MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS
O dólar terminou o dia valendo R$ 5,1754, uma queda de 0,99%, marcando o menor valor desde maio de 2024, após a decisão da Suprema Corte dos EUA que anulou tarifas globais impostas por Donald Trump.
Ao longo do dia, o dólar perdeu valor devido à divulgação de dados econômicos americanos mistos — com o PIB crescendo menos que o esperado e a inflação mais alta. A queda se intensificou após a decisão da corte, beneficiando moedas de mercados emergentes, como o real, e impulsionando a Bolsa de Valores brasileira.
Essa foi a primeira vez em quase 21 meses que o dólar atingiu esse nível baixo, chegando até R$ 5,173. A Bolsa fechou acima dos 190 mil pontos pela primeira vez, com alta de 1,06%, atingindo 190.534 pontos, e até chegou a marcar 190.726 pontos durante o pregão.
Na semana, o dólar caiu 1,03%, enquanto a Bolsa subiu 2,18%. No acumulado do ano, a moeda americana recua 5,69% e o Ibovespa avança 18,25%.
No início da tarde, a Suprema Corte dos EUA decidiu, por seis votos a três, que as tarifas impostas por Trump a vários países são ilegais. O presidente usou a lei IEEPA para aplicar essas sobretaxas sem aprovação do Congresso, mas os juízes entenderam que essa lei, criada para situações de emergência, não dá esse poder ao presidente.
Essa decisão representa um golpe político e econômico para as iniciativas do governo Trump, podendo levar os EUA a devolver mais de US$ 175 bilhões em arrecadação tarifária, conforme economistas consultados pela Reuters.
Nos mercados internacionais, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq também fecharam em alta, assim como o índice europeu STOXX 600.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, afirmou que a decisão trouxe menos incerteza jurídica e reduziu custos para as empresas, o que pode melhorar a produtividade.
Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, disse que a decisão favorece moedas locais e ativos de risco, melhorando o apetite global por commodities.
Além disso, dados econômicos dos EUA mostraram que o PIB cresceu 1,4% no último trimestre, abaixo da previsão de 3,0%, e a inflação subiu mais do que o esperado em dezembro, o que também colaborou para a queda do dólar.
Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, comentou que o crescimento menor do PIB reforça o enfraquecimento da economia americana, ajudando na valorização de moedas de países emergentes.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, destacou que a combinação da retirada das tarifas e dos dados divulga dos é positiva para os mercados emergentes.
No Brasil, o destaque foi para leilões do Banco Central, que venderam US$ 2 bilhões com compromisso de recompra, buscando manter a oferta de dólares e controlar a cotação da moeda.
O mercado brasileiro continua atraindo investidores estrangeiros devido à diversificação de carteiras globalmente e à alta taxa de juros local, que está em 15%, a maior em quase 20 anos, beneficiando operações de carry trade.
André Valério, economista sênior do Inter, destacou que o real deve manter sua valorização devido à alta dos juros e à entrada constante de capital estrangeiro, apesar dos riscos domésticos relacionados a questões fiscais e eleitorais.

