O dólar está subindo no Brasil nesta quinta-feira (5), pois os investidores procuram segurança devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
A taxa de desemprego no Brasil para o trimestre encerrado em janeiro de 2026 também está sendo observada pelos investidores.
Às 11h45, o dólar subiu 0,7%, chegando a R$ 5,255, refletindo a valorização da moeda no exterior. A Bolsa de Valores caiu 1,86%, atingindo 181.900 pontos.
O conflito no Oriente Médio ainda não mostra sinais de melhora, trazendo instabilidade aos mercados financeiros.
Na quarta-feira, um submarino dos EUA atacou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico, perto do Sri Lanka. Pelo menos 87 pessoas morreram e 32 foram resgatadas, com 60 desaparecidas.
Essa ação faz parte de uma campanha militar ampliada dos EUA contra o Irã. O ataque ocorreu a mais de 3.200 km do Irã, ampliando o alcance da guerra. O Irã respondeu com ataques a mísseis em países do Oriente Médio, incluindo até locais distantes, como Chipre e Turquia.
O governo do Sri Lanka não comentou publicamente o conflito, apesar de manter relações amigáveis com o Irã.
Abbas Araghchi, chanceler do Irã, acusou os EUA de cometer uma “atrocidade” e alertou que o país vai se arrepender pela situação criada.
Lucca Bezzon, analista da Stonex, destaca que ambos os lados continuam atacando, mantendo o medo global e pressionando a moeda brasileira.
A guerra também afeta o mercado de energia, pois o Irã é responsável por cerca de 3% da produção mundial de petróleo e controla o estratégico Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás global.
Donald Trump mencionou a possibilidade de enviar a Marinha para escoltar navios petroleiros pelo estreito, mas a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que controla totalmente a passagem.
O Irã declarou ter fechado o Estreito de Hormuz. O Qatar suspendeu a produção de gás natural, provocando paradas preventivas na produção de petróleo e gás no Oriente Médio, área que representa cerca de 20% da oferta mundial.
O petróleo Brent, referência global, subiu mais de 3%, cotado a US$ 84 nesta quinta-feira. A guerra interrompeu o fornecimento e transporte, afetando o mercado mundial e aumentando os riscos de escassez.
Refinarias na China e Índia pararam temporariamente de processar petróleo bruto devido à interrupção no fornecimento, já que ambos dependem do Oriente Médio. Mesmo com a alta do petróleo, as ações da Petrobras caíram mais de 1%, indicando que investidores estão evitando riscos.
O dólar também está valorizado globalmente, não só contra moedas de economias emergentes, como o rand e o peso colombiano, mas também em relação a moedas fortes. O índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas fortes, subiu 0,3% e está em 99,07 pontos, mostrando valorização generalizada.
Apesar disso, o índice caiu mais de 5% no último ano. Analistas esperam que a desvalorização aconteça de forma irregular.
Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos, explica que o dólar é considerado seguro em crises, pois é a moeda de reserva global. Se o conflito diminuir, a alta pode ser temporária, mas se durar, o dólar pode continuar forte.
Em bolsas globais, os resultados são mistos. Na Ásia, os índices subiram após quedas recentes: a bolsa de Seul teve alta de 9% e o Nikkei do Japão subiu quase 2%.
Na Europa, o Euro Stoxx 600 caiu 0,5%, enquanto DAX da Alemanha e CAC da França caíram 1%. Em Wall Street, Dow Jones abriu em baixa de 0,5%, e S&P 500 e Nasdaq caíram 0,3% e 0,4%, respectivamente.
Paulo Silva, cofundador da Advisory 360, acredita que o cenário atual pode causar quedas pontuais, mas não deve iniciar um ciclo longo de baixa, já que os fundamentos econômicos globais permanecem sólidos.
No Brasil, o IBGE informou que a taxa de desemprego foi 5,4% no trimestre até janeiro de 2026, mesma taxa dos três meses anteriores. A previsão do mercado era também 5,4%, segundo a Bloomberg.

