SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar caiu quase 1% nesta sexta-feira (1º), encerrando a semana a R$ 5,545. Essa queda ocorreu devido a dados de emprego nos Estados Unidos pior do que o esperado.
O aumento das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump também influenciou o mercado. A Bolsa de Valores caiu 0,47%, fechando aos 132.437 pontos. Pela manhã, o Ibovespa ficou temporariamente fora do ar por problemas técnicos.
Nos Estados Unidos, foram criados 73 mil empregos em julho, abaixo dos 110 mil previstos. A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%. Além disso, os dados de junho foram revisados para baixo, mostrando apenas 14 mil vagas criadas, em vez das 147 mil inicialmente reportadas.
O economista sênior do Banco Inter, André Valério, comentou que esse resultado mostra uma economia parada, causada pela incerteza sobre a política comercial de Trump. Ele destacou a tendência clara de desaceleração do mercado de trabalho americano e apontou que a espera pelo anúncio das tarifas afetou as contratações.
Esta situação ocorre após o Fed manter a taxa de juros entre 4,25% e 4,5%. O presidente do banco central americano, Jerome Powell, disse que o mercado de trabalho está equilibrado, mas alertou para riscos de queda.
Com esses dados, as expectativas sobre a possível redução dos juros em setembro voltaram a ser discutidas, dependendo do próximo relatório de emprego.
Houve divergências dentro do Fed: dois membros pediram corte dos juros em 0,25 pontos percentuais e um se absteve. O especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, ressaltou que alguns membros do Fed acreditam que cortes nos juros podem prejudicar o mercado de trabalho, que está estagnado.
As decisões do Fed levam em conta dados de desemprego e inflação, visando pleno emprego e inflação anual de 2%. Juros mais altos atraem investimentos para os EUA, fortalecendo o dólar; juros menores provocam saída de recursos e enfraquecem a moeda.
No campo comercial, Trump anunciou tarifas que variam de 10% a 41% para diversos países, valendo a partir de 7 de agosto. O Canadá teve a tarifa aumentada para 35%, acima dos 25% anteriores, devido ao problema do tráfico de fentanil na fronteira.
Outras tarifas incluem 41% para Síria, 39% para Suíça, 30% para África do Sul e 15% para Venezuela. Índia e Taiwan terão tarifas de 25% e 20%, respectivamente, e Lesoto passará de uma ameaça de 50% para 15%.
Para o Brasil, a tarifa inicial de 10% foi elevada para 50%, a maior até o momento, embora cerca de 700 produtos exportados tenham sido isentados. O governo brasileiro pretende negociar para ampliar a lista de exceções.
Trump justificou as tarifas dizendo que muitos países não resolveram desequilíbrios comerciais nem alinharam interesses econômicos e de segurança com os EUA.
Essas tarifas retomam o chamado “Dia da Libertação”, quando Trump anunciou tarifas que depois suspendeu e substituiu por uma taxa temporária de 10%. A expectativa é que as negociações se estendam por algum tempo.
No caso do Brasil, a sobretaxa está ligada a uma crítica que Trump fez contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O governo Lula pretende manter e intensificar o diálogo econômico, apesar das sanções contra o ministro Alexandre de Moraes do STF, apostando numa negociação direta entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.