O dólar iniciou o dia em alta, influenciado por uma proposta do economista André Lara Resende, que sugere reduzir a taxa Selic através de um novo acordo entre as políticas fiscal e monetária do país.
Além disso, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos atraem atenção, com a expectativa de que o Partido Democrata avance nas disputas, impactando o mercado.
Por volta das 9h40, o dólar estava 0,88% mais caro, cotado a R$ 5,494, uma alta maior do que a observada nos mercados internacionais, onde a variação foi de apenas 0,07%.
André Lara Resende argumenta que o principal problema fiscal do Brasil está nos juros elevados, não nos gastos do governo que excluem os juros. Ele explica que a alta da Selic faz a dívida crescer mais rápido do que a economia consegue acompanhar.
A dívida pública brasileira atual corresponde a 82,9% do PIB, o maior nível desde 2021. Para equilibrar essa situação, seria necessário um ajuste fiscal de cerca de R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos.
O economista propõe um limite para a taxa Selic, que atualmente está em 13,75% ao ano e com valores em dois dígitos desde 2022.
A notícia dessa proposta gerou preocupação entre analistas, sendo que alguns economistas próximos ao partido no governo rejeitam a ideia, alegando que apenas discutir essa possibilidade pode gerar incertezas no mercado.
Nas eleições americanas, serão escolhidos todos os 435 deputados e um terço do Senado. Atualmente, os republicanos dominam ambas as casas, oferecendo apoio ao presidente Donald Trump.
Se os democratas ganharem a Câmara dos Representantes, isso pode abrir caminho para investigações que envolvam desde políticas internas da Casa Branca até negociações comerciais com outros países, incluindo o Brasil.
Na última sexta-feira (30), o dólar fechou em alta de 1,12%, cotado a R$ 5,447, atingindo a maior cotação desde o final de 2025. Esse movimento ocorreu em meio à formação da taxa Ptax de fim de mês e dados divulgados sobre o mercado de trabalho brasileiro.
O índice Ibovespa, principal da Bolsa brasileira, caiu 0,74%, alcançando o menor nível desde 19 de agosto, numa sequência de cinco quedas consecutivas. A continuidade do governo atual tem gerado dúvidas sobre a condução da política econômica e a evolução da dívida pública, pressionando os ativos nacionais.
Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos da GT Capital, comenta que a Bolsa perdeu quase 20% desde o recorde de 209 mil pontos. Essa queda reflete a mudança nas apostas dos investidores após o primeiro turno das eleições, quando a vitória de Flávio Bolsonaro parecia mais provável.
Entre o primeiro e o segundo turno, o índice subiu quase 7%, impulsionado por ações de setores como varejo, construção, consumo e educação. Entretanto, com a reeleição de Lula, essas expectativas mudaram, fazendo o mercado exigir um prêmio maior pelo risco fiscal, elevando os juros de longo prazo e dificultando cortes significativos na Selic.
Também houve saída de investidores estrangeiros, com saldo negativo de R$ 2,8 bilhões só na quarta-feira passada. Isso indica uma reavaliação do risco-país, não apenas um movimento isolado de pânico.
Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, destaca que logo após o segundo turno, o Ibovespa sofreu uma queda superior a 13%, acionando o mecanismo de suspensão das negociações.
O cenário externo também aumentou a cautela, pois o Federal Reserve dos EUA manteve os juros estáveis, deixando dúvidas sobre a política monetária americana e seus efeitos nos ativos de risco.
Nas próximas semanas, a Bolsa brasileira deve permanecer sensível às notícias políticas e às decisões sobre a equipe econômica do novo governo, que influenciarão os rumos da política fiscal do país.
No Brasil, a taxa de desemprego ficou em 5,2% no trimestre até setembro, o menor índice desde 2012, de acordo com o IBGE. O economista sênior André Valério observa que o mercado de trabalho está próximo de um pico e com pouca chance de melhora significativa, apontando para uma desaceleração gradual.
António Ricciardi, economista do Banco Daycoval, ressalta a importância de acompanhar o crescimento da massa salarial, que deve encerrar o ano com alta real de aproximadamente 3,8%, mostrando resiliência no mercado de trabalho.
No mercado de câmbio, a formação da taxa Ptax no final do mês pode aumentar a volatilidade, pois investidores tentam influenciar os preços para favorecer suas posições, gerando oscilações maiores principalmente na primeira parte do pregão.
Em Wall Street, os principais índices fecharam em queda acentuada. O S&P 500 recuou 2,10%, o Dow Jones 1,09% e o Nasdaq teve a maior queda, de 2,86%.
Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, explica que as preocupações com o setor de tecnologia aumentaram após os resultados divulgados por empresas como Google e Microsoft, que pressionaram as bolsas americanas.
A Microsoft chegou a apresentar alta inicial, mas terminou o pregão em queda. Já a Amazon divulgou resultados abaixo do esperado em receita e lucro, apesar do crescimento de cerca de 40% projetado para seus serviços de nuvem AWS em 2027 e 2028.
Fernando Saad Benati observa que as ações da Amazon sofreram forte pressão principalmente devido aos investimentos elevados em infraestrutura, que pesam nos resultados.
Além das questões tecnológicas, fatores geopolíticos também influenciaram o mercado. O preço do petróleo Brent caiu para US$ 112,33 por barril, uma baixa de 0,98%.

