JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS
O dólar apresentou variações nesta terça-feira (18) devido ao aumento das tensões no Oriente Médio, que tem elevado os preços do petróleo e renovado as preocupações sobre a inflação. Por volta das 14h40, a moeda estava em alta de 0,29%, cotada a R$ 5,214.
Apesar dessas preocupações, Leonel Oliveira Mattos, analista da StoneX, acredita que não há eventos importantes hoje que possam gerar grandes oscilações no mercado de câmbio. Segundo ele, embora alguns fatores mereçam atenção, o mercado está menos sensível a esses eventos atualmente e não se espera mudanças significativas, salvo alguma surpresa inesperada.
O índice Ibovespa está praticamente estável, com alta leve de 0,05% às 14h41, atingindo 166.879 pontos. Ontem (17), o índice encerrou em queda de 0,09%, acumulando dez pregões consecutivos de baixa.
Fora do índice, as ações das Casas Bahia caíram 33% após a companhia solicitar recuperação judicial.
O principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qaliba, informou que o estreito de Hormuz permanecerá bloqueado até que os Estados Unidos cumpram as condições de um acordo provisório firmado em junho. Essas condições envolvem o fim do bloqueio dos portos iranianos, suspensão das sanções ao petróleo, liberação de ativos congelados e interrupção de ameaças militares.
O estreito de Hormuz é fundamental para o comércio mundial, pois antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito passavam pela região, tornando o mercado atento aos possíveis impactos sobre preços de energia e inflação.
Às 14h42, o petróleo Brent estava cotado a US$ 91, com alta de 0,37%, e o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra seis moedas fortes, estava estável.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, destacou que o bloqueio em Hormuz pode transformar uma disputa regional em um problema monetário global. Juros de longo prazo subiram nos EUA, Reino Unido, Alemanha e Japão, refletindo o aumento de prêmios exigidos por investidores diante do cenário de energia mais cara e risco inflacionário.
Leonel Mattos acrescentou que os títulos do governo americano de 30 anos alcançaram a maior taxa desde 2007, embora estivessem caindo levemente às 14h46. Há também preocupação com déficits públicos elevados nos EUA, Japão e possível aumento dos gastos na Alemanha, o que pressiona os investidores a exigir retornos maiores.
Investidores estão atentos dados na economia americana, como produção industrial, construção de moradias e vendas de imóveis, enquanto o mercado avalia sinais de desaceleração econômica junto com pressão dos preços do petróleo e juros altos, limitando expectativas por cortes nos juros do Federal Reserve.
Otávio Araújo, consultor da ZERO Markets Brasil, observou que a tensão no Oriente Médio também afeta as curvas de juros no Brasil, criando um dilema para o Banco Central entre reduzir a taxa Selic para estimular a economia ou manter os juros elevados diante dos riscos inflacionários.
Na manhã de terça, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DI) apresentavam leve queda, com taxa para janeiro de 2028 em 13,960% e para janeiro de 2035 em 14,775%, com pequenas variações.
Nos Estados Unidos, as bolsas operavam em queda: S&P 500 recuava 0,53%, Dow Jones 0,19% e Nasdaq 1,19% às 13h12.
Bruno Yamashita, coordenador da Avenue, destacou que as atenções estarão na ata do Federal Reserve a ser divulgada na quarta-feira (19), que deve esclarecer os próximos passos da política de juros. Na quinta-feira (20), o mercado acompanhará o balanço do Walmart, indicador importante para avaliar o consumo americano em cenário de juros ainda altos.
