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sexta-feira, 23/01/2026

Dólar oscila e Bolsa sobe com atenção nas negociações sobre Groenlândia

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Em Brasília

FOLHAPRESS

A Bolsa de Valores está em alta sólida nesta sexta-feira (23), impulsionada pela entrada de investimentos estrangeiros no Brasil em meio ao afrouxamento das tensões envolvendo a Groenlândia.

Informações dos Estados Unidos e do Japão também influenciam as decisões de investimento.

Às 12h55, o Ibovespa subia 1,02%, alcançando 177.384 pontos, indo para seu quinto recorde consecutivo nesta semana. O dólar registrava pequena alta de 0,08%, cotado a R$ 5,287, mantendo-se praticamente estável.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que Washington e a aliança militar OTAN acordaram sobre o acesso à ilha, embora os detalhes ainda sejam poucos.

Trump mencionou um “acesso total e ilimitado”, e a imprensa americana informou que estão em debate a cessão de áreas da Groenlândia para bases militares dos EUA.

O acordo seria semelhante ao existente entre o Reino Unido e o Chipre, onde bases militares britânicas ocupam 3% do território insular, considerado britânico. Esse tratado, firmado na independência do Chipre nos anos 1960, é contestado pelo governo cipriota, que o considera um legado do colonialismo.

Washington já possui amplo acesso militar à Groenlândia desde 1951, acordo firmado durante a Guerra Fria. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que este documento poderá ser atualizado para atender às novas exigências americanas, sem que a Groenlândia perca sua ligação com a Dinamarca.

Essa notícia sobre o acordo ajudou a reduzir as incertezas no mercado desde o fim de semana, quando Trump ameaçou tarifas a oito países europeus caso não conseguisse controle sobre a ilha ártica. Esse recuo do presidente considerou, entre outros fatores, a reação dos mercados.

O movimento de Trump, marcado por declarações contraditórias, tem levado investidores a diversificar seus portfólios fora dos EUA, buscando reduzir exposição à volatilidade do mercado norte-americano. Países emergentes estão se beneficiando dessa tendência.

O Brasil se destaca nesse cenário por fatores como a elevada taxa de juros — a Selic está em 15% ao ano desde junho passado — e o peso da Bolsa em commodities como petróleo e minério de ferro. As ações brasileiras também são negociadas a preços atrativos, com o Ibovespa operando abaixo da média histórica, mesmo após vários recordes.

“O alívio nas tensões geopolíticas incentiva a entrada de capital estrangeiro na Bolsa. Já esperávamos esse movimento, pois a capitalização do Ibovespa é pequena, então qualquer aporte novo tem efeito, especialmente com poucas vendas”, explica Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos.

Esse realinhamento e rotação para fora dos mercados norte-americanos fez com que o volume de investimento estrangeiro na B3 até terça-feira (20) chegasse a R$ 8,7 bilhões, cerca de um terço do total previsto para 2025, que é R$ 26,87 bilhões.

Além disso, o mercado acompanha a política monetária do Japão, onde o Banco Central manteve a taxa de juros em 0,75% e divulgou o relatório econômico.

Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio, comenta: “Embora o mercado esperasse a manutenção da taxa de juros, qualquer sinal mais claro sobre inflação e a trajetória da moeda japonesa pode afetar os mercados globais e os ativos emergentes ao longo do dia”.

Nos Estados Unidos, dados mostram que a atividade empresarial cresceu pouco em janeiro. O aumento de novos pedidos foi compensado por um mercado de trabalho fraco e preocupações com custos elevados decorrentes de tarifas de importação.

A confiança do consumidor norte-americano melhorou em geral, mesmo com persistentes preocupações com preços altos e o mercado de trabalho.

Segundo Riauba, “esses indicadores ajudam a ajustar as expectativas do mercado sobre crescimento econômico e cenário de juros, impactando o dólar e os fluxos para mercados emergentes”.

No Brasil, a Polícia Federal realizou hoje mandados de busca e apreensão contra três autoridades do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro, para investigação de irregularidades relacionadas ao banco Master.

Foram alvos a sede do Rioprevidência e endereços de pessoas ligadas ao órgão, incluindo o atual presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, o ex-diretor de investimentos Eucherio Lerner Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal.

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