O dólar iniciou o dia praticamente sem variação nesta terça-feira (17), após uma queda significativa na segunda-feira. Os investidores estão preocupados com os novos ataques entre Israel, EUA e Irã, que têm causado bombardeios em outros países.
Além das tensões no Oriente Médio, o mercado financeiro acompanha as reuniões do Copom, do Banco Central do Brasil, e do Fed, banco central dos Estados Unidos, que vão decidir sobre a taxa de juros em seus países.
Às 9h05, o dólar teve uma leve alta de 0,01%, cotado a R$ 5,2307, depois de fechar segunda-feira em queda de 1,62%, com alta procura por investimentos de maior risco.
A moeda americana caiu em paralelo com o recuo no mercado internacional, enquanto o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas, recuou 0,58%.
Já o Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores brasileira, subiu 1,24%, com a maioria das ações em alta.
Esse movimento reverteu os ganhos e perdas recentes tanto do dólar quanto da bolsa.
Lucca Bezzon, analista da StoneX, explicou que a queda do dólar ocorre com a correção de movimentos anteriores e que o real acaba se beneficiando desse cenário.
Na sexta-feira, o receio do mercado aumentou após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar em entrevista que faria um ataque forte ao Irã na semana seguinte.
O movimento desta segunda-feira é de revisão dessa posição, sem grandes mudanças diplomáticas, com o dólar perdendo valor diante de maior apetite por risco, favorecendo moedas de países emergentes, segundo Bezzon.
O conflito na região do Oriente Médio está se intensificando e já é considerado uma guerra regional. Israel realizou uma ofensiva terrestre contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, no sul do Líbano.
O estreito de Hormuz, importante passagem para o transporte global de petróleo e gás, é a principal preocupação para o mercado energético, podendo provocar aumentos na inflação mundial.
Bruno Shahini, especialista da Nomad, destacou que a guerra mantém o preço do petróleo elevado e aumenta a busca por ativos seguros como o dólar.
No sábado, Donald Trump pediu a outros países o envio de navios para garantir a livre navegação no estreito, mas até agora não houve resposta significativa.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a passagem está aberta para todos, exceto para inimigos e seus aliados, mas que muitos navios continuam a cruzar o local.
O Irã também alertou que o conflito pode aumentar caso outros países se envolvam diretamente.
A Agência Internacional de Energia (AIE) aprovou recentemente a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas, uma medida inédita para tentar conter os impactos no mercado.
As tensões têm influenciado as expectativas sobre a política de juros dos bancos centrais.
O mercado espera que o Fed mantenha os juros estáveis até julho, com 99,2% de probabilidade segundo a ferramenta FedWatch, e uma tendência semelhante para as reuniões seguintes, com possibilidade de cortes no futuro.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, acredita que o aumento do preço do petróleo pode pressionar a inflação global, limitando cortes rápidos de juros pelo Fed.
Nos EUA, os principais índices acionários S&P 500, Dow Jones e Nasdaq avançaram, refletindo essa dinâmica do mercado.
