FOLHAPRESS
O dólar permanece quase estável nesta quinta-feira (19), em um dia com muita oscilação, devido às decisões de juros do Copom e do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), além da alta do preço do petróleo, que preocupa os investidores.
O preço do barril do Brent, referência global do petróleo, subiu após novos ataques de Israel e dos EUA contra o Irã. Em resposta, o Irã bombardeou instalações de energia em vários países do Oriente Médio.
Por volta das 13h26, o dólar caiu 0,02%, cotado a R$ 5,242, quase estável. A maior cotação do dia chegou a R$ 5,313, alta de 1,34%.
O aumento dos ataques gerou impacto na Bolsa, que caiu, refletindo uma maior aversão ao risco global. Às 13h26, o índice Ibovespa, principal referência do mercado brasileiro, caiu 0,41%, para 178.829 pontos.
Essa insegurança também afetou as taxas de juros futuras. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) subiram em geral, indicando que o mercado espera juros altos por mais tempo no Brasil.
Às 12h27, a taxa para o DI de janeiro de 2028 estava em 13,835%, aumento de 10 pontos-base em relação ao dia anterior. Para janeiro de 2035, a taxa fechou em 14,01%, alta de 11 pontos-base.
A alta do petróleo pode aumentar a inflação no Brasil, o que pode fazer o Copom manter os juros elevados para controlar os preços, adotando uma postura mais cautelosa.
No encontro recente, o Banco Central manteve o plano de reduzir a Selic a partir de março, diminuindo a taxa para 14,75% ao ano pela primeira vez sob a gestão de Gabriel Galípolo. Porém, o Copom não confirmou os próximos passos e citou “forte aumento da incerteza”, especialmente devido ao conflito no Oriente Médio.
Antes do encontro, esperava-se uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa de juros, mas com a alta do petróleo, a aposta mudou para uma redução menor, de 0,25 ponto percentual.
O Fed também falou sobre a situação do Oriente Médio, considerando os impactos na economia dos EUA como incertos. O banco central dos EUA manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%, sem cortes até que haja progresso real na inflação.
Essa postura foi considerada agressiva pelos investidores e diminuiu o interesse por ativos de risco.
Lucca Bezzon, analista da StoneX, comenta que a valorização do real perdeu força devido a esses fatores e ao conflito na região do Oriente Médio, o que influencia também na trajetória futura dos juros no Brasil.
Enquanto isso, o conflito entre EUA, Israel e Irã se intensifica. O preço do petróleo subiu para mais de US$ 119 por barril, após o Irã atacar instalações energéticas na região, em retaliação a ataques anteriores de Israel.
Essa situação gerou maior cautela mundial, com as bolsas dos EUA e da Europa recuando significativamente.
Com a alta do petróleo, o real enfraquece e moedas de países emergentes são prejudicadas.
Para aumentar a liquidez e diminuir a pressão no mercado, o Banco Central realizou dois leilões simultâneos, vendendo US$ 1 bilhão em cada, uma operação para controlar a volatilidade cambial.
