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Economia

Dólar sobe levemente a R$ 5,03 com inflação alta nos EUA

Valter Campanato/Agência Brasil

São Paulo, 14 – O dólar teve alta leve e fechou próximo a R$ 5,03 depois de alcançar R$ 5,05 pela manhã. A valorização da moeda americana foi influenciada pelo aumento da inflação nos Estados Unidos, que reforçou a expectativa de novos ajustes na política monetária norte-americana.

Apesar da chegada da eleição presidencial no Brasil, a variação do câmbio ficou principalmente atrelada ao cenário externo. A inflação americana acima do previsto aumentou a pressão para um aperto maior da economia nos Estados Unidos, favorecendo o dólar.

O real teve perdas menores em comparação com outras moedas. Operadores apontam que parte do aumento de apoio presidencial nas pesquisas já foi incorporado no câmbio. Hoje, várias pesquisas eleitorais são esperadas para atualização do quadro político.

Fernando Cesar, operador da AGK Corretora, destaca que a pesquisa recente do BTG/Nexus mostrou diminuição da vantagem de Flávio Bolsonaro, o que pressionou o real e fez a taxa de câmbio se aproximar de R$ 5,00. Ele comenta que, caso as próximas pesquisas não indiquem mudanças, o dólar pode recuar, mas se a disputa se acirrar, a incerteza pode aumentar.

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No fim do pregão, o dólar no mercado à vista valorizou 0,17%, terminando o dia em R$ 5,0289. Apesar deste ganho nos últimos dois dias, o dólar ainda está com desempenho negativo em outubro, reduzindo sua desvalorização acumulada para 8,38% em 2026. O real é a segunda moeda com melhor desempenho entre as mais negociadas no ano, ficando atrás apenas do peso colombiano.

O Banco Central divulgou que na semana seguinte ao primeiro turno da eleição houve forte entrada de dólares no país, com fluxo cambial positivo de US$ 2,416 bilhões entre os dias 5 e 9 de outubro e entrada líquida de US$ 4,127 bilhões pelo canal financeiro. Até o dia 9 de outubro, o saldo total do fluxo cambial no mês foi positivo em US$ 3,214 bilhões.

Segundo Sérgio Goldenstein, economista da Eytse Estratégia, o real teve o melhor desempenho entre as moedas emergentes na semana passada devido à queda do prêmio de risco e aos movimentos no mercado de câmbio e derivativos. Investidores estrangeiros reduziram sua exposição comprada em dólar em US$ 3,1 bilhões nesse período.

No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas principais, subiu 0,35% e alcançou valor próximo ao máximo dos últimos 18 meses. O preço do petróleo também teve leve alta, devido à continuidade dos conflitos no Oriente Médio.

O aumento do índice de preços ao consumidor (CPI) em setembro impulsionou o dólar. A aceleração do núcleo da inflação, que exclui itens voláteis, superou as expectativas, reforçando chances de nova alta dos juros pelo Federal Reserve em outubro, segundo a ferramenta FedWatch.

Porém, James Knightley, economista-chefe do banco ING, acredita que o CPI provavelmente não será suficiente para garantir um aumento dos juros este mês, já que membros do Fed enfatizam a disposição de avançar de forma cautelosa na política monetária.

Ele também destaca que a trajetória dos preços dos combustíveis, impactada pelo Estreito de Ormuz, pode influenciar a inflação mais ampla no futuro.

Bolsa

O Ibovespa terminou o dia em leve queda de 0,18%, aos 206.506 pontos, com movimentos mistos entre os setores. As ações da Petrobras tiveram valorização, enquanto o setor bancário e a Vale apresentaram retração.

Após a forte reação do mercado após o primeiro turno das eleições, os investidores adotam cautela diante do aumento da inflação nos Estados Unidos. O mercado ajustou as probabilidades de alta dos juros pelo Fed para cerca de 60%, após um primeiro momento de maior pressão pela elevação das taxas.

Internamente, a confiança de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro significaria austeridade fiscal permanece, e o Ibovespa está com alta acumulada de 10,8% no mês. Contudo, os investidores aguardam novas pesquisas eleitorais para definir melhor suas posições.

Fernando Bresciani, analista do Andbank, comenta que as pesquisas eleitorais estão influenciando fortemente o mercado local, que segue sensível às mudanças nas intenções de voto e à economia internacional.

Nicolas Gass, gestor e sócio da GT Capital, ressalta que o mercado já precificou com convicção o cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, apesar dos resultados recentes mostrarem empate técnico, o que gera preocupação. Ele acredita que, se a disputa apertar, haverá pressão para correções, mas se a vantagem do candidato abrir novamente, o mercado pode retomar valorização.

Juros

Os juros futuros negociados na B3 oscilaram durante o dia, refletindo o ambiente internacional e a apreensão com o quadro eleitoral. Ao final do pregão, as taxas subiram levemente.

As taxas para contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028, 2029 e 2031 tiveram aumento, fechando em 12,735%, 12,480% e 12,540%, respectivamente.

Nos Estados Unidos, os juros de títulos públicos de 2, 10 e 30 anos operaram estáveis ou em leve queda.

Após o impacto da divulgação do CPI, o mercado ajustou as expectativas, com cerca de 65% de chance de manutenção das taxas pelo Federal Reserve em outubro, aliviando a curva de juros local.

O CPI de setembro mostrou alta de 0,6% em relação a agosto, acelerando a inflação anual para 3,7%, acima do previsto. O núcleo da inflação avançou 0,3% no mês, também acima do consenso.

Participantes do mercado atribuem a melhora do desempenho dos ativos locais à descompressão dos juros americanos após a reação inicial negativa ao dado de inflação.

Lindsey M. Piegza, economista da Stifel Economics, afirma que a aceleração do CPI pode encorajar um aumento adicional dos juros pelo Federal Open Market Committee (FOMC), embora entidades do Fed manifestem apoio a uma abordagem mais gradual.

No cenário eleitoral, a decisão do candidato Flávio Bolsonaro de participar do debate da Band ajudou a aliviar tensões, assim como rumores sobre pesquisas internas que indicaram redução da vantagem do candidato mantiveram o mercado atento.

O setor de serviços recuou 0,1% entre julho e agosto, abaixo do esperado, indicando desaceleração gradual da atividade econômica no Brasil.

O texto foi elaborado com base em informações divulgadas no dia 14 em São Paulo.

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