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quinta-feira, 26/03/2026

Dólar sobe e bolsa cai por conflitos no Oriente Médio e inflação

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FOLHAPRESS

O dólar está subindo nesta quinta-feira (26), influenciado por preocupações com a guerra no Irã e o bloqueio contínuo no estreito de Hormuz, uma rota crucial por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

Os investidores também estão atentos aos dados de inflação medidos pelo IPCA-15 e ao relatório de política monetária divulgado pelo Banco Central.

Às 12h52, o dólar subia 0,24%, cotado a R$ 5,232, enquanto a Bolsa caía 0,56%, chegando a 184.384 pontos.

Israel informou ter abatido o comandante da força naval da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri, que coordenava ações militares e o bloqueio no estreito de Hormuz. O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, mas ainda não foi confirmado pelo Irã.

Tangsiri liderava as estratégias que impediam a passagem de navios considerados inimigos, ameaçando destruí-los e possivelmente minando a região. Além disso, há riscos de ataques com drones subaquáticos, aviões não tripulados e mísseis. Na guerra, quase 30 navios civis, incluindo petroleiros, foram atacados. Os Estados Unidos, por sua vez, têm atacado posições iranianas e afirmam ter destruído mais de 140 navios iranianos.

Com mais de 90% do tráfego marítimo bloqueado, os preços do petróleo dispararam, ultrapassando US$ 100 o barril. Isso impacta os preços dos combustíveis e pode aumentar a inflação, pressionando o governo do presidente Donald Trump em ano eleitoral.

Trump tem tentado tranquilizar o mercado com notícias de negociações, embora o Irã ora negue, ora sugira que recebe mensagens indiretas. Um movimento discreto de diálogo fez o governo chinês mencionar um ‘raio de esperança’ para a paz.

No aplicativo Truth Social, Trump escreveu que os negociadores iranianos são ‘estranhos’ e ‘imploram’ por um acordo, mas alertou que o Irã não deve subestimar a gravidade da situação, pois há uma chance final e dura pela frente.

Autoridades americanas disseram ter enviado ao Irã um plano de 15 pontos que inclui o fim do programa nuclear iraniano, a cessação do apoio a grupos aliados como o Hezbollah, e a reabertura do estreito de Hormuz. O Irã, no entanto, nega qualquer negociação e afirma que uma trégua não está próxima.

Enquanto na quarta-feira os investidores se mostravam mais otimistas, nesta quinta o ambiente voltou a ser de incerteza, o que tende a favorecer a saída de capitais dos mercados emergentes e a valorização do dólar, segundo Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.

Para o banco J.P. Morgan, o Brasil continua bem posicionado, mesmo com a instabilidade global, atraindo investimentos na América Latina.

Doméstico, o destaque está nos dados de inflação: o IPCA-15 desacelerou para 0,44% em março, depois de 0,84% em fevereiro, superando a previsão do mercado. No acumulado de 12 meses, o índice passou de 4,1% para 3,9%.

O IPCA-15 é um indicador que costuma antecipar o IPCA oficial, refletindo tendências de inflação no país.

André Valério, economista sênior do Inter, comenta que o dado ainda não capta totalmente os efeitos negativos do conflito no Irã, e que embora os preços dos combustíveis tenham recuado ligeiramente em março, no IPCA oficial a gasolina deve pressionar a inflação.

Segundo ele, o processo inflacionário está se encaminhando para a meta, acompanhando o começo da flexibilização da política monetária, e o Copom deve continuar cortando a taxa Selic, dependendo da evolução do conflito, sendo esperado um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de maio.

No relatório de política monetária divulgado hoje, o Banco Central projeta que a inflação subirá até o fim de 2026, e mesmo com uma queda prevista depois, permanecerá acima da meta de 3% até pelo menos o terceiro trimestre de 2028.

A previsão para o IPCA fechado em 2023 foi elevada para 3,9% ante 3,5%, principalmente devido à alta dos preços do petróleo.

O Banco Central sinalizou que a inflação acumulada em quatro trimestres deve cair para 3,6% no primeiro trimestre de 2026, mas depois seguirá em alta, impulsionada pelo petróleo, até terminar 2026 em 3,9%, para posteriormente cair para 3,1% no terceiro trimestre de 2028.

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