EUA que anulou tarifas anteriores impostas a vários países, que chegavam a mais de 100%.
Por volta das 9h08, o dólar subiu 0,16%, sendo negociado a R$ 5,1848. Na sexta-feira, havia fechado em queda de 0,99%, cotado a R$ 5,175, atingindo a mínima de quase dois anos.
Ao longo do dia, o dólar perdeu valor devido a dados econômicos mistos dos EUA: o PIB cresceu menos do que se esperava e a inflação aumentou. A decisão da Suprema Corte beneficiou moedas e mercados emergentes, como o real e o Ibovespa.
O dólar não estava em um nível tão baixo desde maio de 2024, quando encerrar o dia em R$ 5,160. Na mínima recente, atingiu R$ 5,173.
A Bolsa brasileira também sentiu o impacto da decisão, fechando acima dos 190 mil pontos pela primeira vez, com alta de 1,06%, alcançando 190.534 pontos. Durante o pregão, o índice bateu um novo recorde intradiário.
Na última semana, o dólar caiu 1,03%, e a Bolsa subiu 2,18%. No acumulado do ano, o dólar recua 5,69%, enquanto o Ibovespa cresce 18,25%.
A decisão da Suprema Corte foi tomada por uma maioria de seis votos a três, declarando ilegais as tarifas aplicadas por Donald Trump a diversos países, pois ele teria ultrapassado seu poder ao aplicar essas taxas sem aprovação do Congresso, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977.
Essa derrota representa um impacto econômico e político significativo para o segundo mandato de Trump. Além de perder apoio político, os EUA podem ter que devolver mais de US$ 175 bilhões em receitas tarifárias, segundo economistas consultados.
No âmbito internacional, a decisão causou valorização das bolsas americanas e europeias, com índices como Dow Jones, S&P 500, Nasdaq e STOXX 600 registrando ganhos.
Para a estrategista-chefe Paula Zogbi, os mercados reagiram positivamente, pois a decisão reduz a incerteza jurídica e os custos para empresas listadas, o que pode melhorar a produtividade ao remover essas tarifas que poderiam atrasar o crescimento.
Já o consultor sênior Otávio Araújo destaca que, para países emergentes, a decisão diminui o risco de retaliações econômicas e favorece investimentos em moedas locais e ativos de risco, como o Ibovespa, beneficiando o apetite global por commodities.
O foco da manhã também esteve nos dados econômicos dos EUA: o PIB cresceu apenas 1,4% ao ano no último trimestre, abaixo dos 3,0% esperados. Por outro lado, a inflação medida pelo índice PCE (preferido pelo Federal Reserve) acelerou, subindo 0,4% em dezembro, contra a previsão de 0,3%.
Nos últimos 12 meses até dezembro, o núcleo da inflação registrou alta de 3,0%, acima dos 2,8% de novembro.
Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, aponta que o crescimento abaixo do esperado indica uma economia mais fraca, impactada pelas paralisações do governo, o que contribui para a queda do dólar e melhora o fluxo de capital para países emergentes.

