TAMARA NASSIF
FOLHAPRESS
O dólar teve um aumento significativo de 1,87% nesta terça-feira (3), fechando em R$ 5,261, impulsionado pela busca global por segurança devido ao agravamento das tensões no Oriente Médio.
A moeda atingiu a máxima de R$ 5,343 durante o dia, um salto de quase 20 centavos comparado ao fechamento anterior de R$ 5,164.
Esse cenário impactou fortemente a Bolsa de Valores brasileira, cujo principal índice, o Ibovespa, registrou uma queda de 3,27%, fechando em 183.104 pontos. Durante o pregão, o índice chegou a cair 4,64%, com 9.000 pontos a menos do que o fechamento de segunda-feira, que foi de 189.307 pontos.
As principais bolsas pelo mundo também sofreram quedas. Na Ásia, o índice chinês CSI300 caiu 1,54%, e o índice SSEC, de Xangai, teve queda de 1,43%. A Bolsa de Tóquio caiu 3,1%, e a de Seul despencou 7,24%. Na Europa, as perdas foram superiores a 3%, com o índice Euro STOXX 600 recuando 3,08%, acompanhado por Frankfurt (-3,4%), Londres (-2,75%), Paris (-3,46%), Madri (-4,55%) e Milão (-3,92%). Nos Estados Unidos, as bolsas também caíram, embora em proporções menores: Dow Jones caiu 0,83%, S&P 500 recuou 0,9% e Nasdaq Composite caiu 1,02%.
Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, explica que este é um movimento típico de fuga para investimentos considerados seguros diante da piora do cenário geopolítico.
O dólar foi favorecido pela busca por segurança, com o índice DXY, que mede a moeda contra uma cesta de seis moedas fortes, subindo 0,66%, após avanço de 0,8% no dia anterior.
Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da Stonex, destaca que não se via o dólar como porto seguro desde o início de 2025, quando políticas do governo Donald Trump geraram instabilidade no mercado. Agora, com a escalada do conflito no Oriente Médio, a moeda voltou a ganhar destaque.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã ganhou força com a ocupação de novas posições por soldados israelenses no Líbano. Países como Arábia Saudita, Qatar e Kuwait também foram envolvidos, agravando as perturbações no mercado global de energia.
O Irã anunciou o fechamento do estreito de Hormuz para navegação, um ponto crucial por onde passam 20% da produção mundial de petróleo. O Qatar suspendeu a produção de gás natural liquefeito, levando ao fechamento de várias instalações de petróleo e gás na região, sendo responsável por cerca de 20% da oferta global.
Essas ações provocaram alta nos preços das commodities. O petróleo Brent subiu 4%, cotado a US$ 81 o barril, enquanto o gás europeu avançou 22%, após um aumento de 40% no dia anterior.
No Brasil, quase todas as ações do Ibovespa ficaram no vermelho, com exceção da Braskem e Raízen, que subiram 4% e 3%, respectivamente, mesmo em meio ao clima de incerteza internacional.
Além do conflito, o IBGE divulgou dados do PIB brasileiro, apontando crescimento de 2,3% em 2025, mas com quase estagnação no último trimestre e desaceleração em relação ao ano anterior, que teve alta de 3,4%. O quarto trimestre mostrou um crescimento muito leve de 0,1% sobre o trimestre anterior, em linha com as expectativas do mercado.
Lucca Bezzon comenta que esses números podem acelerar o corte na taxa Selic pelo Copom, embora ainda haja dúvida sobre a extensão do corte, que pode ser de 0,25 ou 0,5 ponto percentual.
Ele acrescenta que, apesar da possível menção ao conflito no Oriente Médio como uma incerteza externa, não acredita que isso afetará significativamente a decisão sobre a taxa de juros.
