MATHEUS DOS SANTOS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar começou o dia quase estável no Brasil nesta segunda-feira (19), em uma sessão sem movimentação dos títulos do Tesouro americano, porque houve feriado nos EUA.
Durante o dia, os analistas observam as novas tarifas prometidas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, direcionadas à Europa. No Brasil, o mercado aguarda uma entrevista ao vivo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que será transmitida pelo Uol a partir das 11h.
Às 9h38, o dólar caiu 0,01%, cotado a R$ 5,372. Na sexta-feira anterior, a moeda subiu 0,11%, sendo vendida a R$ 5,373, enquanto a Bolsa recuou 0,46%, marcando 164.799 pontos.
No sábado (17), Trump anunciou que planeja aplicar tarifas adicionais sobre os aliados europeus até que os Estados Unidos obtenham permissão para comprar a Groenlândia, aumentando as tensões sobre o futuro da grande ilha ártica pertencente à Dinamarca.
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump comunicou que novas tarifas de 10% entrarão em vigor em 1º de fevereiro sobre produtos vindos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido — todos já sujeitos a tarifas anteriores impostas por ele.
Essas tarifas subirão para 25% em 1º de junho e permanecerão até que seja atingido um acordo para a compra da Groenlândia pelos EUA.
Na última sexta-feira, os investidores analisaram os dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) de novembro.
Considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), o índice mostrou crescimento de 0,7%, maior do que o esperado, já que economistas consultados pela Reuters previam avanço de 0,3%.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o IBC-Br cresceu 1,2%, e no acumulado dos últimos 12 meses, a alta foi de 2,4%, conforme números sem ajuste sazonal.
Para o economista sênior do Inter, André Valério, esses resultados praticamente descartam a possibilidade de redução da taxa Selic em janeiro, pois indicam vitalidade na economia.
Além disso, os dados recentes da inflação, medidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgados na semana passada, mostram que o índice fechou o ano acumulado em 4,26%, abaixo do teto da meta do Banco Central.
No entanto, a pressão inflacionária ainda preocupa os economistas, afastando chances de corte da taxa básica de juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
Valério acredita que, mesmo assim, as condições para iniciar a flexibilização da política monetária estão preparadas e que isso deve ocorrer a partir da reunião de março. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano desde junho, o maior patamar em quase 20 anos.
A manutenção da Selic alta por mais tempo torna a renda fixa mais atraente devido ao seu menor risco e maior rentabilidade, reduzindo o interesse pela renda variável. No mercado cambial, o diferencial de juros beneficia o real. Investidores aproveitam as taxas baixas em outros países, como os EUA, para pegar empréstimos e investir no Brasil, convertendo dólares em reais, o que valoriza a moeda brasileira.
Além disso, investidores acompanham o encontro entre o presidente Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A União Europeia busca um acordo com o Brasil para explorar minerais essenciais para a transição energética, como lítio e níquel.
Ursula von der Leyen comentou: “Europa e Brasil estão caminhando para um acordo político importante em minerais críticos, que definirá nossa cooperação em investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras. Isso é fundamental para nossas transições energética e digital”.
O encontro ocorre pouco antes da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, os líderes discutirão temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo.
No cenário internacional, o mercado monitora as divergências entre Donald Trump e Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA).
Trump afirmou que não planeja demitir Powell, mesmo após uma investigação criminal sobre o chefe do banco central, que apura se ele mentiu ao Congresso sobre reformas em prédios do Fed estimadas em US$ 2,5 bilhões. Powell nega irregularidades e afirma que as ações contra ele são tentativas de pressão.
Powell não atendeu às exigências de Trump por juros mais baixos, e as decisões sobre política monetária têm sido baseadas nas análises dos dados econômicos.
O mandato de Powell termina em maio. Trump está inclinado a nomear o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, ou o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, para o cargo. Ele elogiou ambos e disse que anunciará sua decisão nas próximas semanas.
Kevin Warsh parece favorito entre os mercados, com cerca de 60% de chance segundo apostas no Polymarket, enquanto Kevin Hassett caiu para 15%.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a percepção de um Fed independente de pressões políticas tem mantido os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e sustentado o dólar globalmente. No Brasil, o dólar teve pouca oscilação devido ao alto diferencial de juros entre os dois países.
