O dólar iniciou o dia em alta nesta sexta-feira (30), em um dia importante para a formação da taxa Ptax de fim de mês e após a divulgação de dados recentes do mercado de trabalho no Brasil.
A taxa de desemprego do país caiu para 5,2% no trimestre até setembro, o menor índice para esse período desde 2012, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Esse número representa uma melhora em relação aos 5,4% registrados no trimestre até junho.
A pesquisa faz parte da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
Às 9h52, o dólar estava 1,05% mais caro, cotado a R$ 5,443.
A Ptax, calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, é uma taxa que serve para referência na liquidação de contratos futuros e é definida no último dia útil de cada mês. Esse processo pode aumentar a volatilidade do câmbio, pois investidores podem tentar movimentar o preço do dólar para favorecer suas posições.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de seis moedas fortes, teve leve baixa de 0,02%.
Na quinta-feira (29), o dólar já havia subido 0,76%, sendo cotado a R$ 5,387, enquanto a Bolsa de Valores caiu 1,06%, influenciada por ações de bancos e empresas do setor cíclico.
Investidores estão cautelosos diante da incerteza sobre a política econômica do governo Lula e atentos a dados econômicos dos Estados Unidos.
Analistas também estão preocupados com a evolução da dívida pública brasileira. A inflação americana de setembro mostrou-se resistente, aumentando as expectativas de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados, o que torna os investimentos nos Estados Unidos mais atraentes que os brasileiros.
Essas incertezas têm impactado os ativos brasileiros, que registraram quatro dias seguidos de queda. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário, chegou a cair 1,31% no dia.
Alexandre Pletes, especialista em renda variável da Faz Capital, comentou que este ambiente de incerteza natural diante da falta de uma política econômica clara no Brasil aumenta a aversão ao risco dos investidores.
As atenções continuam voltadas ao cenário político brasileiro, com expectativa sobre decisões e nomes que ocuparão posições na equipe econômica do governo Lula.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou a necessidade de dar sinais claros ao mercado e afirmou que o governo já possui medidas preparadas para buscar o equilíbrio fiscal.
Entre os cotados para o ministério da Economia está o governador do Piauí, Rafael Fonteles, que indicou disposição para assumir o cargo, renunciando ao mandato estadual.
No entanto, outras autoridades do governo, como José Guimarães, ministro da Secretaria de Relações Institucionais, disseram que um pacote de ajuste fiscal não é prioridade neste momento.
Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, manifestou-se nas redes sociais sobre a rejeição a cortes nas políticas sociais durante as eleições.
A reeleição de Lula acentuou as preocupações dos investidores sobre a capacidade do governo de equilibrar as contas públicas. Segundo dados do Banco Central, a dívida bruta do país se manteve em 82,9% do PIB em setembro, o maior patamar desde 2021.
Uma política fiscal expansionista pode aumentar o risco para financiadores do governo, pressionando os juros e tornando o crédito mais caro, o que afeta as perspectivas das empresas e da bolsa.
Os juros futuros reagiram, com contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2031 e 2035 registrando altas nos pontos-base.
Segue no radar a possibilidade de cobrança de IOF sobre títulos de investimento incentivos, como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas, o que tem aumentado a preocupação sobre a previsibilidade das regras para investidores.
Gustavo Danilo, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, comentou que essa discussão gera incertezas no mercado devido à importância desses investimentos para setores essenciais da economia.
O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, negou que a tributação desses títulos esteja em discussão atualmente, afirmando que o governo analisa formas para ajustar distorções, mas ainda sem medidas definidas.
No cenário internacional, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que o PCE, índice usado pelo Fed para meta de inflação, avançou 3,6% nos últimos 12 meses até setembro, confirmando as expectativas dos analistas.
O PIB americano cresceu 3,4% no terceiro trimestre, superando a projeção de 3,2%.
O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros entre 3,75% e 4%, reafirmando o compromisso com o controle da inflação.
“Mais informações ajudarão o Comitê a definir a política monetária adequada para trazer a inflação a 2% a tempo”, anunciou o Comitê Federal de Mercado Aberto responsável pela decisão.
Leonel Oliveira Matos, analista da StoneX, destacou que os dados indicam uma inflação nos EUA que deve levar a elevações de juros, o que normalmente fortalece o dólar, embora o índice DXY tenha recuado 0,19% nesta manhã.
Os principais índices da bolsa americana fecharam em queda, com o S&P 500 caindo 0,27%, Nasdaq 1,40% e Dow Jones 0,25%.

