MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS
O dólar subiu quase 2% nesta quarta-feira (13) depois que o The Intercept Brasil publicou que o candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) teria negociado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o pagamento de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
A reportagem apresentou documentos que mostram envolvimento direto de Flávio com o dono do Banco Master. Questionado pelo The Intercept Brasil durante entrevista coletiva, Flávio negou as alegações, chamando-as de “mentira”.
Por volta das 15h30, o dólar subiu 1,69%, alcançando R$ 4,976. No pico, chegou a R$ 5,004, alta de 2,26%.
Ao mesmo tempo, a Bolsa de Valores brasileira caiu 1,58%, marcando 177.475 pontos.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) declarou à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que entrará com pedidos junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República solicitando a prisão preventiva do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro.
Segundo o economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri, a queda da Bolsa está relacionada à reportagem. “O caso do Banco Master está ligado à percepção de corrupção no Brasil e até agora não estava associada diretamente à família Bolsonaro”.
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, acredita que a reportagem dificulta a campanha de Flávio Bolsonaro. “Há também fatores externos, como o aumento inesperado do índice de preço ao produtor nos EUA, que atingiu a máxima mensal desde 2022. O estresse do dólar na tarde de hoje pode ser atribuído, sim, a questões internas”.
Segundo pesquisa Genial/Quest divulgada em 13 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um possível segundo turno, com 42% das intenções de voto contra 41% de Flávio. Brancos, nulos e indecisos somam 17%.
Na simulação do primeiro turno, o petista lidera com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 33%. Brancos, nulos e os que não votarão são 10%, indecisos 5%.
O dia também foi marcado por dados inflacionários nos EUA acima do esperado, elevando as expectativas de juros mais altos e fortalecendo o dólar, o que pressiona moedas de mercados emergentes como o real.
Este pregão trouxe a sensação de repetição, pois os dados de inflação continuam a pressionar o mercado e aumentar a aversão a ativos de risco.
O Escritório de Estatísticas do Trabalho dos EUA divulgou que o índice de preços ao produtor (PPI) subiu 1,4% em abril, muito acima da previsão de 0,5%. Essa foi a maior alta desde março de 2022.
Esses dados se somam ao índice de preços ao consumidor (CPI) de abril, divulgado no dia anterior, que avançou para 3,8%, o maior nível em três anos.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o relatório reforça a inflação persistente nos EUA e complica as decisões do Federal Reserve.
“Os custos de energia estão impactando os preços ao produtor, e isso pode chegar ao consumidor final, já que empresas repassam essas pressões”.
Leonel Oliveira Matos, analista da StoneX, acrescenta que a inflação nos EUA está alta, o que indica altos preços para os consumidores em breve.
“Isso diminui as chances de cortes nos juros a curto prazo. As taxas mais altas atraem capital para os EUA, fortalecem o dólar e pressionam moedas como o real”.
Na manhã de quarta, o rendimento dos títulos do tesouro americano a 10 anos atingiu níveis não vistos desde julho de 2025, chegando a 4,48%.
Um fator importante para essa alta inflacionária é a guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo e causa incertezas nas cadeias globais de insumos.
Além dos combustíveis, há preocupação com o aumento dos preços de produtos como alimentos, já que o diesel é fundamental para a produção e transporte. O agronegócio também é afetado pelo impacto na logística dos fertilizantes.
Na mesma quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou à China para reunião com o líder chinês, Xi Jiping, onde devem discutir temas delicados, inclusive a guerra no Irã.
A resolução do conflito segue distante. Na segunda, Donald Trump afirmou que o cessar-fogo no Oriente Médio “está por um fio” após rejeitar proposta do Irã para encerrar a guerra.
Teerã respondeu que não aceita solução diferente da sua proposta de 14 pontos, declarando que outras abordagens serão inúteis e levarão a fracassos contínuos, segundo Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano.
