FOLHAPRESS
O dólar aumentou 0,69% nesta quinta-feira (26), fechando cotado a R$ 5,255, em meio a um cenário de muita insegurança nos mercados globais.
Os principais motivos foram os temores relacionados à guerra no Irã e o bloqueio contínuo no estreito de Hormuz, uma passagem por onde circula 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo.
No Brasil, os investidores também ficaram atentos aos dados de inflação do IPCA-15 e ao Relatório de Política Monetária divulgado pelo Banco Central.
A tensão no mercado afetou a maioria das moedas. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,38%, chegando a 99,98 pontos, demonstrando força em nível global. As maiores bolsas do mundo fecharam em baixa: em Wall Street, os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones recuaram entre 1% e 2,4%.
O índice Ibovespa também caiu 1,45%, fechando em 182.732 pontos.
Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos, explicou que o mercado está confuso devido às notícias conflitantes sobre um possível cessar-fogo, gerando muita incerteza e volatilidade.
Israel declarou ter eliminado o líder da seção naval da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri, responsável pelo bloqueio do estreito de Hormuz, informação dada pelo ministro da Defesa israelense Israel Katz, mas ainda não confirmada pelo Irã.
O bloqueio interrompeu mais de 90% do tráfego na região, o que aumentou o preço do petróleo acima de US$ 100 o barril nesta quinta-feira. Isso deve pressionar ainda mais a economia americana, liderada pelo presidente Donald Trump, às vésperas das eleições de meio de mandato.
Donald Trump publicou em sua rede social que os negociadores iranianos estão “implorando” por um acordo, mas alertou que é melhor que levem a sério as negociações antes que seja tarde demais, caso contrário, as consequências serão severas.
Autoridades dos EUA também informaram que enviaram ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar o conflito, incluindo o desmantelamento do programa nuclear iraniano, o fim do apoio a grupos aliados e a reabertura do estreito de Hormuz, porém o Irã negou qualquer negociação.
Ebrahim Zolfaqari, porta-voz militar iraniano, disse que uma trégua não está prevista no momento.
O diretor de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão, afirmou que esse clima de instabilidade tende a fazer sair capital dos mercados emergentes e valorizar o dólar.
Segundo o banco J.P. Morgan, o Brasil continua em boa posição, atraindo investimentos mesmo com a crise global, por ser um dos mercados emergentes mais estáveis na América Latina.
Em relação à inflação, o IPCA-15 desacelerou para 0,44% em março, contra 0,84% em fevereiro, acima da expectativa de 0,29%. No acumulado de 12 meses, o índice caiu para 3,9% até março, ante 4,1% até fevereiro.
André Valério, economista do Inter, destacou que o dado ainda não reflete totalmente o impacto do conflito internacional, que deve pressionar os preços dos combustíveis na inflação oficial do país.
O Banco Central projeta que a inflação subirá até o fim de 2026, mas deve cair depois, mantendo-se acima da meta de 3% até pelo menos o terceiro trimestre de 2028, com previsão de IPCA para 2026 em 3,9%, devido ao aumento dos preços do petróleo.

