Em 22 de outubro, o dólar apresentou aumento leve frente ao real, acompanhando a valorização da moeda americana em relação a outras moedas emergentes. O mercado global demonstrou aversão ao risco devido a preocupações com os investimentos em inteligência artificial (IA) e aumento nos preços do petróleo.
O real teve comportamento parecido com outras moedas latino-americanas, mesmo diante das dúvidas sobre o resultado da disputa presidencial, que permanece acirrada segundo pesquisas recentes.
Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CPVAR, comenta que este movimento de cautela não é exclusivo do Brasil, sendo influenciado por incertezas globais e pela oscilação nos preços do petróleo. Segundo ele, o cenário ainda favorece o candidato Flávio Bolsonaro, apesar do empate técnico nas pesquisas.
O dólar fechou o dia cotado a R$ 5,0394, mostrando leve alta de 0,23%, após oscilar entre R$ 5,0226 e R$ 5,0559 durante o pregão. Na semana, entretanto, a moeda norte-americana ainda registra queda de 0,67%, acumulando baixa de 2,62% em outubro.
Recentes pesquisas indicam uma disputa apertada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Espera-se pelos resultados da pesquisa Datafolha para obtenção de mais informações sobre a preferência do eleitorado.
De acordo com Marcelo Fonseca, uma vitória de Flávio Bolsonaro pode apoiar o dólar a níveis próximos a R$ 4,90, enquanto uma reeleição de Lula poderia levar a moeda a subir para cerca de R$ 5,30 devido a preocupações fiscais.
O índice que mede o dólar frente a grandes moedas internacionais registrou leve queda, puxado pela desvalorização frente ao iene japonês, enquanto os títulos do Tesouro americano tiveram rendimentos em baixa, refletindo a busca por ativos mais seguros.
Os preços do petróleo Brent tiveram alta de 4%, chegando a US$ 113,17 o barril, impactados pelas tensões no Oriente Médio, especialmente entre o grupo Houthis e a Arábia Saudita.
Bolsa de Valores
A postura cautelosa no cenário global influenciou negativamente o Ibovespa, que fechou em queda de 1,15%, refletindo também o nervosismo com a corrida presidencial e a expectativa pelo segundo turno. O índice passou a acumular baixa na semana e reduziu o ganho mensal para 9,54%.
Empresas do setor financeiro, como o Bradesco, tiveram seus papéis pressionados, com o setor sendo o principal responsável pela queda geral. Por outro lado, algumas ações como Petrobras PN registraram pequena alta junto com o aumento do preço do petróleo.
Josias Bento, especialista em investimentos, destaca que a combinação de tensão política e fatores externos tem impactado o humor dos investidores.
Estudos recentes mostram que o mercado tem aumentado a proteção contra cenários adversos através do crescimento da demanda por opções de venda (puts), um indicativo de apreensão dos investidores para o período pós-eleição.
O mercado aguarda ainda o balanço trimestral do Bradesco, previsto para divulgação após o fechamento do pregão, que deve apresentar resultados positivos.
Mercado de Juros
A disputa eleitoral apertada levou os juros futuros a subir de forma consistente. Profissionais do mercado têm reduzido posições arriscadas, refletindo a cautela diante das pesquisas que indicam empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Rumores eleitorais e manifestações nas redes sociais também adicionam incerteza, enquanto o avanço no preço do petróleo mantém pressão sobre os juros, mesmo com a queda absoluta nos rendimentos dos títulos americanos.
As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) para diferentes vencimentos apresentaram alta, indicando maior aversão ao risco no médio e longo prazo.
Especialistas observam que essa postura deve continuar até a definição da eleição ou até que haja maior clareza sobre os resultados finais.
Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, ressalta que o mercado de renda fixa permanece em equilíbrio instável e que os juros podem oscilar após a realização do segundo turno.
Kamakshya Trivedi, estrategista-chefe de mercados emergentes do Goldman Sachs, afirma que o atual nível das taxas aproxima-se do justo valor, abrindo oportunidades para apostas em baixa no curto prazo.
O cenário atual é marcado por muita cautela e ajustes constantes, acompanhando as oscilações políticas e econômicas recentes.


