Em São Paulo, dia 28, o dólar fechou estável, com pequenas variações durante o dia, cotado a R$ 5,2066. Pela manhã, a moeda chegou a cair para R$ 5,1713, mas recuperou força à tarde, especialmente depois do anúncio do Federal Reserve (Fed) que manteve a taxa de juros dos EUA entre 3,50% e 3,75%.
O presidente do Fed, Jerome Powell, alertou que a inflação permanece alta, mas indicou que eventuais cortes nas taxas de juros dependeriam da situação do mercado de trabalho. O índice DXY, que mede o dólar contra outras moedas fortes, registrou pequenas oscilações, terminando o dia em leve baixa.
No Brasil, a moeda norte-americana recuou 1,51% na semana e 5,14% em janeiro, e desde o início do ano a queda no dólar é de 11,18%, sendo a maior baixa anual desde 2016. O real tem sido a moeda latina com melhor desempenho em 2025, impulsionado pelo diferencial das taxas de juros e pela valorização das commodities metálicas.
Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, atribui a queda global do dólar a instabilidades na política econômica nos EUA, incertezas sobre a política monetária após a saída de Jerome Powell e uma maior diversificação dos investidores, que estão reduzindo investimentos em ativos americanos.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, conforme a maioria das expectativas do mercado. No entanto, o comunicado após a decisão indicou a possibilidade de cortes nos juros já a partir de março.
Taxas de juros
Os juros futuros negociados na bolsa brasileira apresentaram queda, influenciados principalmente pela decisão do Fed e do Copom. Mesmo que a Selic tenha permanecido estável, os investidores estão precificando a chance de redução dos juros em breve, principalmente na reunião de março, com possibilidade de corte de até 50 pontos-base.
Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, ressalta que a redução dos juros poderia ocorrer sem grandes impactos negativos, preparando o cenário para um alívio monetário no país.
Nos Estados Unidos, após a decisão do Fed, Jerome Powell reforçou que a economia norte-americana está crescendo em ritmo sólido, embora a inflação ainda esteja relativamente alta. O mercado de trabalho parece estar se estabilizando, o que também influencia as decisões a serem tomadas pelo banco central.
A decisão do Fed contou com duas discordâncias, dos diretores Stephen Miran e Christopher Waller, que votaram a favor de um corte nos juros de 0,25 ponto, indicando divergências internas sobre a condução da política monetária.
Bolsa
O Ibovespa vem registrando recordes frequentes, alcançando nesta quarta-feira, 28, o fechamento histórico de 184.691,05 pontos, alta de 1,52% no dia. Nos últimos 15 dias, o índice evoluiu em quase 20 mil pontos, refletindo otimismo dos investidores.
As ações dos bancos, como Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaú, tiveram valorização significativa, assim como empresas de setores de commodities, como a Petrobras e a Vale. Os destaques positivos também incluem as ações da Raízen, C&A e Usiminas.
A valorização do mercado financeiro doméstico está ligada, em parte, à expectativa de redução gradual da taxa de juros pelo Banco Central e à estabilidade da moeda americana, que favorece investimentos no Brasil.
Essas movimentações refletem um ambiente econômico global e local ainda cheio de incertezas, mas com sinais positivos para o crescimento e para o mercado acionário brasileiro.
