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sexta-feira, 16/01/2026

dólar quase estável com pressão externa e alta do petróleo

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O dólar teve um dia de pouca variação frente ao real, mesmo com influências de fatores externos e o aumento no preço do petróleo. Durante o dia, a moeda americana alternou entre leve queda e alta, mas fechou praticamente estável. Essa movimentação ocorreu em meio ao fortalecimento global do dólar, impulsionado pelas críticas do presidente Donald Trump ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, além de dados econômicos dos Estados Unidos que não apresentaram mudanças significativas nas expectativas para as taxas de juros em 2026.

O petróleo atingiu os preços mais altos desde o final de 2025, o que ajudou a sustentar o valor do real, já que o Brasil é um grande exportador dessa commodity. No fechamento, o dólar à vista subiu 0,06%, cotado a R$ 5,3759, variando durante o dia entre R$ 5,3649 e R$ 5,394.

No cenário internacional, o dólar apresentou força tanto frente às moedas mais valorizadas quanto às das economias emergentes, com exceção do peso mexicano e do peso colombiano. Segundo Rafael Passos, sócio e analista da Ajax Asset, a disputa pública entre Trump e Powell influencia diretamente o câmbio brasileiro, contaminando o mercado local.

Além disso, a investigação aberta pelo Departamento de Justiça dos EUA contra Powell intensificou as críticas de Trump contra o presidente do Fed, aumentando as incertezas sobre a política econômica americana. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, divulgado recentemente, teve variação de 0,3% em dezembro, confirmando as expectativas do mercado e mantendo estável as projeções para os juros futuros.

Enquanto isso, os preços futuros do petróleo subiram mais de 2,5%, alcançando valores recordes recentes. Esse aumento é reflexo das tensões políticas no Irã, das tarifas impostas pelos EUA, e dos conflitos geopolíticos entre Rússia e Ucrânia, o que contribuiu para limitar as perdas do real.

Bolsa

O índice Ibovespa fechou em baixa, aos 161.973 pontos, acumulando perda semanal de 0,86%. O presente cenário negativo foi puxado principalmente pelo setor financeiro, apesar das altas expressivas das ações da Petrobras e da Vale. Entre os papéis ganhadores, destacam-se também Gerdau e CSN. Do lado oposto, as maiores quedas foram registradas por Hapvida, Yduqs e Magazine Luiza.

Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, apontou que o mercado doméstico tem sentido impactos das notícias internacionais, especialmente pela elevada tensão geopolítica envolvendo o Irã. Ainda em Nova York e Londres, sobressaíram os ganhos acima de 2% para o petróleo, gerando preocupações no mercado.

Os protestos no Irã já resultaram em mais de 2 mil mortos, segundo ativistas, com as comunicações telefônicas externas sendo restabelecidas recentemente. Donald Trump afirmou que se a repressão continuar, uma intervenção militar com Israel pode ser considerada, aumentando os riscos geopolíticos mundiais. Além disso, o presidente americano ameaça aplicar tarifas pesadas a países que mantiverem relações comerciais com o Irã.

Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, destacou que a estratégia de Trump utiliza a força econômica como ferramenta de negociação, refletindo um cenário de desglobalização que causa volatilidade nos preços do petróleo.

Nos EUA, os principais índices de ações tiveram recuos moderados apesar da estabilidade na inflação, influenciados pela incerteza externa e pelas pressões políticas sobre a independência do Federal Reserve.

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, explicou que o mercado reagiu com queda diante das dúvidas internas e externas, mesmo após o alívio nos dados recentes da inflação americana.

Internamente, as tensões aumentam com a investigação criminal envolvendo Jerome Powell. Segundo Trump, a inflação atual justificaria um corte nos juros, embora o mercado aposte na manutenção das taxas para janeiro.

Eduardo Amorim, especialista da Manchester Investimentos, comentou que o dólar, sendo o ativo financeiro mais negociado globalmente, apresenta dificuldades para movimentos claros no curto prazo. Ele prevê volatilidade no câmbio brasileiro, mas com tendências neutras a médio prazo, dependendo da evolução econômica global e doméstica.

Juros

Os mercados futuros de juros no Brasil operaram em baixa nesta terça-feira, após a divulgação de dados econômicos mistos. A Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE mostrou queda no volume prestado pelo setor, indicando desaceleração da atividade econômica. Já o CPI americano, embora alinhado com as expectativas, apresentou núcleos um pouco abaixo do previsto, favorecendo os títulos públicos americanos.

As taxas dos contratos futuros para janeiro de 2027 a 2031 apresentaram ligeira queda, refletindo um cenário de pouco movimento para a política monetária de curto prazo. Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, destacou que os dados sinalizam perda de força na atividade econômica.

Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, economistas do Santander, avaliam que o consumo das famílias permanece concentrado em bens, com perspectivas de estabilidade para o PIB no último trimestre do ano.

A Kínitro Capital e a Ativa Investimentos esperam o início do ciclo de redução da Selic entre março e abril. Já Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, indica uma probabilidade parcial para corte de juros já em janeiro, com maiores chances para março.

Nos Estados Unidos, o CPI elevou um pouco as expectativas de corte de juros no Fed para os próximos meses, mas essa visão ainda não é majoritária, conforme dados do CME Group.

Estadão Conteúdo

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