FOLHAPRESS
O dólar está subindo nesta quarta-feira (7), porque os investidores estão revendo suas expectativas sobre a política de juros dos Estados Unidos depois que os dados de emprego foram inferiores ao esperado.
Além disso, a recente ação militar dos EUA na Venezuela e o impacto desses eventos no mercado mundial de petróleo continuam influenciando as negociações.
Por volta das 11h58, o dólar aumentou 0,16%, chegando a R$ 5,389. Enquanto isso, a Bolsa caiu 0,95%, alcançando 162.107 pontos.
O relatório da ADP mostrou que o número de empregos criados nos EUA em dezembro foi menor do que o previsto. Foram abertas 41 mil vagas no setor privado, enquanto em novembro houve fechamento de 29 mil empregos. Economistas consultados pela Reuters esperavam um aumento de 47 mil vagas.
Esse relatório antecede o payroll, que é o dado oficial do mercado de trabalho americano e será divulgado na sexta-feira. Embora a estimativa da ADP nem sempre coincida com o relatório oficial, ele é considerado um indicativo importante para os investidores avaliarem a saúde da economia.
O mercado está atento para entender qual será a próxima decisão do Federal Reserve, o banco central dos EUA, sobre a taxa de juros, prevista para o fim do mês. A maior parte dos investidores (82%) acredita que as taxas atuais entre 3,5% e 3,75% serão mantidas, enquanto 18% esperam um corte de 0,25 pontos percentuais.
A atenção também está voltada para a pesquisa Jolts, que será publicada no início da tarde e é o último indicador antes do relatório oficial de sexta-feira. Mudanças inesperadas nesses números podem alterar as expectativas sobre os juros e afetar o interesse em ativos financeiros de maior risco.
Elias Haddad, chefe global de estratégia de mercados da Brown Brothers Harriman, comentou: “Novas quedas nas taxas de contratação e demissão mostrariam uma piora na demanda por mão de obra. Se isso acontecer, cortes maiores nas taxas de juros podem ser previstos para 2026, pressionando o dólar.”
Em paralelo, continua a repercussão sobre a ação dos EUA na Venezuela no último fim de semana.
O presidente Donald Trump anunciou um plano para refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam bloqueados pelo embargo americano, o que fez os preços do petróleo Brent caírem pela manhã. Por volta das 12h, o preço caiu 0,56%, para US$ 60,36 o barril.
Trump declarou na sua plataforma Truth Social que “este petróleo será vendido ao preço de mercado, e o dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos EUA”. Os EUA consomem cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia.
O barril WTI, referência nos EUA, chegou a cair 2,4% após o anúncio de Trump. A quantidade proposta equivale a 30 a 50 dias da produção venezuelana antes das sanções. Esse volume valeria cerca de US$ 2,8 bilhões (R$ 15 bilhões) na cotação atual.
O Financial Times reportou que uma frota de navios petroleiros dos Estados Unidos deve iniciar o carregamento desse petróleo venezuelano nos próximos dias.
Até agora, o mercado avalia que os efeitos sobre os preços dos ativos têm sido moderados.
Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury, afirmou: “O movimento inicial para buscar segurança no dólar já diminuiu. Isso não é uma surpresa, considerando a limitada integração da Venezuela na economia mundial, que tem sido restringida por sanções e políticas governamentais.”
Ele também comentou que a remoção do governo atual venezuelano indica uma mudança política gradual, possivelmente pacífica, que pode abrir a economia do país. “A indústria petrolífera, principal fonte de crescimento da Venezuela, parece estar prestes a ser reestruturada pelos EUA, o que deve aumentar a produção nos próximos anos. No entanto, uma recuperação rápida não é esperada, e qualquer impacto nos preços globais do petróleo deve demorar a aparecer.”
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e é um membro fundador da Opep, mas sua indústria está deteriorada, produzindo menos de 1% do volume mundial atualmente.
No Brasil, com o Congresso e parte das autoridades do Executivo em recesso, os investidores permanecem cautelosos sem muitos estímulos para operar por enquanto. Dados do IPCA, índice oficial de inflação no país, serão divulgados na sexta-feira.
