O dólar iniciou o dia praticamente estável nesta terça-feira, enquanto os investidores observam atentamente os acontecimentos no Oriente Médio, pouco antes do prazo final dado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para que o Irã concorde com um acordo e permita a reabertura do estreito de Hormuz.
Pela manhã, a moeda americana teve leve queda de 0,04%, cotada a R$ 5,1446. Na segunda-feira, fechou em baixa de 0,27%, cotada a R$ 5,146, enquanto a Bolsa de Valores subiu 0,05%, atingindo 188.161 pontos.
As negociações ganham força pela possibilidade de um cessar-fogo no conflito que já dura cinco semanas no Oriente Médio.
Os Estados Unidos e o Irã, com mediação do Paquistão, propuseram uma trégua de 45 dias seguida por negociações para um acordo mais abrangente, segundo fontes informadas.
O chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, manteve contato durante toda a noite com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.
Embora os negociadores admitam que as chances de um acordo são baixas, o Irã rejeitou a ideia de uma trégua temporária, exigindo uma solução definitiva para os conflitos na região. O regime declarou que a guerra continuará enquanto for necessário e apresentou aos Estados Unidos dez pontos para negociação, incluindo o uso do estreito de Hormuz, o fim das sanções econômicas e apoio à reconstrução do país.
O presidente Donald Trump impôs um ultimato para que o Irã aceite as condições até às 21h desta terça-feira, horário de Brasília, caso contrário os Estados Unidos tomarão medidas drásticas. Uma autoridade iraniana já descartou a reabertura do estreito em caso de cessar-fogo temporário.
Na entrevista coletiva desta tarde, Trump afirmou que o Irã poderia ser neutralizado em uma noite, possivelmente já nesta terça.
Segundo Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, declarações como essas são vistas como blefes, já que não houve ação concreta até agora, e o mercado está cansado dessas falas.
Investidores têm buscado segurança em títulos do Tesouro americano, que são considerados investimentos mais seguros, aguardando sinais claros sobre o futuro do conflito.
O bloqueio do estreito de Hormuz, que é rota para 20% do petróleo e gás natural liquefeito consumidos globalmente, tem provocado turbulência na economia mundial. O aumento dos preços do petróleo e derivados é um impacto direto desta crise energética.
Hoje, o barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu cerca de 1%, cotado a US$ 112.
A inflação global é pressionada pela situação, o que faz com que o crescimento econômico previsto fique incerto, assim como a decisão de importantes bancos centrais ao redor do mundo.
Tanto o Federal Reserve dos EUA quanto o Banco Central do Brasil mencionaram a guerra em suas decisões recentes devido ao risco de aumento da inflação global.
A XP destaca que um conflito prolongado e elevados preços do petróleo são preocupações principais, esperando que a inflação local ultrapasse a meta de 3% do Banco Central.
No boletim Focus divulgado na segunda-feira, analistas revisaram para cima as previsões de inflação para 2026, agora estimadas em 4,36% para este ano e 3,85% para o próximo.
As projeções para o dólar permanecem em R$ 5,40 no final do ano, e para a taxa Selic, 12,50%, atualmente em 14,75%. Espera-se um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.
A XP vê o Brasil em boa posição para enfrentar os impactos da guerra devido à sua alta exposição ao petróleo e ao potencial de atrair investimentos estrangeiros, especialmente quando as tensões diminuírem.

