O dólar iniciou esta quinta-feira (8) quase sem variação, com investidores atentos a informações sobre a produção industrial no Brasil e aguardando o relatório oficial de empregos dos EUA, que será divulgado na sexta-feira (9).
O mercado também observa os desdobramentos da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, a situação do Banco Master e a escolha do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Às 9h27, o dólar estava cotado a R$ 5,388, subindo 0,08%. Na quarta-feira, a moeda americana teve alta de 0,09%, sendo negociada a R$ 5,386, enquanto a Bolsa registrou queda de 1,03%, fechando em 161.975 pontos.
Os investidores revisaram as expectativas sobre as futuras taxas de juros nos Estados Unidos após dados de emprego fracos, nem tão ruins quanto esperado, e continuam atentos ao impacto da ação norte-americana na Venezuela no fim de semana.
Segundo o relatório da ADP, os EUA criaram 41 mil empregos no setor privado em dezembro, abaixo da previsão de 47 mil vagas, e depois de uma redução de 29 mil empregos em novembro.
Este dado antecede o payroll oficial, que traz informações mais completas sobre o mercado de trabalho nos EUA e é esperado para sexta-feira. Embora os números da ADP e do governo nem sempre coincidam, o mercado acompanha esses dados para entender a economia.
Também foi divulgado que as vagas abertas de trabalho, medida pela pesquisa Jolts, caíram para 7,146 milhões em novembro, contra expectativa de 7,6 milhões.
Especialistas indicam que a incerteza política, como as tarifas de importação, tem feito as empresas hesitarem em contratar mais funcionários, o que leva a um crescimento econômico sem aumento do emprego. Além disso, a introdução da inteligência artificial em alguns setores reduz a necessidade de trabalhadores humanos.
Os economistas apontam que o mercado de trabalho enfrenta dificuldades estruturais, não apenas temporárias.
O mercado financeiro está tentando prever qual será a decisão do Federal Reserve (banco central dos EUA) sobre juros no fim do mês. Atualmente, 88% dos investidores acreditam que as taxas de juros permanecerão entre 3,5% e 3,75%, enquanto 12% esperam um corte de 0,25 ponto.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comenta que mesmo com dados abaixo do esperado, os investidores evitam grandes apostas e aguardam o relatório de empregos mais completo na sexta-feira para ter mais segurança sobre os próximos passos.
Além disso, o mercado segue reagindo à invasão dos Estados Unidos na Venezuela no último fim de semana.
O presidente Donald Trump apresentou um plano para refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam bloqueados devido a sanções dos EUA. Essa medida fez o preço do petróleo Brent cair 0,76%, a US$ 60,24 por barril.
Trump declarou que o dinheiro da venda será controlado por ele para garantir que seja usado em benefício dos povos da Venezuela e dos Estados Unidos. Os EUA consomem cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia.
O preço do barril WTI, referência nos EUA, chegou a cair até 2,4% após essa notícia. Caso o volume anunciado se confirme, ele corresponderia de 30 a 50 dias da produção venezuelana antes das sanções.
Segundo o jornal Financial Times, uma frota de navios dos EUA deve começar a transportar esse petróleo venezuelano em breve.
Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, afirma que essa notícia surpreendeu o mercado, pois pode aumentar a oferta global de petróleo e derrubar ainda mais os preços, que já caíram 20% este ano, a maior queda anual desde 2020, devido ao excesso de oferta.
A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo e é membro fundador da Opep, mas sua indústria está fragilizada e hoje responde por menos de 1% da produção mundial.
No Brasil, o Congresso e parte do Executivo estão em recesso, reduzindo a atividade política. A atenção está voltada para os dados do IPCA, índice oficial de inflação, que serão divulgados na sexta-feira e podem influenciar a decisão sobre a taxa Selic neste início de ano.
Além disso, a liquidação do Banco Master pelo Banco Central tem sido um tema de destaque. O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, afirmou que não pretende reverter essa decisão, apesar das especulações no mercado financeiro, na autoridade monetária e no próprio tribunal.
