O dólar subiu nesta terça-feira (13) enquanto o mercado financeiro ajusta suas expectativas sobre os juros nos Estados Unidos, após a divulgação de dados de inflação em linha com o previsto.
Investidores também estão atentos à tensão entre o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, e o governo do ex-presidente Donald Trump, que iniciou uma investigação criminal contra o presidente do Fed, Jerome Powell.
Às 16h, o dólar avançava 0,11%, cotado a R$ 5,378, acompanhando o movimento internacional. Em contrapartida, a Bolsa caiu 0,71%, atingindo 161.991 pontos, mesmo com a alta de mais de 2% das ações da Petrobras.
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) indicou que a inflação subiu 0,3% em dezembro, após ajustes relacionados à paralisação do governo federal. No balanço anual, o índice cresceu 2,7%, resultado previsto por economistas.
Essa alta da inflação, combinada com a recente queda na taxa de desemprego, reforça a expectativa de que o Fed manterá as taxas de juros estáveis na próxima reunião, com 95% dos operadores acreditando que a taxa esteja entre 3,5% e 3,75%. Apenas 5% apostam em uma redução de 0,25 ponto percentual.
Jerome Powell já havia sinalizado a possibilidade de pausa nos cortes de juros no último encontro de 2025. O Fed busca manter o equilíbrio entre pleno emprego e estabilidade dos preços, estando numa posição confortável para monitorar a economia antes de quaisquer mudanças.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca que os juros atualmente estão próximos ao nível neutro, permitindo que o Fed analise os dados econômicos antes de decidir os próximos passos.
Juros elevados nos EUA costumam atrair investidores globais, pois a economia norte-americana é vista como segura, tornando seus investimentos menos arriscados que outros mercados.
No Brasil, a estratégia do carry-trade predomina: investidores tomam empréstimos nos EUA e aplicam no Brasil para aproveitar a alta taxa de juros local, atualmente em 15% ao ano, o que acaba valorizando o real frente ao dólar.
A investigação criminal contra Jerome Powell, relacionada a supostas mentiras sobre a reforma da sede do Fed, foi interpretada como uma pressão política para cortes nos juros, levantando dúvidas sobre a independência da autoridade monetária.
Powell afirmou que a investigação é uma forma de pressão política e destacou a importância de decisões baseadas em evidências e condições econômicas, não em influência política.
Donald Trump tem repetidamente pedido a renúncia de Powell e pressionado por juros mais baixos, chegando a dizer que gostaria de demiti-lo.
Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, explica que bancos centrais independentes são valorizados pelo mercado, e a pressão sobre o Fed fez investidores venderem dólares, enquanto ativos como ouro e prata bateram recordes.
Nickolas Lobo, especialista da Nomad, acrescenta que a incerteza prejudica a atratividade dos ativos americanos, impulsionando a diversificação global dos investimentos.
No âmbito corporativo, ações da Petrobras subiram mais de 2%, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. Em contraste, a Hapvida teve queda de 8% após mudança na sua vice-presidência comercial.
