O dólar começou o dia com alta nesta quinta-feira (2), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que continuará os ataques contra o Irã durante um discurso na noite da quarta-feira (1º).
Esse pronunciamento mudou o clima de otimismo recente, que indicava que a guerra no Oriente Médio poderia estar chegando ao fim.
Às 9h33, o dólar subia 0,39%, cotado a R$5,176. No mercado internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a outras seis moedas fortes, crescia 0,55%, chegando a 100,12 pontos.
Durante o discurso, Trump afirmou que os objetivos militares dos EUA no Irã estão “quase completos”, mas não detalhou os planos nem deu previsão para o fim do conflito.
Trump declarou que a guerra continuará até que todos os objetivos sejam totalmente alcançados, afirmando que o país “levará o Irã de volta à Idade da Pedra” rapidamente, e que o Irã será “completamente derrotado”.
Ele também minimizou os efeitos do bloqueio no estreito de Hormuz, uma rota por onde passa um quinto do petróleo mundial, dizendo que os EUA não precisam do petróleo do Oriente Médio.
Na quarta-feira (1º), o dólar tinha fechado com queda de 0,43%, a R$5,157, enquanto a Bolsa de Valores subiu 0,26%, chegando a 187.952 pontos.
Os investidores reagiram às declarações do presidente sobre o conflito. Trump relatou que o Irã teria pedido um cessar-fogo, mas que os EUA só aceitarão analisá-lo quando o estreito de Hormuz for reaberto.
Ele afirmou: “Vamos considerar o cessar-fogo somente quando o estreito de Hormuz estiver aberto e livre. Até lá, continuaremos a reduzir o Irã a nada, como voltar para a Idade da Pedra”. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã negou essas declarações, classificando-as como falsas.
A Casa Branca informou que Trump fará um pronunciamento importante sobre o Irã, marcado para as 22h (horário de Brasília) da quarta-feira (1º).
O discurso de Trump seguiu um tom mais firme do que o da noite anterior, em que ele indicou que os EUA poderiam encerrar os ataques em duas ou três semanas, mesmo sem um acordo com o Irã.
Trump disse na Casa Branca: “Vamos sair muito em breve” em referência à guerra.
Segundo o Wall Street Journal, a decisão de possível saída dos EUA do conflito, mesmo sem acordo, ocorreu devido ao controle iraniano do estreito de Hormuz e ao receio de Trump de prolongar a guerra.
Para Otávio Araújo, consultor da ZERO Markets Brasil, o cenário geopolítico influenciou positivamente o mercado: “A menor tensão no Irã aliviou o dólar e ajudou o desempenho da Bolsa”.
O conflito também tem causado instabilidade no mercado de petróleo, afetado pelo bloqueio no estreito de Hormuz, e a commodity chegou a US$119 por barril após ataques no Oriente Médio.
A expectativa de um cessar-fogo animou os investidores, e o preço do petróleo Brent caiu 2,89%, para US$100,97, enquanto o WTI caiu 1,76%, para US$99,60. Essa queda afetou as ações da Petrobras, que recuaram 2,67%.
Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a expectativa de fim do conflito mudou o cenário do mercado, pois antes as tensões elevavam a moeda americana, vista como proteção.
A guerra no Oriente Médio também tem afetado as decisões dos bancos centrais ao redor do mundo, citada pelo Fed e pelo Banco Central do Brasil no mês atual, devido ao risco de inflação global alta.
O presidente do Banco Central brasileiro, Gabriel Galípolo, comentou que a taxa de juros elevada criou margem para que o banco iniciasse relaxamento mesmo com a guerra afetando a economia.
Ele destacou que o Banco Central continuará cauteloso, esperando os próximos desdobramentos do conflito para decidir sobre os juros.
Essa situação aumentou a procura por ativos considerados seguros, como o dólar e a renda fixa, e causou perdas nas bolsas ao longo de março.
Em tempos de incerteza, investidores preferem ativos mais líquidos e seguros, como o dólar.
Há preocupação que o preço alto do petróleo devido ao conflito pressione a inflação global, levando bancos centrais a manter juros altos, o que favorece ativos de renda fixa.
No Brasil, em março, a Bolsa caiu 0,70%, enquanto o dólar subiu 0,90%.

