FOLHAPRESS
O dólar está subindo bastante nesta quarta-feira (3) devido à preocupação com a guerra no Irã e as novas tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil, que fazem os investidores buscarem investimentos mais seguros.
Por volta das 15h, o dólar estava 1,22% mais alto, sendo cotado a R$ 5,071 (chegou a subir até R$ 5,075, alta de 1,30%). No mercado internacional, o índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas importantes, subiu 0,30%.
Ao mesmo tempo, a bolsa caiu 2,21%, ficando com 170.346 pontos, com a maioria das ações em queda, apagando os ganhos do pregão anterior, quando subiu 1,16%.
Essa situação é global, já que os novos ataques no Oriente Médio diminuem o interesse dos investidores por riscos.
Na noite de terça-feira, os EUA lançaram um míssil contra um navio-tanque que ia para o Irã, e as forças iranianas responderam com dois mísseis contra o Kuwait e três contra o Bahrein. Um ataque do Irã ao Kuwait causou uma morte e vários feridos.
Esses eventos causaram pessimismo nos investidores no mundo todo. Nos EUA, as bolsas Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones caíram, assim como os principais índices da Europa, como Euro Stoxx 50 e DAX.
O preço do petróleo também subiu, com o Brent aumentando 1,80%, chegando a US$ 97,75 por barril.
O conflito causa preocupação com negociações paradas entre os países.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã concordou em não ter armas nucleares e deve se encontrar com o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.
O conflito afeta o transporte marítimo pelo estreito de Hormuz, que é caminho para 20% do petróleo e gás do mundo.
Com isso, os custos das commodities sobem e os investidores temem aumento da inflação global e manutenção das taxas de juros altas, principalmente nos EUA.
Com juros altos nos EUA, os investidores preferem renda fixa americana, vista como investimento seguro, e evitam riscos, o que desvaloriza moedas de países emergentes como o real.
Leonel Oliveira Mattos, analista da StoneX, afirma que a situação mostra que as negociações entre EUA e Irã esfriaram e que o conflito não tem solução rápida, aumentando os riscos globais e pressionando o câmbio.
No Brasil, investidores também reagem à nova rodada de tarifas dos EUA contra parceiros comerciais, incluindo o Brasil.
Na madrugada de hoje, o governo americano propôs uma tarifa de 12,5% contra o Brasil por uso de trabalho forçado, dentro de uma investigação que envolve 59 países e a União Europeia.
Segundo o Escritório de Comércio dos EUA (USTR), o Brasil não proíbe efetivamente a importação de produtos feitos com trabalho forçado, o que é considerado injustificável e cria obstáculos ao comércio americano.
Essa tarifa se somaria à sobretaxa de 25% já proposta na terça-feira, podendo chegar a 37,5% no total.
A decisão final sobre a aplicação das tarifas cabe ao presidente Donald Trump.
O economista Ian Lopes comenta que o mercado reagiu bem inicialmente, mas agora demonstra preocupação com o impacto nas empresas exportadoras.
Leonel Oliveira Mattos destaca que essas medidas são uma tentativa de retomar barreiras comerciais, aumentando a percepção de riscos e fazendo os investidores evitarem ativos mais arriscados como o real, o que aumenta o valor do dólar no Brasil.
