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domingo, 22/03/2026




Dólar sobe após ataques no Oriente Médio; bolsa cresce com Petrobras

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FOLHAPRESS

O dólar terminou o dia com alta de 0,60%, sendo cotado a R$ 5,164, nesta segunda-feira (2), depois dos ataques realizados por EUA e Israel contra o Irã e da resposta iraniana que afetou outros países do Oriente Médio.

No mercado externo, o dólar também valorizou-se, com o índice DXY subindo 0,78%, alcançando 98,37 pontos. Durante a manhã, a moeda chegou a subir 1,59%, atingindo o valor máximo de R$ 5,215. Contudo, perdeu força ao longo da tarde, reduzindo os ganhos.

A bolsa de valores brasileira fechou em alta de 0,27%, chegando aos 189.307 pontos, impulsionada pela valorização do petróleo, que subiu até 10,15% na mesma segunda-feira, beneficiando empresas nacionais do setor energético.

Destaque para as ações da Petrobras, que subiram até 5,59%. Empresas como PRIO e Brava Energia também tiveram ganhos significativos, chegando a 6,68% e 4,98%, respectivamente.

Relatório do banco BTG Pactual explica que a redução no tráfego de navios e o aumento dos custos de seguro estão limitando a oferta de petróleo no curto prazo, criando um prêmio geopolítico no preço do Brent. A duração do conflito no Oriente Médio será determinante para o impacto futuramente.

O comandante da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o estreito de Hormuz está fechado, ameaçando incendiar navios que tentem passar, segundo a mídia local.

O conflito começou no último sábado (28), quando os EUA e Israel atacaram o Irã, atingindo lideranças do governo e das Forças Armadas do país. Foram mortos o líder supremo Ali Khamenei e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, além de centenas de outras vítimas. Em retaliação, o Irã atacou portos e bases americanas e locais nos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Omã e Kuwait.

O presidente dos EUA, Donald Trump, estimou que o conflito pode durar entre quatro e cinco semanas, mas ressaltou que o país tem capacidade para ir além desse prazo.

Para especialistas, como Gustavo Trotta da Valor Investimentos, qualquer previsão de duração ajuda a reduzir a incerteza nos mercados. Lucca Bezon, da StoneX, acrescenta que a valorização do dólar e do ouro reflete o aumento da aversão ao risco em economias emergentes.

Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, destaca o impacto no petróleo, especialmente se o estreito de Hormuz permanecer fechado por um longo período, o que pode elevar o preço do barril para perto de US$ 100, influenciando diretamente índices de inflação pela importância do petróleo globalmente.

O preço do petróleo Brent atingiu alta de 13% na abertura do mercado internacional no domingo (1º), com o valor chegando a US$ 81,89 por barril, o maior desde 22 de junho de 2025. O petróleo WTI, usado nos EUA, chegou a US$ 74,99, um aumento superior a 12%.

Os riscos para navegadores comerciais subiram, com mais de 200 navios, incluindo petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito, ancorados próximos ao estreito de Hormuz devido à instabilidade.

Bruno Shahini, da Nomad, afirma que a valorização de petróleo e gás reflete o receio de interrupção no fornecimento global por causa das tensões no estreito.

O governo brasileiro avalia os benefícios e desafios dessa alta no preço do petróleo. O país pode ganhar com a exportação de petróleo bruto, o que pode melhorar o PIB e os déficits fiscais, mas a importação de derivados como gasolina e diesel pode pressionar o mercado interno e causar inflação.

Lilian Linhares, da Rio Negro Family Office, alerta para potencial aumento de preços em combustíveis, transporte e outros serviços caso o conflito pressione consistentemente o preço do Brent.

O Boletim Focus do Banco Central, divulgado hoje, manteve a previsão para a inflação em 3,91% até o fim de 2026, mas não considerou possíveis impactos do conflito.

A meta do Banco Central para a inflação é 3%, com intervalo aceitável entre 1,5% e 4,5%.




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