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quinta-feira, 19/03/2026




dólar sobe e bolsa cai após fed manter juros; investidores aguardam copom

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Em Brasília

TAMARA NASSIF
FOLHAPRESS

O dólar terminou o dia em alta de 0,72%, cotado a R$ 5,243, impulsionado pela decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%, conforme esperado pelo mercado.

O Fed mencionou incertezas sobre os efeitos do conflito no Oriente Médio na economia americana. Durante a coletiva, o presidente Jerome Powell declarou que não haverá redução dos juros sem avanços na inflação, que apesar de estar desacelerando, ainda não está no ritmo desejado. Esta postura foi interpretada como mais rígida pelos investidores, afetando negativamente os ativos de risco.

A Bolsa de Valores brasileira recuou 0,42%, fechando em 179.639 pontos, após atingir uma alta de 181.550 pontos durante o pregão. O mercado agora aguarda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que será divulgada às 18h30.

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários também fecharam em baixa, refletindo a instabilidade diante do conflito que elevou os preços do petróleo a patamares não vistos em quatro anos, e aumentou o custo da gasolina e do diesel em mais de 25% em comparação ao período pré-conflito.

O economista-chefe Gustavo Sung, da Suno Research, explica que o impacto do choque geopolítico ainda não está totalmente refletido nos dados de inflação, mas já é perceptível nos preços dos combustíveis, o que dificulta o controle da política monetária. Após um período de desaceleração da inflação, o recente aumento dos custos de energia pode atrasar o processo de redução dos preços.

Na coletiva, Powell afirmou que ainda é cedo para avaliar completamente a influência do conflito na economia, mas adiantou que o aumento no preço do petróleo deve afetar os núcleos de inflação. Sem melhorias claras nos indicadores, cortes nos juros não serão considerados.

O especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, destaca que o Fed mudou o foco da comunicação, passando a priorizar a inflação ao invés do mercado de trabalho. Ele ressalta que o banco central está menos propenso a antecipar cortes de juros e aguarda evidências claras de desaceleração nos preços.

As expectativas são de apenas um corte nos juros até o final do ano. No Brasil, a situação está incerta devido à influência do conflito no Irã, que alterou previsões anteriores sobre a Selic. Agora, algumas instituições estimam que a taxa básica de juros permanecerá estável em 15% ao ano, enquanto outras preveem cortes menores ou nenhuma mudança.

De acordo com uma pesquisa da Bloomberg com 30 instituições, 10 estimam corte para 14,5%, 19 preveem redução para 14,75% e uma aposta na manutenção dos 15%. O boletim Focus do Banco Central também aponta redução para 14,75%, revisando a expectativa anterior de 14,5%. O diferencial de juros entre Brasil e EUA tem ajudado a atrair investimentos e a manter o dólar em níveis mais baixos contra o real recentemente, porém a guerra tem pressionado a alta do dólar.




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