FOLHAPRESS
O dólar subiu 1,33% nesta quinta-feira (5) e terminou o dia cotado a R$ 5,28, pois os investidores buscaram segurança devido à guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
A moeda americana aumentou de valor em relação a várias outras moedas importantes, incluindo o real, o rand sul-africano, o peso chileno, o euro e o iene. O índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas fortes, subiu 0,3%.
A incerteza também afetou as bolsas de valores no mundo todo, com o índice brasileiro Ibovespa caindo 2,64%, fechando em 180.463 pontos, com a maioria das empresas em queda.
As únicas exceções foram as empresas do setor de petróleo, que tiveram alta de 4%, com o barril chegando a US$ 84, devido a preocupações sobre a oferta futura do produto.
Esse aumento no preço do petróleo pode trazer riscos de alta na inflação globalmente. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explica que o medo de um choque geopolítico se transformar em uma crise econômica maior está influenciando os mercados.
O Irã representa cerca de 3% da produção mundial de petróleo, mas tem grande influência por estar perto do estreito de Hormuz, pelo qual passa 20% do petróleo e gás mundial.
O ex-presidente Trump sugeriu enviar a Marinha para proteger os petroleiros na região, mas a Guarda Revolucionária do Irã afirmou controlar completamente o estreito.
O conflito já tem impacto sobre outros países, levando refinarias na China e Índia a suspenderem produção por falta de abastecimento.
O Qatar também interrompeu a produção de gás natural liquefeito, afetando instalações de petróleo e gás no Oriente Médio.
Com essa situação, empresas do setor energético na bolsa tiveram valorização, incluindo Braskem, Prio, Petroreconcavo, Brava e Petrobras, que acumulou alta de mais de 3% em março.
Esse movimento de queda não ficou isolado ao Brasil. Na Europa, os principais índices como Euro Stoxx 50, DAX e CAC caíram cerca de 1,5%. Nos EUA, o Dow Jones caiu 1,6%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq tiveram quedas menores.
Na Ásia, porém, as bolsas se recuperaram após quedas anteriores, com o índice de Seul subindo 9% e o japonês Nikkei quase 2%.
Paulo Silva, da consultoria Advisory 360, comenta que embora o mercado esteja sensível, especialistas acreditam que essas quedas podem ser temporárias, pois a base da economia mundial continua sólida.
O valor maior do dólar reflete uma busca por moeda segura e liquidez, mesmo com os EUA diretamente envolvidos no conflito.
Apesar disso, o índice DXY mostra queda acumulada de mais de 5% no último ano, com uma tendência geral de desvalorização, sendo que os movimentos atuais são esperados como não lineares.
Adriana Ricci, da SHS Investimentos, destaca que o dólar é sempre a reserva segura em momentos de crise e pode subir a curto prazo se o conflito persistir, mantendo sua importância global.
Ela reforça que, independentemente da aparência do dólar, em tempos de busca por segurança, ele é o primeiro recurso procurado.
