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quinta-feira, 22/01/2026

Dólar cai para valor mais baixo desde novembro com menor risco geopolítico

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O dólar apresentou queda e atingiu R$ 5,28, seu menor valor intradia desde 14 de novembro de 2025 e de fechamento desde 11 de novembro, influenciado pelo cenário menos tenso nas relações políticas globais. Essa redução no valor se deve, em parte, às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que um acordo sobre a Groenlândia está em andamento.

A moeda americana encerrou o dia com uma queda de 0,68%, cotada a R$ 5,2845 no mercado à vista, acumulando uma perda de 1,64% na semana e 3,73% no ano de 2026.

Desde a última quarta-feira, Donald Trump suavizou seu discurso, garantindo que não usará força para adquirir a Groenlândia e suspendendo tarifas previstas para países europeus, inicialmente programadas para fevereiro. Isso, junto à perspectiva de que o ciclo de flexibilização monetária no Brasil começará só em março, mantém o real atrativo para investimentos.

Um relatório do Morgan Stanley destacou que o mercado está reagindo à possibilidade de mudança de poder nas próximas eleições de outubro, refletida nas variações das ações relacionadas tanto à continuidade quanto à mudança de governo.

O economista Guilherme Souza, da Ativa Investimentos, destacou que o movimento de queda no dólar é global, visto que o índice do dólar americano (DXY) está caindo, e várias moedas emergentes estão se valorizando, influenciado pelo tom conciliador de Trump.

Bruno Shahini, especialista da Nomad, assinalou que o real segue forte devido a um fluxo expressivo de capital estrangeiro, beneficiado pelo ambiente global favorável ao risco.

Bolsa

O Ibovespa manteve a trajetória de alta, atingindo máximas históricas pelo terceiro dia consecutivo, com ganhos que superaram 11 mil pontos em apenas duas sessões. O índice fechou em alta de 2,20%, aos 175.589 pontos. Durante o pregão, chegou perto dos 178 mil pontos, marcando novo recorde intradia.

Luise Coutinho, da HCI Advisors, ressaltou que o dinamismo da bolsa se deve à rotatividade global de capitais, mesmo após a redução das tensões comerciais recentes entre Estados Unidos e Europa.

João Oliveira, do Banco Moneycorp, acrescentou que embora o cenário geopolítico ainda apresente incertezas, como a proposta de um Conselho de Paz para a Faixa de Gaza e a dinâmica das eleições presidenciais no Brasil, o mercado tem registrado fortes investimentos estrangeiros.

Felipe Cima, da Manchester Investimentos, afirmou que o mercado brasileiro está tecnicamente alinhado como opção sólida para investidores, principalmente com o início próximo da temporada de resultados do último trimestre de 2025.

Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, destacou que o mercado continua em alta, impulsionado pelo alívio das tensões geopolíticas que favorecem entradas de capital estrangeiro, fazendo a bolsa progredir rapidamente.

Entre as ações com maior peso, os setores financeiro e de commodities tiveram desempenho positivo, com destaque para Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Vale e Petrobras. No lado das maiores altas, estavam Cogna, Vivara e Rede D’Or.

Juros

Os juros futuros negociados na B3 registraram queda influenciados pelo clima mais tranquilo no cenário internacional e pela expectativa de que o Banco Central do Brasil inicie a redução da taxa Selic em março.

Mesmo sem novidades concretas sobre o acordo envolvendo a Groenlândia, o ambiente positivo impulsionou os ativos brasileiros, refletidos também na curva a termo dos juros futuros.

Na sessão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu para 13,68%, e para janeiro de 2029 recuou para 13,045%.

Marcelo Fonseca, economista-chefe da CVPAR Quadrante, comentou que o cenário global favorece os emergentes e que o Brasil tem sido beneficiado por essa movimentação, especialmente após o recuo das tensões causado pelas declarações de Trump.

Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, acrescentou que o cenário externo positivo ajuda a manter a valorização do real e aumenta a expectativa de corte na taxa básica de juros no próximo Copom, marcado para março.

O presidente Donald Trump afirmou no Fórum Econômico Mundial em Davos que não utilizará força militar para obter a Groenlândia e que já possui uma estrutura para um acordo envolvendo países europeus, o que resultou na suspensão de tarifas planejadas.

Esse ambiente mais calmo nas relações internacionais contribuiu para o recuo dos juros futuros, marcado por um fluxo positivo de investimentos no país, apesar das incertezas políticas no cenário doméstico.

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